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Dia dos Solteiros: é possível ser feliz e realizado sozinho

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Por muito tempo a sociedade vem supondo que a felicidade e a realização só podiam ser encontradas em um relacionamento a dois. Atualmente tem se percebido que a cobrança em ter um parceiro aumentou para as pessoas, mas nem todos pensam desta forma, tanto que existe o Dia dos Solteiros, data celebrada hoje.

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Mesmo que fora do padrão ainda predominante na sociedade brasileira, a vida sem relação conjugal é opção de 42,9% da população, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada pelo IBGE. Então existem aqueles que não estão à procura de alguém com quem compartilhar suas vidas, que se encontram satisfeitos em receber visitas de seus pais, irmãos e sobrinhos, ou com a companhia de seus animais de estimação, investindo na carreira e na própria companhia.

O psicólogo Ricardo Muniz de Lima cita Jean-Paul Sartre, “o homem está condenado a ser livre, condenado porque ele não criou a si, e ainda assim é livre. Pois tão logo é atirado ao mundo, torna-se responsável por tudo que faz”, para explicar que é possível o ser humano ser feliz e realizado sozinho.

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“A nossa relação social é inerente da condição humana. E essa forma de contato nos acompanha em todo o processo de desenvolvimento, com o nosso primeiro contato humano, que geralmente vem com a figura materna. Isso é fundamental para a construção da afetividade de uma criança. E essa afetividade vai influenciar em todo o processo de relação dela com o mundo a sua volta e na forma que ela também irá construir a sua relação com o mundo e com as suas próprias questões”, demonstra.

Relacionamentos tóxicos

Normalmente, pode ser percebido que existem dois tipos de pessoas: as que gostam de ficar sozinhas/solteiras e as que têm necessidades de estar em um relacionamento, mesmo que por muitas vezes tóxicos. Ricardo, que segue a linha de abordagem da Gestalt Terapia, destaca que não existe uma regra para que isso ocorra, caso contrário pode entrar em uma afirmação determinista, indo contra o seu enfoque.

O psicólogo explica que esses dois tipos de pessoas possuem duas formas de ajustamento diferentes. Uma que vive bem estando sozinha e se sentindo bem assim, porque estar solteiro não é sinônimo de estar sozinho. Antes de você estar acompanhado de alguém, você ainda é a sua própria companhia.

E a outra forma de ajustamento, que seria de a pessoa necessitar de “ter alguém a qualquer custo”, que pode dar indícios de alguém que ainda não consegue se enxergar no próprio eixo. “Alguém que ainda não conseguiu construir e edificar uma construção de auto-suporte e se sentir bem consigo mesma. Que é a primeira maneira de se relacionar com o outro. Você só enxerga o outro como um ser inteiro e seguro de si, quando você estabelece esse tipo de relação consigo mesmo”, afirma Muniz.

Sobre a afirmação de que os solteiros são mais acessíveis e dispostos a se socializar do que as pessoas comprometidas, o psicólogo afirma que depende de qual maneira está sendo “colocada” a forma de socializar.

“Estar solteiro e socializar com pessoas de modo geral, e estar comprometido e também socializar com pessoas, tudo vai bater na questão do bom senso e na forma com que as pessoas se relacionam. Tudo pode apresentar mudança, na maneira que você passa a identificar três coisas: sentir, pensar e agir sobre as questões”, finaliza.

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