Aqui nos bairros

Saiba como surgiu o bairro Zumbi, o mais populoso do Sul do Espírito Santo

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“No início era tudo mato, as pessoas andavam por trilhas e poucas casas ou estabelecimentos existiam na região”. Assim retratou Niecina Ferreira de Paula Silva, a Dona Isolina, personalidade do bairro Zumbi, em Cachoeiro de Itapemirim, responsável pelo Centro Espírita “Menino Jesus” e referência para a pesquisa sobre a cultura popular da cidade.

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Há 47 anos residente no bairro, Dona Isolina conta que quando chegou ao local existia apenas um “colégio de caixote”. As paredes eram feitas de caixotes de madeira e poucas casas. Após cinco ou seis anos começaram a surgir novas residências. “Não tinha rua, era tudo feito por trilhos onde as pessoas passavam. Dezoito anos depois surgiram os estabelecimentos e as casas na região”, relembra.

Foto: Dona Isolina / Crédito: Guilherme Gomes

Sobre a formação do Zumbi, Isolina assegura que a origem partiu do ex-prefeito de Cachoeiro (1963 a 1967) Abel Santana, pai do médico e vice-prefeito de Cachoeiro, Abel Santana Junior e a sua família. Junto ao ex-vereador Juarez Tavares Mata, considerado o gerente neste processo, começaram a distribuir lotes sem planejamento. Os terrenos eram doados. “Juarez ia lá e riscava a quantidade de terra e dizia: “faz sua casa aí” – e foi fazendo assim de modo muito natural”, relata um documentário feito sobre o bairro.

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O bairro foi nomeado Zumbi pela concentração de famílias que tinham uma base negra. Isolina conta uma história retratando que no local tinha um homem apelidado de Zumbi. Era um escravo que tinha vindo da África e morava no bairro, onde era visto constantemente andando pelas trilhas todas as noites, daí muitas pessoas acreditam que o nome do bairro se deu por conta desse personagem.

Isolina relata as dificuldades enfrentadas e conta, ainda, que na época em que se instalou na comunidade não havia água tratada. A lenha era buscada em uma serraria no bairro Nova Brasília, as roupas lavadas em um lago no Campo Leopoldina e assim os moradores viviam suas vidas. “As pessoas botam dificuldade em tudo. Hoje, o Zumbi se tornou uma cidade, com facilidade para encontrar tudo que precisamos. Naquela época saíamos em grupos de cinco ou seis mulheres para pegar lenha ou lavar roupa em bairros distintos”, lembra.

O bairro sofre uma discriminação devido a fama de violento, porém ela conta que as dificuldades do Zumbi são as mesmas dos outros bairros, por isso, Dona Isolina busca na religiosidade a educação familiar para crianças, adolescentes e adultos.

“As crianças não recebem a palavra da educação da família, conhecida como base, ficam muito livres. Começou comigo para unir de forma religiosa a comunidade, eu não tenho religião, eu tenho fé. Eu sou bem chegada na crente, na católica e onde não tem fé em nada. O espaço da minha casa também é de todos”, finaliza Isolina.

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