Economia

Com aversão ao risco no exterior, Ibovespa cai e perde nível dos 100 mil pontos

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Quase dois meses depois de ter conquistado a até então inédita marca dos 100 mil pontos, o Índice Bovespa voltou a curvar-se ante a forte aversão ao risco no mercado internacional e perdeu esse suporte nesta quinta-feira. Em um ambiente de intensa volatilidade, o indicador chegou a subir até 0,75% pela manhã, mas perdeu sustentação e mergulhou até 2,05% à tarde. Ao final dos negócios, marcou 99.056,91 pontos, em queda de 1,20%.

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Desde 19 de junho, quando o Ibovespa vinha se sustentando acima dos 100 mil pontos, chegando a mais de 105 mil em 10 de julho. Desde esse pico, a turbulência do mercado internacional vem refreando o avanço do índice para além desse patamar, mesmo com o cenário doméstico mais favorável. De lá para cá, a queda do índice é de 6,39%.

As bolsas de Nova York foram a principal referência para o mercado brasileiro e tiveram desempenho igualmente volátil, em meio às diversas incertezas quanto à guerra comercial entre Estados Unidos e China e risco de desaceleração da economia global. A crise aberta nos mercados argentinos desde o resultado das prévias das eleições também esteve no radar por aqui.

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Em evento do Santander em São Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, minimizou as adversidades. Ele afirmou não ter nenhum receio de ser engolido pelo mercado internacional e que não teme o “balanceio” da economia argentina, nem a queda de um gigante lá fora. De acordo com o ministro, a guerra comercial não vai afetar o PIB brasileiro e poderia, no máximo, causar alterações cambiais.

Para Guilherme Macedo, sócio da Vokin Investimentos, Guedes “está no papel dele como ministro da Economia”, mas os riscos do mercado internacional são preocupantes. “Entendo que o Brasil vem promovendo avanços muito importantes e estou otimista com o país. Mas não somos uma ilha. A história mostra que nas crises internacionais o investidor estrangeiro não faz muita distinção entre os mercados emergentes na hora de reduzir a exposição ao risco”, disse.

Na avaliação de Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, a crise na Argentina é uma preocupação a mais para o mercado brasileiro, não tanto pelo impacto econômico potencial de uma crise econômica, mas justamente pelo risco de o investidor estrangeiro promover uma saída em bloco da América do Sul. “É um risco que tira o brilho do Brasil”, afirma.

Entre as quedas mais expressivas do dia ficaram os papéis de empresas ligadas a commodities, como Petrobras ON e PN (-2,21% e -2,77%), que acompanharam as perdas do petróleo nos futuros de Londres e Nova York. Vale ON (-2,21%) e siderúrgicas também deram o tom do temor de continuidade da guerra comercial e da desaceleração econômica global.

Paula Dias
Estadao Conteudo
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