Economia

Juros: DIs avançam com dólar e ambiente externo em pregão de liquidez reduzida

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Depois de passarem a primeira etapa de negócios com oscilações modestas, próximas à estabilidade, as taxas dos principais contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) ganharam força à tarde e encerraram o pregão regular desta terça-feira, 16, em alta, sobretudo entre os contratos mais longos. Segundo operadores, com a paralisação das negociações em torno da reforma da Previdência, investidores se apoiaram na alta do dólar e em uma piora do ambiente externo para emergentes no exterior para realizar lucros e calibrar apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no fim deste mês (dias 30 e 31). Como ontem, a liquidez foi reduzida em comparação com a semana passada, o que sugere que as altas recentes refletem mais ajustes de posições que mudança de percepção por parte dos agentes.

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Nas mesas de renda fixa, está firmada a crença de que a reforma da Previdência será aprovada sem dificuldades em segundo turno na Câmara e que não haverá grande desidratação no Senado. É vista com bons olhos a possibilidade de uma PEC paralela no Senado para inclusão de Estados e municípios. O adiamento da votação, contudo, “traz um pouco de incerteza e gera um ruído, porque atrasa também a perspectiva de novas medidas de estímulo à economia”, segundo um experiente operador de renda fixa, para quem o mercado tende a ficar “de lado”, com ajustes pontuais motivados pelo ambiente externo.

Lá fora, o dia foi de diminuição do apetite por risco, com valorização global do dólar, o que contribuiu para aumentar os prêmios de risco de emergentes. Dados fortes do varejo dos EUA e declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco Central americano), Jerome Powell, esvaziaram as apostas de que um corte de 0,50 ponto porcentual da taxa básica americana – hoje entre 2,25% e 2,50% -, levando a uma alta das taxas dos Treasuries.

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Entre as taxas mais longas, mais ligadas à percepção de risco e mais suscetíveis ao cenário externo, a do DI para janeiro de 2025 atingiu 6,97% na máxima e fechou a 6,96%, ante 6,87% no ajuste de ontem. Já a taxa para janeiro de 2023 avançou de 6,32% para 6,37%.

Para Rodrigo Frachini, estrategista da Monte Bravo, o movimento de alta, sobretudo das taxas longas, representa um movimento natural de recomposição de prêmios, depois da queda expressiva antes da aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno no plenário da Câmara. Segundo o estrategista, investidores que esperavam aprovação da Previdência em dois turnos na Câmara antes do recesso parlamentar estão zerando posições prefixadas, o que dá fôlego as taxas. “Essa alta dos juros é um movimento de correção. Essa tendência de recomposição de prêmios tende a permanecer nos próximos dias, mas de uma maneira gradual e bem tranquila”, diz Frachini.

Entre as taxas curtas, os movimentos foram um pouco mais modestos. O DI para janeiro de 2021 terminou o dia praticamente estável (5,57%, ante 5,76% ontem). Já o contrato para janeiro de 2020 – veículo principal para apostas em relação ao destino neste ano – subiu de 5,719% para 5,725% – com investidores refinando as apostas para a decisão do Copom.

Segundo cálculos da gestora de recursos Quantitas, houve um aumento marginal nas chances de que a Selic seja reduzida em 0,25 ponto porcentual, para 6,25% ao ano, neste mês (de 57% ontem para 59% hoje). Grosso modo, o mercado segue dividido entre um corte inicial de 0,25 ponto e uma redução de 0,50 ponto.

Antonio Perez
Estadao Conteudo
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