Entrevista

Majeski fala sobre criação de cargos no MPES, atuação da Ales e seu relacionamento com o Governo do Estado

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O deputado estadual Sérgio Majeski (PSB) em entrevista ao AQUINOTICIAS.COM falou sobre sua atuação na Assembleia Legislativa e o que o capixaba pode esperar de seu mandato.

Makeski é considerado um político de punho firme e independente de ser da mesma sigla que o governador Renato Casagrande, tem demonstrado e promete agir de forma independente e quando preciso contra o Governo do Estado.

O parlamentar, que é da área da educação, foi um grande opositor do ex-governador Paulo Hartung, principalmente da forma como foi implantado o programa “Escola Viva”. Nas eleições de 2018 foi o deputado mais votado.

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No final do mês passado, voltou a ganhar notoriedade no ES, após a Ales aprovar a criação de centenas de cargos no Ministério Público Estadual (MPES). Majeski foi um dos quatro deputados que votaram contra e fez duras críticas ao projeto de lei que foi sancionado parcialmente pelo governador. Confira a entrevista!

AQUINOTICIAS.COM – Deputado, como o senhor avalia o primeiro semestre do Legislativo em relação à aprovação de pautas, principalmente as polêmicas?

Sérgio Majeski – A minha atuação parlamentar é pautada nos interesses da sociedade e não há motivos para ser diferente. A aprovação de projetos, principalmente os mais polêmicos, que afetam o dia a dia do cidadão e a movimentação de recursos, por exemplo, deveriam sempre ser muito bem debatidos, analisados com cautela e criteriosamente para minimizar as possibilidades de equívocos. Por isso, rotineiramente voto contra os requerimentos de urgência para tramitação de projetos. O parlamentar é representante do cidadão e o parlamento tem o dever de trabalhar com a máxima dedicação.

Percebemos que o senhor teve uma atuação firme em relação à aprovação da criação de cargos no MPES. Por quê?

Aprovar um projeto que cria 307 cargos comissionados, de livre nomeação, com quase R$ 29 milhões de impacto financeiro nas contas públicas, nas últimas sessões antes do recesso parlamentar, afronta e muito os interesses da sociedade. Mesmo que houvesse justificativa para que uma instituição pública necessitasse de tantos cargos assim, para recomposição ou ampliação de pessoal, o correto seria fazer concurso público. Projetos e decisões como esta fragilizam muito mais as instituições e jamais deveriam ser votados em regime de urgência.

O Procurador Geral do MPES diz que o senhor extrapolou sua função parlamentar e que isso será analisado em momento oportuno. Como vê essa afirmação?

Critiquei e votei contra esse projeto vergonhoso do MPES. A declaração do Procurador-Geral é motivo de preocupação. Tomo como uma ameaça e uma tentativa de intimidar minha atuação. Creio que a população entendeu quem extrapolou, e muito, nesse caso. Então lutar por transparência, pelos interesses da sociedade, pelo bom uso do dinheiro público, por relações mais republicanas, por moralidade, para o MP é quebra de decoro? O fato de ter votado contra e criticado a criação de 307 cargos comissionados de livre indicação e o 13º do vale-alimentação, e a forma com que isso se deu, significa quebra de decoro? Tem um ponto positivo nisso: muitas coisas poderão ser esclarecidas à sociedade!

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Até onde o Parlamento pode interferir no MPES?

Acho que não deve haver interferência. Cada poder e instituição devem observar e cumprir suas obrigações constitucionais.

Na gestão do então governador Paulo Hartung o senhor teve uma postura de oposição. Hoje, na mesma sigla que o atual governador, o senhor não tem se posicionado como aliado fiel. Por que dessa postura?

Iniciei e terminei o primeiro mandato e vou seguir no segundo mandato mantendo a coerência. Estou na Assembleia Legislativa para defender os interesses da sociedade. Com o governador Casagrande e equipe o diálogo é melhor. Mas isso não quer dizer que deixarei de cumprir minha função de deputado, como estabelece a Constituição. Um exemplo é que o atual governo segue com a mesma prática do governo passado em não investir os 25% do orçamento na Educação e vou continuar cobrando o cumprimento da legislação, independente de quem seja o governador.  No acumulado, o rombo supera R$ 4 bilhões e esse recurso faz muita falta ao ensino público capixaba.

Como vai ser sua atuação em relação ao governo Casagrande? Há quem diga que tudo que o Executivo envia para a Casa de Leis é aprovado.

A nossa relação será de governador para deputado e vice-versa, com cada um fazendo o seu trabalho, de acordo com suas prerrogativas constitucionais. Por diversas vezes, ao longo dos governos, a Assembleia se mostrou um puxadinho do Palácio Anchieta e isso não é salutar para a sociedade. O Legislativo não pode ser um cartório do Executivo.

Qual a avaliação que o senhor faz da gestão de Casagrande nesses primeiros seis meses?

Sei que não se pode cobrar resultados significativos para problemas históricos em tão pouco tempo. Enquanto investimentos são anunciados em algumas áreas, outras ainda sofrem. Volto a citar a educação. Dezenas de escolas foram fechadas no governo passado e apenas duas foram reabertas. Há comunidade com escola fechada onde o aluno, caso queira estudar, precisa percorrer cerca de 80 quilômetros por dia. Acho que existem muitas coisas sem uma orientação clara do que será feito.

Vemos muita pressão do funcionalismo público que cobra por reposições salariais e outros benefícios. O senhor acredita que Casagrande vai conseguir conduzir essa situação? Hartung agiu com austeridade e o ES foi penalizado com a greve da PM em 2017.

A crise da segurança foi o ápice, mas muitos segmentos foram massacrados com o arrocho e a população penalizada com a falta de investimentos e serviços essenciais. O que o funcionalismo e a sociedade como um todo não entendem é que as cúpulas dos poderes não demonstram, com ações práticas, o corte de privilégios e gastos desnecessários. Quando isso acontecer vai ser possível negociar de igual para igual com os servidores, que na maioria das vezes cobram apenas o que está previsto em lei.

O que o capixaba pode esperar do seu segundo mandato?

A mesma intensidade do primeiro, mas agora com mais experiência. Sem dúvida, o primeiro mandato vai ajudar na condução dos trabalhos no segundo. Como disse, minha atuação é pautada nos interesses da sociedade, norteada pela constitucionalidade, transparência, moralidade e cuidado com o dinheiro público.

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