Agronegócio Regional

Presidente da Coocafé avalia resultados de 40 anos da cooperativa e fala sobre o futuro do setor cafeeiro

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Por Elias Carvalho

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A Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha (Coocafé) realizou no último final de semana sua 8ª Feira de Negócios. Fernando Romeiro de Cerqueira, presidente da cooperativa, em entrevista ao AQUINOTICIAS.COM falou sobre os resultados do evento e as estimativas para o futuro da entidade.

A empresa completou 40 anos em atividade no mês de julho deste ano e aproveitou o encontro com cooperados do Espírito Santo e Minas Gerais para avaliar sua trajetória e traçar novas perspectivas para o negócio cafeeiro.

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Confira a entrevista:

AQUINOTICIAS.COM –  Fernando, qual avaliação você faz da feira?

Fernando Romeiro – A feira foi muito boa, participativa! Os três dias de feira foram bastante concorridos, com muitos negócios, e o produtor bastante focado. Isso é muito interessante! Estamos vendo o produtor com o pé no chão. Eles entenderam o recado ao longo desses anos, que é necessário ter uma condição de nutrição satisfatória para a plantio produzir bem. Então, a avaliação da feira é muito boa, nota 10!

A Coocafé está fazendo 40 anos. Poderia fazer um resumo dessa jornada da cooperativa?

São quatro décadas trabalhando e levando educação, informação, novidades, tecnologia e acompanhamos a transformação da região. A Coocafé foi um dos fomentadores dessa transição do século 20 para o 21, e nós vimos nesses 40 anos um crescimento em produtividade, em qualidade dos produtos e na qualidade de vida dos produtores. A região melhorou como um todo.

Foram 40 anos de muito trabalho e sabemos que temos muito ainda pela frente. Essa feira vem trazer muitas novidades, além de bons negócios, pois temos novidades tecnológicas, novidade de aplicação, de colheita, novos produtos.

Normalmente, o presidente ou o diretor jamais fala de pontos negativos ou de derrotas. Como vocês viram esses erros, essas falhas que tiveram nessa caminhada de 40 anos?

Nós aprendemos primeiro que só não erra quem não trabalha e quem não tenta. Mas quem trabalha e tenta erra e são vários que a gente comete. A gente só não pode cometer o mesmo erro. Nós temos que estar com o coração aberto para cometermos erros porque se não a gente não vai ousar. E, no desenvolvimento da empresa, para termos uma posição de vanguarda, precisamos realmente ousar algumas vezes. Por exemplo, essa feira, quando nós a fizemos pela primeira vez não tínhamos nenhum tipo de experiência. Hoje, positivamente, é a melhor feira regional voltada para o negócio. Então, o erro nos ensina muito. Ensina a ser humilde, ensina a gente a ser mais precavido, ensina a gente planejar melhor.

A Coocafé tem se preocupado com a educação dos filhos dos produtores rurais?

A experiência educativa é uma experiência que é gota a gota. A experiência educativa não é uma cachoeira nem uma grande chuva que acontece de uma hora para a outra. Então, a educação é a única coisa que pode transformar uma região. E a atenção com a sucessão familiar nas empresas rurais, mesmo nas empresas urbanas, é uma coisa preocupante nesse momento. Os filhos estão saindo, os pais que têm suas empresas estão apreensivos com essa sucessão. Nós temos investido nisso em parceria com as empresas que são nossos fornecedores, que também estão preocupados com isso. Temos direcionado programas educativos para que os jovens não entendam a parte rural como um mal, mas como uma empresa, como qualquer outra, em que ele pode se dar bem na vida, dirigindo uma propriedade, investindo no aprendizado para ser o cafeicultor, o pecuarista do futuro.

O mercado cafeeiro está em transformação e os produtores estão buscando melhorar a qualidade dos cafés, principalmente os especiais que estão no auge. Como a Coocafé está lidando com a transição do café tradicional para o café especial?

Essa transição vem acontecendo ao longo do tempo. Ela é lenta também, porque o cafeicultor que quer entrar nessa linha de cafés especiais não tem só que querer, ele precisa ter aptidão, precisa aprender e, de certa forma, sentar no banco da escola de novo. Além da necessidade de ter sua propriedade em ambientes que são propícios para fazer cafés especiais. Não é qualquer lugar que se pode produzir. Nós tivemos aqui na feira uma cafeteria onde foram expostos vários produtos individuais, dos produtores que já estão torrando, moendo e colocando seu café no mercado. A Coocafé é apoiadora e incentivadora disso, nós vemos como mais uma opção de renda para a propriedade, mas não a única.

O País vive há quatro anos uma crise profunda e na cafeicultura não foi diferente. Como a Coocafé conseguiu superar a crise e qual a visão da diretoria da cooperativa para os próximos anos?

A cafeicultura passa por crises, por momentos de altos e baixos. Nesses momentos de dificuldades, onde os preços estão mais achatados e as margens estão extremamente reduzidas, o produtor aprende a administrar melhor a propriedade e os seus custos. Se tudo fosse muito bom, não seria necessária a gestão, porque tem sobra muito grande para desperdiçar. Em uma época de dificuldades, o desperdício fica proibido, então é o momento de o produtor rever suas posições, administrar melhor seus custos. Porque isso, de fato, é a única coisa que está em nossas mãos. O mercado não está nas nossas mãos, ele é muito poderoso para dizermos que vamos interferir nele. O governo não interfere, a não ser por questões cambiais, questões financeiras. Mas a nível de preço, não! Então, esses altos e baixos da cafeicultura são importantes para sustentabilizar a cafeicultura também.

Como você vê o futuro para o setor?

O futuro é muito promissor! Os nossos cafeicultores estão mais profissionais, estão mais bem preparados. Nós vamos ter uma safra grande no ano que vem. Os preços, hoje, estão ruins com a safra pequena, mas a gente sabe perfeitamente que vai melhorar. Então, o futuro é para que o produtor coloque o pé na tecnologia, comece a enxergar os novos modelos de aplicação, os produtos biológicos que estão chegando, que a gente entende ser uma tendência do mercado para diminuir um pouco a agressividade dos produtos que nós trabalhamos. Já diminuiu muito a agressividade. Então, aqueles produtos muito nocivos que tinham para a lavoura, prejudiciais aos seres humanos, diminuíram. Hoje, não chamamos mais de agrotóxico e sim de defensivos agrícolas, que sempre precisaremos. Agora, essa migração para os defensivos biológicos é uma tendência, então o cafeicultor está mais preparado para enfrentar o futuro, administrando melhor a produtividade e melhorando a administração de sua propriedade.

Como estará o café daqui a 40 anos, nos 80 anos da cooperativa?

A gente sempre discute que se o café acabar no Brasil a cafeicultura de montanhas vai permanecer. Porque nós não temos grandes opções, hoje, para substituir nossas culturas, e talvez isso aconteça, talvez o café estará se posicionando em algumas regiões onde a diversificação é menor. Talvez nós teremos esse sistema de divisões. Eu acredito que daqui a 40 anos estaremos bebendo bons e seletos cafés, talvez com tecnologias diferentes. Somos muito otimistas em relação ao futuro.

 

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