Política Regional

Victor Coelho faz balanço de sua administração e fala sobre os projetos futuros para Cachoeiro

COMPARTILHE
1340

Em visita ao AQUINOTICIAS.COM, o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho (PSB), fez um balanço de sua administração e falou sobre os projetos futuros para o maior município do Sul do Espírito Santo.

STJ nega pedido de liberdade a assassino de ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou na noite desta quarta-feira (16) pedido do...

Irupi é o primeiro município do Caparaó a implantar projeto “Câmara sem Papel”

A Câmara Municipal de Irupi implantou nesta semana o projeto “Câmara sem Papel”, com...

Em seu dia, professores conduzem sessão ordinária na Câmara de Cachoeiro

Nesta terça-feira (15),  Dia do Professor, o presidente da Câmara de Vereadores de Cachoeiro,...

Confira a entrevista!

AQUINOTICIAS.COM – Qual a diferença do Victor Coelho das eleições de 2016 para o Victor de hoje?

Continua depois da publicidade

Victor Coelho – Eu acho que tem uma diferença do Victor Coelho gestor, de amadurecimento, dentro de ter mais conhecimento da área que estamos atuando hoje, na  Prefeitura, mas o Victor Coelho pessoa continua o mesmo, continuo mantendo os meu hábitos simples, conversando com as pessoas, sempre que interrogado nas minhas redes sociais. Eu acho que amadureci muito desde a minha entrada na Prefeitura até quase três anos após as eleições, tenho um conhecimento maior daquilo que a gente está lidando.

Quando se assume uma administração, obviamente não a começa com obras de imediato, obras impactantes, com grandes volumes. Como isso foi planejado e executado ao longo desses pouco mais de dois anos de gestão?

Eu tenho o privilégio de ter montado um time de secretários com a capacidade técnica muito boa, além de ter um tino político, cada um deles tem a expertise da área que trabalha, e isso facilita muito o trabalho. Nós montamos uma equipe formidável, cada um com a expertise dentro da sua  área e eu sendo um regente de uma orquestra onde os músicos são magníficos. Então o trabalho facilita porque você dá liberdade para um secretariado que tem o conhecimento da área desenvolver aquilo que esta planejado, dentro das ações de governo.

Daí, o resultado para a população aparece mais fácil. Porque fizemos um planejamento nos dois primeiros anos da gestão, buscando fazer um raio-x dos principais problemas que encontramos, e apresentamos soluções cabíveis, não mirabolantes, dentro do que Cachoeiro, hoje, como uma cidade com baixos recursos, comporta fazer. A gente não sonhou nada mirabolante porque Cachoeiro não tem pernas para isso, mas sonhamos uma cidade melhor, uma cidade humana e temos realizado isso. A população tem sentido essa diferença.

Como está a execução de obras na cidade?

Nós temos algumas obras em andamento, dando prioridade principalmente nos bairros e distritos mais carentes da nossa cidade. Fizemos um contrato de manutenção de prédios públicos. Então, as pessoas podem ver as melhorias nas unidades de saúde, as melhorias nas escolas. Estamos com um olhar diferenciado com a questão da acessibilidade também. Nós temos a pavimentação de ruas, principalmente nos bairros onde as pessoas não têm nenhum tipo de pavimento. O nosso olhar está sendo diferenciado para proporcionar uma qualidade de vida melhor para essas pessoas, para dar mais dignidade a elas.

Fizemos também um contrato de manutenção de logradouros, onde as pessoas podem ver melhorias nas escadarias, melhorias nas calçadas. Nós temos focado em coisas teoricamente simples, menores, mas que fazem a diferença muito grande para quem realmente nunca teve nada há muito tempo. Estamos pavimentando ruas, estamos hoje com condições de fazer a operação tapa buracos, estamos concretando ruas, fazendo reparos, dando uma cara, um ar diferente na nossa cidade, e fazendo junto a isso uma melhora no visual da cidade com o paisagismo. Além de proporcionar melhorias na estrutura física, a gente está dando esse toque diferenciado de tornar a cidade de Cachoeiro mais bonita.

Quais ações estão sendo executadas por sua administração na área da saúde?

Desde o início da gestão nós sabíamos da realidade que a nossa saúde enfrenta. Aí a gente faz uma separação daquilo que compete ao município e daquilo que compete ao Estado. Ainda temos uma demanda muito grande, muito reprimida, na questão de especialidade, de consultas e isso é um gargalo histórico de muitos anos, que nós estamos dialogando e conversando com o Governo do Estado para melhorar essa questão. Mas, no que tange competência do município, de atenção básica, nós já fizemos muitas coisas, muitas melhorias, como, por exemplo, a entrega da unidade de saúde do Coramara toda reformada, toda pronta. Estamos fazendo as interversões em várias unidades da saúde do município, melhorando o Centro Municipal de Saúde, com a reforma que está sendo feita.

Em breve, mês que vem, estaremos entregado o Paulo Perreira Gomes, o nosso pronto atendimento. Ampliamos o serviço do Pronto Atendimento Infantil (PAI), que hoje é prestado pelo Hospital Infantil e passou a ser 24 horas, e também criamos uma ala no Hospital Materno Infantil do Aquidaban, justamente para ampliar esse serviço. Temos o ônibus da saúde que implantamos para levar o serviço médico e odontológico para as localidades onde não há postos de saúde. Melhoramos também o salário dos médicos do programa de Saúde da Família, que antes era de R$ 6 mil e agora é de R$ 10 mil, proporcionando com que a gente não tivesse um problema muito grave com a perda do programa Mais Médicos. Cachoeiro era a segunda cidade que mais tinha médicos desse programa, e com a retirada nós fizemos uma recomposição muito rápida da contratação de novos médicos e estamos assim sempre focados em melhorar o atendimento da saúde. Agora temos mais tecnologia, fazendo o agendamento online. Em breve teremos o prontuário eletrônico, tudo para proporcionar o serviço cada vez melhor para a nossa população.

Muitos gestores querem mostrar a administração por meio de obras, com coisas impactantes, mas acabam esquecendo do meio ambiente. Como é o olhar da sua administração para este setor?

O meio ambiente tem uma importância muito grande, pois é onde nós vivemos. Se nós não cuidarmos do meio onde nós vivemos, daqui a pouco a gente não vai ter mais cidade para cuidar. A gente tem que ter sempre esse olhar, olhando pela sustentabilidade, olhando pelos nossos recursos hídricos, preocupado com a limpeza e com a coleta seletiva. Temos o programa Nascentes Vivas, que é justamente para recuperar as nascentes do nosso rio Itapemirim. Para que os córregos sejam cada vez mais linpos, fazemos as limpezas regulares. Vamos fazer uma ação no próximo dia 31 com a limpeza das margens do rio Itapemirim para retirar o lixo acumulado, o assoreamento está muito grande no rio.

O rio Itapemirim é o nosso maior bem natural e temos uma excelente qualidade de serviço prestado da concessionária de água e esgoto em Cachoeiro, sendo referência nacional. Cachoeiro é uma das poucas cidades do Brasil que possui um serviço tão bem prestado. Temos esse olhar diferenciado também no meio ambiente !

Quando você assumiu a Prefeitura enfrentou um problema relacionado a área da educação, já que a antiga gestão não cumpriu a meta de repasse obrigatório. Como isso foi superado e o que tem feito para esta área tão importante?

Eu sempre digo que a educação é a mola principal da sociedade. Nós temos um olhar diferenciado para a educação. Você mesmo disse que encontramos os investimentos abaixo do obrigatório pela Constituição Federal. Resolvemos esse problema, mas isso impediu no início da gestão que tivéssemos repasses federais, convênios com o município. Isso prejudicou um pouco, mas tivemos habilidade, junto com nossa equipe técnica, para resolver esse problema. Hoje, Cachoeiro tem todas as certidões já documentadas, tanto que recebemos a classificação “A” da Secretaria do Tesouro Nacional e estamos focados na educação de tempo integral.

Fizemos uma parceria junto com o Movimento Empresarial Sul e o Espírito Santo em Ação, que fez o mesmo projeto junto com o Estado, o “Escola Viva”. A gente quer implantar a mesma metodologia do Estado em escolas municipais. Percebemos que deu resultado e a gente quer trazer o mesmo para Cachoeiro. Isso vai melhorar o nosso Ideb, vai melhorar a educação das nossas crianças. O modelo pedagógico é diferente e acredito que vai ser o primeiro município no Espírito Santo com a implantação dessa metodologia. E quem sabe a gente possa ser referência para outros municípios!

Sabemos que a carência de vagas em creches é um problema enfrentados por diversos municípios. O que tem feito para suprir essa demanda?

Essa questão das vagas de creche é uma dificuldade que temos no município até por conta de algumas regiões geo escolares ainda não estarem contempladas. A Super Creche no Village da Luz, que vamos inaugurar mês que vem, vai diminuir muito a demanda reprimida que nós temos. Estamos na expectativa por termos firmado um pacto pela educação com o Governo do Estado para sermos também contemplados com creches aqui na nossa cidade. O Governo do Estado já sinalizou a implantação de mais escolas, mais creches em todo o Estado e Cachoeiro está inserido dentro do programa para que a gente realmente consiga diminuir essa demanda. Talvez não consigamos sanar 100%, até porque quando chega o período de férias escolares não temos nenhum programa para que os pais possam deixar os filhos enquanto estão trabalhando. É uma dificuldade que a gente ainda tem, mas estamos buscando uma solução jurídica para isso, para que entre no orçamento do município, pois aumenta o custeio. Temos que buscar uma solução!

O que a municipalidade tem feito para reduzir o número de pessoas em situação de rua?

Nós temos um programa multissetorial na Prefeitura que envolve o pessoal do Desenvolvimento Social no trabalho do “Pop Rua”. Junto a eles atuam o pessoal da Secretaria de Saúde, com a saúde mental, focados em pessoas em situação de rua que fazem o uso de drogas lícitas e ilícitas, e temos o apoio da Guarda Municipal para estar agindo nessas ações.

Fizemos movimentos em locais onde a gente percebe uma aglomeração maior de pessoas, como ali naquele triângulo da Estação Ferroviária. Depois, as pessoas migraram para o Teatro Municipal, para a Beira Rio e Ponte Municipal. O trabalho de convencimento dessas pessoas é realmente muito complexo. Tem que ter uma técnica psicológica muito grande e temos profissionais treinados para isso. Nós não podemos usar a força para tirar essas pessoas do local. Existe uma resistência muito grande dessas pessoas para irem para o abrigo, para o albergue, de estarem sujeitas às regras internas do albergue, enfim, as pessoas têm essa resistência muito grande, mas o trabalho tem sido feito e a gente conta com a compreensão da população de que não é um trabalho fácil e que não vamos resolver da noite para o dia um problema social, ainda mais quando temos o País vivendo em recessão econômica e desemprego. Realmente pode surgir alguma questão que leve as pessoas para o mundo das drogas e para um mundo de situação de rua. Esperamos, aos poucos, implantar cada vez mais políticas públicas voltadas para isso.

Nós temos investido cada vez mais na segurança, naquilo que nos compete

Nós vemos muitas igrejas que tem vontade de ajudar nesse sentido, mas, talvez estejam fazendo no caminho errado. Quanto mais você dá o alimento e dá o cobertor, fazendo uma boa ação, talvez você permaneça com essas pessoas na rua. Que a pessoa que tem vontade de ajudar procure a nossa equipe de Pop Rua para saber qual é a melhor abordagem a ser feita e qual o trabalho precisa ser feito para que a gente possa conseguir uma solução para tirar esse pessoal do meio da rua.

Podemos falar de entregas realizadas na área de desenvolvimento social?

Nós entregamos recentemente um equipamento público para o abrigo das nossas crianças, um novo espaço do Aprisco Rei Davi, que ficou realmente muito bonito. Hoje nós temos condição de dizer que as nossas crianças têm um local agradável e condicionado para elas terem todo o trabalho feito de ressocialização e humanização.

Temos também o programa de apadrinhamento afetivo, onde as pessoas e empresas que quiserem “adotar” uma criança nossa pode contribuir financeiramente ou contribuir doando seu tempo, seu carinho, o seu amor, levando ela no cinema, por exemplo, tudo com acompanhamento, é claro! Lançamos esse projeto, que foi uma ideia bem interessando da nossa Secretaria de Desenvolvimento Social.

São vários trabalhos que estão sendo desenvolvidos na área social. O nosso Banco de Alimentos, por exemplo, é referencia no Estado e vários municípios têm procurado a nossa equipe para ver a metodologia implantada e, dentro dessa filosofia, nós idealizamos eventos na cidade para fazer com que a participação popular seja mais efetiva. Sabemos que o cachoeirense é um povo muito solidário, percebemos isso no ano passado e esse ano também quando criamos a entrada solidária, que fez com que o nosso banco de alimentos proporcionasse uma entrega maior para as entidades beneficiadas da nossa cidade. Nós vamos fazer uma complementação, uma reforma maior onde seria o restaurante popular, e ali vai ser a nossa sede do Banco de Alimentos. Também vamos levar para ali a padaria que se encontra na Ilha da Luz e continuar com esse belo serviço da segurança alimentar no nosso município.

A Guarda Municipal realmente teve seu reconhecimento quando houve a greve da PM, em 2017. Sua administração, naquele momento, conseguiu que a GCM ficasse armada temporariamente e, após mais de dez anos, está conseguindo resolver a questão do porte de armas dos agentes. Como está esse processo e quais os investimentos na área da segurança pública?

Nós temos investido cada vez mais na segurança, naquilo que nos compete. Fizemos todas as tratativas jurídicas determinadas pelo Ministério Público e pelo Judiciário. Fizemos o curso exigido, que foi ministrado pela Polícia Civil. Diplomamos os nossos guardas municipais no final do ano passado, investimos cerca de R$1,2 milhão em equipamentos novos, adquirimos dez novas viaturas, compramos coletes balísticos, coletes refletivos, spray de pimenta e novas algemas. Investimos e queremos investir ainda mais com a construção de um centro de operação que vai ficar no Parque da Ilha da Luz, onde é a sede da Secretaria de Desenvolvimento Social, e queremos fazer um centro de operações especiais lá, com área de treinamento, área de stand de tiro e com videomonitoramento ampliado. Vamos fazer a instalação do cerco eletrônico na nossa cidade para que ela seja monitorada em todas as suas entradas e saídas.

Dentro do que compete ao município, nós estamos fazendo! O nosso sonho é terminar essa novela da questão do porte de armas que está dependendo apenas do convênio coma Polícia Federal. Acho que agora é só os tramites finais e a PF sinalizar para a gente o convênio do porte de arma para que a nossa Guarda Municipal possa contribuir ainda mais nas ações integradas com a Polícia Militar e Polícia Civil.

Você falou do Parque da Ilha da Luz. Como está sendo tocado esse projeto?

Isso foi fruto de uma ação do Ministério Público que já dura quase nove anos na nossa cidade. Cachoeiro carece de um espaço público de lazer. Há áreas isoladas nos bairros, mas numa área central e privilegiada, como na Ilha da Luz, não temos. Realmente é um sonho de qualquer cachoeirense. É um espaço bom para eventos, mas a gente vê um potencial de se tornar um parque urbano e devolver aos cachoeirenses uma área tão nobre. Fizemos a participação junto ao Ministério Público, Poder Judiciário, e fizemos esse acordo de que até o final do ano nós temos que apresentar o projeto daquela área e a realização da obra com a participação da empresa concessionária de água e esgoto, que fará o custeio. Devolver para Cachoeiro um parque urbano será um presente muito grande para a nossa cidade.

Um grande desafio das cidades grandes é o trânsito. Em Cachoeiro, como está sendo cuidado o projeto de mobilidade urbana?

Cachoeiro é uma cidade complexa, que não foi planejada. Temos ruas estreitas, sem calçadas, um fluxo de trânsito muito grande. Temos a segunda maior frota do Estado, quase um veículo para cada duas pessoas, fora os veículos de pessoas de municípios do entorno que vem utilizar os serviços aqui da nossa cidade. Nós estamos tratando a questão de forma muito técnica.

Temos uma empresa que está fazendo os estudos, as medições do fluxo do trânsito, do ir e vir, para onde que a pessoa se desloca dentro da cidade. Estamos fazendo esses estudos e queremos a implementação do nosso plano de mobilidade que foi um programa construído e feito no governo de Renato Casagrande no seu primeiro mandato e entregue para Cachoeiro, e que ainda não havia sido implementado e muitas ações ali a gente já têm dado início. Uma delas é o estacionamento rotativo que estava há mais de três anos paralisado e a gente assinou o contrato recentemente. Esperamos que em breve a empresa e o consórcio que venceu a licitação estejam operando. Essa é uma ferramenta que vai melhorar também a questão do trânsito.

Nós estivemos recentemente com o Governo do Estado fazendo pleitos de intervenções mais macro, de forma mais regional, para tirar o trânsito pesado que entra na cidade de Cachoeiro, que seria esse anel rodoviário da Rodovia do Caramba, da estrada que corta São Vicente e da Rodovia do Frade. O Governo do Estado sinalizou que vai contratar o projeto.

Estou focado no trabalho, nas entregas que a gente precisa para cidade

Temos feito algumas intervenções de forma simples. Apenas a pintura de faixa, por exemplo, faz com que o trânsito melhore. Ali na avenida Jones dos Santos Neves, uma simples pintura de faixa duplicando a pista deu fluidez melhor ao trânsito. A melhoria também da massa asfáltica das nossas ruas, das nossas nossas vias, é uma preocupação que a gente tem e vamos começar a fazer um planejamento maior a partir de agora, com a aquisição da massa asfáltica para melhorar também as ruas e dar fluidez maior no trânsito.

Muitas pessoas talvez não conheçam o que é o PDM, o Plano Diretor Municipal, que pode ter grande impacto na vida de cada cidadão e no desenvolvimento da cidade. Como está lidando com esse tema?

O Plano Diretor Municipal é a principal ferramenta que ordena nossa cidade. Ele deveria ter sido revisado em 2016 e não foi. Então, nós contratamos uma empresa para fazer a revisão do PDM e por conta da não realização dessa revisão a legislação retroagiu para o PDM de 2006. Muita coisa que está travando hoje na cidade é por conta dessa falta de revisão, que prejudica realmente tanto a alavancagem do município como um todo, além da questão econômica.

As pessoas querem ampliar seus negócios, desenvolver empresas aqui e ficam barradas por uma legislação que impede, por exemplo, por conta de um código florestal que não foi revisado de áreas consolidadas. Podemos citar como exemplo a Beira Rio, onde não pode fazer um empreendimento na margem do rio. Temos que fazer essa revisão, que já está em andamento. Estamos fazendo as audiências públicas para que Cachoeiro não fique preso e amarrado numa questão burocrática e a gente pede a compreensão também dos órgãos de controle, que não sejam tão rígidos na questão. Lógico que a gente tem que obedecer a legislação, mas que olhem também quando a revisão estiver pronta, que não impeçam o desenvolvimento de uma cidade.

Nós carecemos de empregos, carecemos de empresas e, dentro de uma legalidade, nós queremos que o Ministério Público trabalhe em conjunto conosco, para olhar para nossa cidade que precisa alavancar. Estamos em fase de elaboração do PDM e creio que ano que vem esteja finalizado. Cachoeiro vai ter muito a ganhar com isso.

Percebemos melhor desempenho na abertura de postos de trabalho na cidade. Quais ações a Prefeitura têm implementado para melhorar a economia de Cachoeiro?

Esse já é um reflexo de melhoria nacional. Nós sentimos os reflexos na nossa cidade por conta do que acontece, não só no País, mas no mundo também. Se vivemos uma recessão econômica isso gera reflexo na nossa cidade, mas isso não impede que nós façamos o nosso papel. Preocupados com isso, nós trabalhamos de forma muito responsável na questão fiscal e, recentemente, recebemos novamente pelo segundo ano o selo nota “A”, do Tesouro Nacional, que proporciona a Cachoeiro uma ambiência econômica favorável para as empresas, e a partir disso nós fizemos um projeto de lei que já está aprovado na Câmara para incentivos fiscais, para sinalizar para o mercado que Cachoeiro tem nota “A” e aqui tem isenção fiscal.

Cachoeiro é um ambiente que está favorável para proporcionar realmente geração de emprego e renda. Nós criamos uma comissão de desburocratização das nossas secretarias, onde na nova Sala do Empreendedor queremos colocar todos os setores que envolvem essa parte de abertura de empresas, para dar mais agilidade. Ao invés das pessoas irem em vários locais diferentes, vai estar tudo concentrado em um só lugar.

Nós aderimos ao programa da Federação das Indústrias, que são as dez medidas contra a burocracia ambiental. Estamos aderindo também ao programa Cidade Empreendedora, do Sebrae, para alavancar o micro e pequeno negócio. São várias ações que classificam Cachoeiro como uma cidade em potencial, tanto que entramos pela primeira vez na nossa história no ranking das 100 Cidades Brasileiras com Potencial de Investimento. Isso é um ganho muito importante para nossa cidade.

Alguns gestores não tiveram coragem de fazer o plano de cargos e salários. Sua equipe, já no terceiro ano de mandato, fez o projeto que promete corrigir defasagem salarial dos servidores. Como foi lidar com esse processo?

Essa foi uma das questões que nós encontramos desde a transição, uma grande dificuldade! Desde a transição nós percebemos que 54% do servidores ganhavam abaixo do salário mínimo, tendo a recomposição salarial obrigatória. Entendemos ser necessária a revisão do plano de cargos e também sabemos que a gente não pode oferecer nada além do que Cachoeiro comporta. Como eu disse, nós trabalhamos de forma muito responsável com os recursos públicos e não queremos que Cachoeiro se torne uma cidade igual a municípios e Estados que estão passando dificuldade para pagar o salário dos servidores.

Desde o primeiro mês da nossa gestão voltamos o pagamento dentro do mês trabalhado, pois antes era feito no quinto dia útil do mês seguinte. Fizemos muitos investimentos nas condições de trabalho dos servidores, adquirimos veículos, fizemos normativas internas para melhorar o fluxo interno dos processos, criamos uma comissão orçamentária financeira para tratar justamente as prioridades que nós iríamos utilizar os recursos públicos, enfim, são muitas coisas que fizemos, e os resultados estão aparecendo agora: entregas e obras para a população!

Como “enxugar” a máquina pública e ao mesmo tempo fazer investimentos? Qual foi a fórmula que você adotou para isso?

É basicamente assim: não tem fórmula mágica, é você trabalhar com seriedade e transparência. Cachoeiro estava classificada na 36ª posição de Transparência no Estado e pulamos no primeiro ano para a sexta colocação. Isso é resultado de trabalho com muita verdade, muita transparência, com uma equipe técnica muito qualificada e focada nos resultados. Com muito trabalho os resultados aparecem, é você utilizar cada vez melhor os recursos públicos, fechando as torneiras… Nós criamos uma secretaria específica para isso, na Secretaria de Modernização e Análise de Custos, onde criamos um escritório de projetos para captar recursos e fizemos também um escritório voltado para fechar os gargalos. Através disso, por exemplo, nós recuperamos R$ 1 milhão somente da cessão de servidores que estão trabalhando em outros municípios. Cachoeiro não era ressarcido dessa cessão. Numa simples ação de receber o que é devido a Cachoeiro, recebemos R$ 1 milhão.

Com estas ações, a Prefeitura economizou e anunciou um plano de investimentos estruturantes de mais de R$ 50 milhões. Como está sendo a execução desses recursos?

É como eu disse, essas ações internas nos proporcionaram fazer um plano de investimentos para os anos 2018/2019. Cerca de R$ 55 milhões com recursos próprios já estão sendo utilizados em várias áreas. Podemos citar como exemplo o contrato de manutenção de prédios públicos, de manutenção de logradouros, de várias obras de pavimentação que estamos fazendo. Estamos também sinalizando, porque hoje temos condições para isso. Com esse selo nota “A” poderemos obter recursos de empréstimos a juros baixos para estar investindo cada vez mais em infraestrutura na cidade.

Como estão as ações no interior?

A maior demanda do interior sempre foi a manutenção das entradas. Temos mais de 700 km em estradas rurais. Vimos que a demanda era muito grande e o maquinário e mão de obra que nós temos não eram suficientes para atender todas as comunidades. Por isso, fizemos uma contratação de locação de máquinas já com motoristas, de máquinas pesadas para fazer essa patrulha mecanizada, que deu uma alavancada muito grande em serviços feitos, não só da manutenção das estradas, mas ampliando também as estradas. Não foi uma simples manutenção de estrada, a gente realmente abriu verdadeiras avenidas no interior.

A população tem ficado muito satisfeita com o que tem sido feito e agora a gente dá manutenção nessas estradas que foram abertas para proporcionar que cada vez mais o nosso produtor tenha a condição de trabalho. Estamos fortalecendo a agricultura familiar do nosso município para que eles tenham cada vez mais condições de apresentar os seus produtos.

Com estradas boas também se amplia o turismo rural. Correto?

Claro! Temos esse sonho de levar desenvolvimento para nossa região, principalmente lá de Alto São Vicente, do Itabira… Temos várias potencialidades no nosso interior e estamos levando a infraestrutura para esses locais. Com isso, os próprios produtores, os moradores dessas regiões estão querendo investir, mas estão esperando chegar a infraestrutura. Já estamos planejando e fazendo os projetos para levar isso para lá.

Existe algum projeto para levar água tratada para o interior?

Fizemos um aporte de quase R$ 2,5 milhões para algumas localidades que têm essa carência de água potável. Já fizemos o aporte que estava no fundo da Agersa para os cofres do município e assinamos o contrato com a empresa concessionária de água e esgoto que já está comprando os materiais e em breve nós teremos água tratada em várias localidades.

Qual o olhar de sua administração para a área do esporte?

Nós temos a felicidade de ter uma equipe muito competente no que faz na área do esporte. Nossa secretária já foi da pasta estadual de Esportes e isso lhe gabarita a ter um conhecimento muito grande daquilo que nós planejamos no nosso Plano de Governo e estamos colocando em prática agora. Nós vimos uma realidade em Cachoeiro de muitos espaços esportivos deteriorados. Fizemos melhorias em várias quadras e, a partir daí, nós aumentamos os núcleos de qualidade de vida, os núcleos educacionais, e hoje a participação das pessoas tem sido muito interessante. Houve aumento, digamos assim, exponencial da participação das pessoas, por conta desses programas. Lançamos um aplicativo onde as pessoas podem acessar e ver onde está sendo praticado esporte na nossa cidade, de forma gratuita, quais são os esportes, quais são as modalidades sendo praticadas, quais os locais mais próximos de suas residências.

Estamos investindo também na questão dos espaços de academias populares, o espaço Viva Mais, que a gente deu o nome. Inauguramos uma recentemente em Gironda. A população está maravilhada porque há muitos anos não tinha nada para aquela região. Estamos tendo esse olhar não só para a cidade, mas também para os nosso distritos. Também estamos melhorando as pracinhas para que as crianças tenham o seu divertimento. Queremos proporcionar qualidade de vida para o Cachoeirense.

Quais são os investimentos na área da Cultura?

Na área da Cultura nós temos vários programas. A nossa cidade tem uma efervescência cultural muito grande e retomamos isso com a equipe que temos. Podemos destacar o desenvolvimento da Lei Rubem Braga, da Lei Mestre João Inácio, proporcionando aos artistas da terra a mostrarem seus trabalhos. A gente tem a cada ano investido um pouco mais de recursos para que os nossos artistas sejam privilegiados.

Lançamos o projeto Doce Terra Onde eu Nasci, onde levamos as nossas escolas para conhecerem os equipamentos públicos de cultura na cidade. Temos vários equipamentos riquíssimos em cultura como a Casa dos Braga, o Museu Ferroviário, a Casa do Roberto Carlos… Inauguramos recentemente a Casa da Memória, onde abriga a nossa biblioteca, temos o programa Novos Talentos para incentivar as pessoas, gratuitamente, a desenvolver uma arte cultural.

Temos eventos culturais na nossa cidade, a própria festa da cidade, o Natal Iluminado, que nós fizemos nesses dois anos da nossa gestão. Voltamos o carnaval em novo formato e ele foi muito bem aceito. Estamos evoluindo! Podemos considerar a Bienal Rubem como a nossa cereja do bolo. Rubem Braga é o nosso maior cronista a nível nacional e ano que vem teremos mais uma edição da bienal e com muitas novidades.

Prefeito, o que o cidadão pode esperar de sua gestão nos próximos meses?

Nós temos uma verdadeira fábrica de projetos. Hoje, na Prefeitura, um projeto bom não se perde. Nós sonhamos muitas coisas para nossa cidade, queremos ver uma cidade cada vez mais humana, cada vez mais feliz.

Queremos fazer uma revitalização completa da Beira Rio e junto disso temos a revitalização da própria praça de Fátima, que já demos início ali a uma melhoria que realmente precisava. Temos um complexo no Coronel Borges, na área do entorno da Escola Olga Dias, que nós devemos entregar até o final do ano e nós queremos fazer ali uma área de lazer muito grande.

Temos também a melhoria no serviço da coleta de lixo. Com o novo contrato, queremos ampliar os serviços com varrição mecânica, varrição manual e com lixeiras aterradas. Vamos fazer também um novo contrato de iluminação pública.

Vem muita novidade para cachoeiro e a gente está animado de fazer boas entregas para nossa cidade.

Um problema antigo na cidade é a falta de abrigo de pontos de ônibus. Existe algum projeto para essa área?

O projeto já está em andamento, nós fizemos a apresentação do modelo dos novos abrigos que a gente quer, um modelo mais confortável, mais bonito, que dê identidade a nossa cidade, e alguns já estão sendo confeccionados, fruto dos estudos de impacto de vizinhança, de alguns empreendimentos que vieram para Cachoeiro. Já estamos também em fase de licitação de novos 300 abrigos. Posteriormente, numa terceira fase, queremos fazer uma nova licitação que faça com que a gente possa ter, a partir de publicidade sendo explorada, a manutenção nesses abrigos.

Como a administração tem trabalhado a área de comunicação tecnológica, para que o cidadão possa acessar serviços da Prefeitura pela internet?

Nós temos um setor de marketing da Prefeitura desenvolvendo um novo portal da municipalidade. Não queremos simplesmente informações corriqueiras de uma secretaria. Queremos fazer realmente um portal de notícias, de informações e um portal de serviços.

Vamos ampliar vários serviços, lançar vários aplicativos, o principal deles, que eu acho que vai ser fundamental, é o da Ouvidoria, onde as pessoas poderão, através do seu smartphone, fazer sugestões, reclamações, mostrar com foto o problema da sua comunidade e fazer elogios também, por que não? Através dessa ferramenta, a gente vai ter uma comunicação muito mais rápida e mais prática com cidadão cachoeirense.

A gente já percebe uma grande movimentação em torno das eleições de 2020. Você já tem feito articulações em torno de sua reeleição?

Eu acho que isso é um movimento natural que todo município tem. Acho que está uma coisa muito antecipada ainda. A gente está focado muito no trabalho, temos muito trabalho a fazer, temos muita coisa a entregar. Estamos falando nessa entrevista dos nossos sonhos, nossos planos, a questão política a gente deixa para o ano eleitoral mesmo. Estou focado no trabalho, nas entregas que a gente precisa para cidade.

Qual o recado que você deixa para o cidadão cachoeirense?

Eu quero dizer para todo cachoeirense que não perca a esperança. Que as pessoas que sempre se sentem desacreditadas com poder público mantenham a fé e a esperança de que dias melhores virão, e que elas precisam também fazer parte dessa conquista. A gente não pode ficar simplesmente utilizando a palavra esperança com sentido de esperar, é fazer acontecer também, participar da vida da cidade, ter o sentimento de pertencimento e utilizar cada vez mais a atenção dos seus lares.

 

Publicidade