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Volpi vê São Paulo com 'novo espírito' após chegadas de Daniel Alves e Juanfran

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O elenco do São Paulo está mais motivado para buscar o título do Campeonato Brasileiro. Não apenas pela sequência de três vitórias e um empate após a parada para a Copa América. Na visão de Tiago Volpi, um dos líderes do grupo, as chegadas de Daniel Alves e Juanfran deram “um novo espírito” para o time. Em entrevista exclusiva ao Estado, o goleiro de 28 anos contou como os reforços têm influenciado o ambiente tricolor.

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Volpi já teve a experiência de dividir o vestiário com outro destaque da seleção brasileira: em 2015, atuou ao lado de Ronaldinho Gaúcho no Querétaro, do México. O goleiro destacou que Daniel Alves ainda almeja títulos, enquanto o ex-meia estava em fase final da carreira. Em relação a Juanfran, Volpi é um dos principais companheiros do lateral espanhol por causa do idioma. Quando o gringo arrisca a falar português, a palavra “ganhar” quase sempre é ouvida. Confira a entrevista com o goleiro tricolor:

O que causou esse bom momento do São Paulo?

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É um momento bom, sabemos que não tivemos o melhor começo, mas as coisas começaram a caminhar. São três vitórias seguidas, dez pontos nos últimos 12 em disputa. Temos de manter isso, buscar ganhar com atitudes, não só com o pensamento de querer ganhar. É uma série de fatores, mas o que mais posso destacar é que a pausa da Copa América nos serviu para muitas coisas. Aprimoramos as partes física, técnica e tática, o Cuca tinha chegado e não teve tempo para trabalhar como queria, então pôde unir mais o grupo e colocar a ideia que queria. Estamos colhendo esses frutos agora. A pausa ajudou muito. Fizemos praticamente uma nova pré-temporada. Foi primordial para o São Paulo.

O que Cuca mais pediu para o elenco?

Primeiro que a gente corresse um pelo outro como uma família. E depois para ser uma equipe o mais intensa possível. O São Paulo tem qualidade dos jogadores e, se tiver essa intensidade de correr mais do que o rival, a gente ia ter uma grande surpresa na frente. Tratamos de fazer isso na pausa. Ele implementou isso de dar o nosso máximo a todo momento, deixar o melhor em campo, e acho que isso é o que tem mais refletido em campo. Teve essa conversa e o tempo para treinar que também foi muito importante.

Como tem sido o convívio com Daniel Alves e Juanfran?

O Daniel dispensa comentários por tudo que ganhou. Ele é muito mais do que só o jogador, a pessoa dele conta muito também. É admirado por todos, está todo mundo bem contente com ele. O Juanfran é igual: um cara que teve êxito na Europa, ficou por muitos anos em uma das maiores equipes do mundo que é o Atlético de Madrid e veio com o objetivo de ganhar. Dá para sentir um novo espírito. São caras que trazem uma energia diferente no dia a dia, foram vencedores. É muito nítido para quem está perto que são jogadores vencedores pelo fato de ver a hora que chegam e que saem do treino e como se preparam. Não são vencedores por acaso.

Você tem conversado mais com Juanfran por falar espanhol?

Em todo tempo que ele está conversando com a gente, as poucas palavras em português que ele arrisca são “eu quero ganhar”, “eu vim para ganhar”. Isso vai motivando qualquer um. Tenho conversado bastante com ele desde o primeiro dia, me aproximei bastante dele. Está contente com essa oportunidade, tem falado que está muito feliz. É normal por eu falar o idioma poder ter esse convívio com ele de uma maneira diferente do que os outros jogadores.

A presença do Daniel Alves lembra a de Ronaldinho Gaúcho no Querétaro?

São duas experiências que vão ficar marcadas na minha vida. A semelhança que eu vejo é que são dois caras tocados que têm um talento impressionante, e eu sou privilegiado de poder compartilhar o campo com os dois. Eles têm características diferentes, dentro e fora de campo. Talvez eu tenha pegado o Ronaldinho com um pensamento diferente do que é o do Daniel hoje. O Daniel ainda quer jogar por mais anos, almejar títulos, estar em mais uma Copa do Mundo, e o Ronaldinho estava em um processo de terminar a carreira.

Os reforços aumentam a pressão sobre o time?

A pressão sempre existe. Temos que ser conscientes e não podemos jogar a responsabilidade em cima de dois jogadores que chegaram agora. Tem que ser dividida por todos. Uma equipe como o São Paulo sempre vai ter a pressão pelo título. Mas estamos pensando dia a dia para no final do ano colher bons frutos.

A torcida está empolgada com a fase e com os reforços. O que isso influencia em campo?

Sabemos da força do Morumbi. Eu, quando tive oportunidade de jogar contra o São Paulo, via como era difícil, ainda mais com o estádio lotado. Temos de continuar nessa boa fase para continuar jogando com estádio cheio, com essa energia positiva. Quando o São Paulo está brigando pela parte de cima da tabela, é uma equipe muito respeitada por todos, e o torcedor é fundamental nesse processo. Quando estamos chegando perto do estádio e vemos os torcedores, a adrenalina já aumenta.

É seu melhor momento na carreira?

Fiquei muito tempo no México (2015-2018), tive momentos muito bons lá. No Brasil, hoje talvez seja o meu melhor momento. No México, fiquei mais tempo e ganhei títulos. Foram momentos diferentes, é difícil comparar. Minha volta ao São Paulo é um recomeço para muita gente que não me conhecia antes. Aqui tenho vivido meu melhor momento. Estou feliz, espero evoluir.

Pensa em seleção brasileira?

A seleção é sonho de qualquer jogador. Mas tenho pés no chão, sou tranquilo quanto a isso. Sei que o Tite estava no jogo, mas é melhor ser surpreendido do que criar expectativas e ficar decepcionado depois. Então, se acontecer, que bom. Se não acontecer, vou trabalhar para que esse sonho possa se tornar realidade.

Você chegou a ser criticado no início da temporada e deu a volta por cima. Acha que goleiro no São Paulo é mais pressionado por causa do Rogério Ceni?

Foi um começo não muito bom, bem irregular, e depois da fase final do Campeonato Paulista as coisas começaram a caminhar de uma maneira melhor, comecei a ter regularidade. O começo não foi fácil, é difícil quando as coisas não acontecem principalmente quando vêm as críticas. Mas as pessoas aqui do São Paulo me deram força e apostaram no meu trabalho. Seria fácil depois de dois erros dar oportunidade a outro goleiro. Acredito que o São Paulo é um clube diferente para a posição de goleiro. O Rogério foi e sempre vai ser o maior ídolo da história. Então essa sombra do Rogério sempre vai existir, mas não quero usar isso como uma pressão, e sim como motivação de poder fazer parte do clube no qual ele é ídolo.

Está emprestado pelo Querétaro até dezembro. O que pensa para o futuro?

Tenho contrato até dezembro, já externei para muitas pessoas que estou feliz e quero ficar, mas não depende só de mim. Tem a cláusula que dá ao São Paulo o direito da compra, mas, se não for exercida, eu tenho que voltar para o México. Meu desejo é ficar e vou fazer meu melhor para facilitar essa escolha do São Paulo. Ainda ninguém falou nada especificamente comigo, faltam quatro meses e o São Paulo tem essa preferência. Encaro com naturalidade.

Como é sua rotina na cidade de São Paulo?

É uma rotina muito tranquila, sou um cara bem tranquilo. Tenho uma filha de três anos e minha esposa está grávida de novo, agora vem um menino que vai nascer nos próximos dias. Até pela gravidez, estamos ainda mais “caseiros”. Estou ansioso, há uns dias sem dormir direito, mas sei que tudo vai ocorrer bem.

Como vê o atual momento político do Brasil?

Fiquei um tempo fora acompanhando de longe o que estava acontecendo. Era uma situação que não estava fácil. Houve uma mudança, e não vai ser do dia para a noite que as coisas vão melhorar. Leva tempo e fico esperançoso para que o Brasil possa ser uma referência. Temos muitas coisas boas aqui, poderíamos ser um país de primeiro mundo. Esperamos que as coisas possam virar para um caminho bom.

Guilherme Amaro
Estadao Conteudo
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