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Folia de Reis “Estrela do Mar”: um sinal de resistência

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Foto: Guilherme Gomes
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Eles usam fantasias coloridas, tocam músicas típicas com temáticas religiosas em diversos instrumentos, como violas, reco-reco, acordeões, sanfonas, entre outros, e dançam. Ao longo dos seus mais de 60 anos de existência, a Folia de Reis “Estrela do Mar” tem sido um sinal de resistência cultural e artística, no bairro Zumbi.

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Estrela do Mar foi criado em Muqui, em 1960, pelo Mestre João Inácio. Ele é uma das maiores referências do grupo e um dos mais importantes mestres do Espírito Santo. O grupo vem preservando e transmitindo os ensinamentos, cantorias, poemas, versos e danças da arte da folia para as novas gerações desde 2009, quando João Inácio faleceu. Rogério Vieira Machado, popularmente conhecido com Mestre Rogério, foi preparado para dar seguimento a tradição cultural.

Instituição importante para a preservação da cultura popular tradicional, o grupo “Estrela do Mar” é o maior de Cachoeiro e conta hoje com mais de 40 integrantes, entre personagens antigos, crianças e jovens aprendizes da arte. “Primeiro de tudo, é importante para si próprio. Iniciei tocando reis com oito anos, dentro da Folia Estrela D’alva, do irmão do meu pai, que funcionava neste mesmo local. Ele faleceu e eu cheguei a sair com ele umas quatro vezes, mas estou com a Folia “Estrela do Mar” desde 1985 e pretendo continuar”, conta Mestre Rogério.

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A devoção aos Reis Magos tem início no dia 24 de dezembro em ritual que dura até o dia 6 de janeiro, data em que é considerado o encontro dos três reis com o menino Jesus. O grupo dá início as comemorações às 23h30 e vai desde o Otton Marins até o bairro IBC. Nos sábados seguintes, o grupo visita distritos e municípios vizinhos como Castelinho, Pedra Branca, Vila Maria, Atílio Vivácqua e Muqui.

“É necessário ter uma liderança, firmeza e com o passar dos tempos as pessoas vão se apegando e a cultura passa a fazer parte do dia a dia. Nós temos o costume de fazer um ensaio mensal e com a aproximação da data nós passamos a fazer dois ensaios: um no domingos e outro na quarta-feira”, explica o mestre.

Mestre Rogério relata que a maior dificuldade é referente a verba para realizar os investimentos da Folia de Reis. Ele detalha que os materiais para confecção de novas coroas, máscaras de palhaço (feita em couro), calça cumprida e tênis para incentivar os foliões acabam pesando no orçamento.

“O pessoal da Secretaria Municipal de Cultura se preocupa muito com a gente e toda essa questão do repasse para não deixar morrer a cultura da Folia de Reis. Levar o conhecimento para as nossas crianças é o que nós precisamos, transpassar essa cultura. Hoje em dia temos uma visão da religiosidade diferenciada, sabemos com muito respeito, amor e carinho, pois essa é uma raiz que os antepassados nos deixaram. Nós queremos crescer mais”, conta Rogério.

O encerramento da Folia de Reis também é festejado pelo grupo com muita alegria e união. É realizada uma festa, com comes e bebes, durante todo o dia. No ano passado, cerca de 300 pessoas compareceram e a Folia “Estrela do Mar” prospecta o deste ano com a participação de ao menos cinco folias na comemoração.

 

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