Economia

Bolsas de NY têm forte queda, após inversão da curva de Treasuries piorar cenário

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Os principais índices das bolsas de Nova York encerraram esta quarta-feira em baixa de cerca de 3%. Além de indicadores fracos pelo mundo, o sentimento de aversão a risco pesou mais fortemente sobre o pregão após a curva de juros dos Treasuries de 2 e 10 anos chegar a inverter algumas vezes durante a sessão. Dados macroeconômicos fracos na Europa e China também exerceram pressão sobre as bolsas nesta quarta-feira.

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O índice Dow Jones caiu 3,05% para 25.479,42 pontos, o Nasdaq recuou 3,02%, para 7.773,94 pontos, e o S&P 500 perdeu 2,93%, aos 2.840,60 pontos. O Nasdaq e o Dow Jones tiveram os piores fechamentos desde o início de junho e perderam as marcas psicológicas de 8 mil e 26 mil pontos, respectivamente.

Observada nos Estados Unidos e no Reino Unido, a inversão da curva de juros precedeu as últimas sete recessões globais e é considerada um alerta para os mercados. Analistas pontuam que a inversão, embora não seja uma garantia de recessão no futuro próximo, é um fator agravante no atual cenário econômico mundial.

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“Seria fácil ignorar o sinal da curva de juros se a economia global estivesse indo bem, mas este não é o caso”, avalia a diretora-executiva de câmbio do BK, Kathy Lien. Segundo Lien, a fraqueza do crescimento mundial já vinha sendo discutida por dirigentes de bancos centrais antes da inversão, e há outros fatores que podem contribuir para uma recessão, como a guerra comercial entre EUA e China, a saída do Reino Unido da União Europeia (o “Brexit”) e as crises na Itália e em Hong Kong.

O recuo do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha no segundo trimestre ante o primeiro e os sinais de enfraquecimento da indústria na China e na zona do euro também contribuíram para a deterioração do sentimento nos mercados, segundo análise do BBVA. “Dados econômicos fracos na Alemanha e na China renovaram as preocupações de investidores com o crescimento mundial”, escreve o analista Vitor Sun Zou, do BBVA.

Todos os subíndices do S&P 500 fecharam no negativo. As perdas foram encabeçadas pelo setor de energia, que viu ExxonMobil (-4,03%), Chevron (-3,80%) e Chesapeake (-6,90%) despencarem com os preços do petróleo.

O setor de finanças registrou baixas como Citi (-5,28%), JPMorgan (-4,15%) e Wells Fargo (-4,33%), também de olho nos Treasuries. O segmento de tecnologia também foi baqueado pela aversão a risco, com perdas como Apple (-2,98%), Microsoft (-3,01%) e IBM (-3,34%). Das 500 empresas que compõem o S&P 500, somente três encerraram a sessão no positivo.

Bruno Caniato
Estadao Conteudo
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