Pai herói

As tristezas e superações de um pai de primeira viagem

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Com a colaboração do jornalista Pedro Menegheti

Domingo é o Dia dos Pais, data importante para celebrar em família e agradecer pela vida da pessoa que tanto fez para manter cada filho bem. O AQUINOTICIAS.COM traz a história de superação de um pai que batalhou com sua esposa pelo sonho de compor uma família. Quem vê o jornalista Wanderson Amorim com seu filho não sabe das lutas e dificuldades que enfrentou para chegar a esse momento de felicidade.

Wanderson, 34 anos, contou um pouco sobre sua história e superações com a paternidade. Completando 9 anos de casado com Michele Amorim, 31, relembra a trajetória da perda de um filho até a superação da dor e o planejamento para serem pais.

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Em 2014, o casal engravidou pela primeira vez. Wanderson conta que era uma gestação tranquila, a esposa não sentia nem enjoos. Era o sonho do casal se tornando realidade, aumentar a família após quatro anos de casamento. Embora a gravidez não fosse planejada, eles estavam empolgados com enxoval e montando o quarto do bebê.

Com 24 semanas de gestação, a esposa sentiu dores. Pela manhã, foram até a Santa Casa para ver o que poderia ser e aparentemente o problema não foi identificado. As dores continuaram e mais uma vez retornaram ao hospital para realizar outros exames. Após o ultrassom, o médico constatou que o coração do bebê não estava batendo. Era 24 de agosto, dia de registro do nascimento na certidão de Michele; embora ela tenha nascido em 24 de julho. O casal se viu sem chão.

“Foi um baque! Tudo comprado, toda a roupa do neném comprado. Berço, guarda roupa, tudo prontinho. Só esperando mesmo. Contando os dias. Aí foi um sofrimento… Sempre em deparava Michele chorando, tive que ser forte para dar força a ela”, disse o jornalista com os olhos cheios de lágrimas. O casal teve que passar pela dor de sepultar a criança e sofrer a perda de um sonho em família.

Sentimento de perda

Wanderson diz que não quis ver o filho morto. Não quis lembrar dele como uma memória de morte se não pôde lembrar dele em vida. Depois desse dia, a esposa não queria mais ter filhos. A decepção e o medo da possibilidade de tudo acontecer novamente, de acumular ao sofrimento anterior, era o que mais causava receio aos dois. Mas ele não perdeu as esperanças, ainda queria realizar esse desejo do casal.

Até então, eles não tinham plano de saúde, o que aumentava as inseguranças sobre a assistência que poderiam ter diante de uma situação delicada como a gravidez. Não sabiam o que tinha causado o falecimento do bebê. Buscaram fazer parte de um convênio para saber como estava a saúde da mulher, entender a possível causa do falecimento e ter um aparato melhor, caso necessário. Os exames mostraram que a esposa tinha trombofilia, o que faz o sangue coagular e engrossar, impedindo a circulação pelo cordão umbilical.

Ele conta que sempre gostaram de crianças, a esposa mais ainda. Desde que se casaram, desejavam ter um bebê para dar amor e serem amados. Depois da cunhada e a irmã de Wanderson terem filhos, as esperanças se renovaram no casal. O apego com os sobrinhos auxiliou com a decepção da perda e reanimou a esposa a fazer tratamento sobre seu problema de saúde.

Foi quando em 2018 ela revelou o desejo de tentar novamente e assim eles engravidaram novamente. A alegria, emoção e o medo tomaram conta do casal quando descobriram que estavam esperando uma criança. Com a notícia, iniciaram imediatamente o tratamento contra trombofilia, que consiste em uma injeção todos os dias na barriga da mulher para impedir que o sangue coagulasse.

O jornalista diz que nunca gostou de injeção, mas alguém precisava aplicar diariamente. Ele superou esse medo para estar do lado da esposa e auxiliar no que pudesse. Teve que buscar informações, foi em postos de saúde, procurou vídeos e textos na internet para aprender a aplicar as injeções na companheira. Mas a pergunta sempre vinha: e se acontecer de novo? Eles não estavam preparados para enterrar mais um sonho.

Aos cinco meses de gestação, em um dia que estava na casa da irmã, Michele sentiu um líquido escorrendo pelas pernas. Rapidamente ela foi para o hospital e ao consultar, o médico disse que quando se perde líquido, dificilmente o bebê sobrevive. As memórias de 2014 e os receios vieram à tona, o que abalou psicologicamente o casal. Outro médico avaliou o caso clínico e disse que havia chances de eles terem perdido o bebê. Mas que era necessário uma ultrassom para avaliar com precisão o que estava acontecendo. Wanderson diz, emocionado, que não conseguiu dormir naquela noite à espera do dia seguinte para o exame conclusivo e esse era o maior pesadelo dos dois.

Superação

Ao fazerem o exame de ultrassom, o médico lhes deu a notícia de que estava tudo bem, que ela estava muito bem de líquido e a criança estava normal. O casal se sentiu aliviado da angústia e das lágrimas de medo. Para Wanderson foi um milagre de Deus. Não entendiam de onde tinha vindo aquele líquido.

O restante da gestação foi preocupante, mas o pai relata que redobraram os cuidados. Ela não podia fazer esforços, mas se mantiveram otimistas e esperançosos. Havia uma nova vida a caminho e eles precisavam se manter esperançosos e acreditar que tudo daria certo. A previsão era do bebê nascer no dia 17 de julho de 2019. O jornalista conta que brincava com a esposa dizendo: “já pensou se o Mikael nascer no dia do seu aniversário? Iria ser um churrasco só. Vamos economizar nas festas, vai ter presente duplo”.

Era 24 de julho, e o bebê ainda não havia nascido. Michele já estava com 40 semanas e um dia de gestação. Eles foram para uma consulta de rotina com o obstetra, e o médico, ciente do caso clínico do casal, sugeriu que poderiam ter o filho naquele dia ou esperar mais uma semana, pois não havia problema. Eles prontamente aceitaram fazer a cesárea no dia do aniversário de Michele. Era o melhor presente que ela poderia ter. Eles receberam o encaminhamento e fizeram a internação. Estavam ansiosos para comemorar e terem nos braços a vida que tanto batalharam para terem juntos.

No dia, o centro cirúrgico estava com muitas demandas. Eles tiveram que esperar ansiosos pela liberação e já estavam na dúvida se daria para fazer a cesárea no dia 24 ou se adiariam para o dia seguinte. Às 23h, Wanderson desceu para tomar um café e quando retornou foram chamados para a cirurgia. Diz com os olhos brilhando que Mikael nasceu às 23h54, “e o médico ainda brincou: quase que ele nasce amanhã!”.

Para Wanderson, a ficha demorou a cair. “A alegria foi muito grande”, diz. Quando perguntado sobre o que sentiu ao ver o rosto do filho pela primeira vez, o pai, todo sorridente, conta que não tem explicação. Diz que já reconhece semelhanças na sua aparência e na aparência da mãe. Atualmente, sua maior preocupação, enquanto pai, é o medo do filho ficar doente. Ele se emociona com o fato de poder chegar em casa e ver o filho bem, acordar ao lado dele e dormir junto. Conta feliz que está ansioso para ouvir o filho falar e que a sensação de ser pai é de renovação. É a descoberta de algo novo que faz parte do seu legado como pessoa.

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