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O chapéu volta a fazer a cabeça dos paulistanos

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Ninguém é anônimo de chapéu. Talvez por isso o acessório faça (e esteja) na cabeça dos profissionais mais “aparecidos”. Pode reparar: bartenders, fotógrafos, tatuadores e artistas em geral estão entre os principais usuários dessa peça que, sim, ressuscitou mais uma vez. “Meu pai sempre me disse que chapéu não é algo que a gente ganhe, mas é algo que você mesmo precisa escolher e comprar. É o espelho da nossa própria personalidade”, contou o bartender Laércio Silva Zulu, 31 anos, um dos mais reconhecíveis na noite de São Paulo.

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A “volta do chapéu” pode ser atestada na rua do Seminário, no centro da cidade – uma rua que está para o chapéu como a Teodoro Sampaio está para os móveis ou para os instrumentos musicais. Lá, duas lojas clássicas sobrevivem, principalmente, da venda do acessório. Em uma tarde de quarta-feira, o movimento ininterrupto de clientes da A Esquina Chapelaria (84 anos de existência) e da Chapelaria Ópera (55 anos de vida) mostram a vitalidade do produto (a mesma rua já teve uma terceira loja, a El Sombrero, que fechou em 2013 e não teve tempo de aproveitar esse ‘revival’).

Luciano e Luiza Kirszenworcel, proprietários da Esquina Chapelaria, enumeram os motivos para o chapéu nunca ter saído, de fato, da cabeça das pessoas. “Sempre tem um artista puxando essa moda. Pra não ir muito longe, teve o Tom Jobim, o Michael Jackson, o Justin Timberlake e, mais recentemente, os astros da música sertaneja e do pop”, conta Luiza. “A gente também tem um público que cresce no frio, mas que também é grande no calor – porque compra chapéus preparados para a proteção contra os raios UV (raios ultravioleta). Também temos clientes que passam por tratamentos contra o câncer e se sentem bem usando chapéu”, completou Luciano.

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Aliás, Luiza mostrou à reportagem o Instagram da loja – repleto de artistas e clientes. Entre eles, nomes tão diferentes como Tony Tornado, Marília Mendonça, Mano Brown e… o filósofo Leandro Karnal! Karnal, é você mesmo? “Sim, sempre gostei de chapéus. Toda roupa e todo acessório tem função protetiva e função simbólica. O chapéu protege do sol ou do frio, especial mente simpático para carecas como eu, mas implica um sinal de certa distinção estética”, disse.

O universo do chapéu é bastante vasto. Hoje, o chapéu Panamá está em alta, a linha de boinas também faz sucesso (principalmente as de estilo londrino). Não saem de moda, o chapéu estilo Indiana Jones e o clássico chapéu de caubói. Os chapéus femininos também voltaram – principalmente o estilo Donna (muito presentes em editoriais de moda). Os preços variam de acordo com a qualidade do material usado, normalmente flutuam entre os R$ 50 e os R$ 500.

Perto de A Esquina, está a Chapelaria Ópera, capitaneada e criada por José Miguel Jorge, 83 anos. Ele fala com paixão sobre a confecção de seus modelos e a procura dos jovens por eles. “Depois que uma pessoa experimenta, ela entende que o chapéu cai bem. Só de olhar, eu já sei que tipo de chapéu que cada tipo de pessoa deve usar”, disse. Os serviços de Miguel para a chapelaria nacional são enormes. Ele, por exemplo, foi o responsável por criar o chapéu usado ‘Ad Aeternum’ por Genival Lacerda; e por sugerir que Waldick Soriano atirasse seu chapéu ao público depois da cada apresentação.

Na Rua Augusta também é possível encontrar um clássico reduto chapeleiro, o Plas. A loja foi fundada em 1954 pelo franco-belga Maurice Plas (falecido em 2015). Desde o início, a loja foi reconhecida pela alfaiataria de primeira, com destaque para os coletes, gravatas, ternos, calças e, principalmente, pelos chapéus de qualidade.

Hoje, a loja continua no mesmo endereço e com uma clientela renovada e exigente. Os donos são os filhos de Plas, Maurice Plas, 52 anos; e Robert Plas, 54 anos. Maurice (que usa o mesmo nome do pai) é quem cuida do atendimento; já Robert é o responsável pela alfaiataria. “Nossos chapéus e boinas são artesanais. Alguns clientes, inclusive, trazem seus próprios tecidos para a nossa confecção”, conta Robert. Para os irmãos, a volta do chapéu não é uma novidade. “Cada vez mais, as pessoas estão procurando uma identidade. O chapéu empresta essa identidade, personalidade e alma para quem usa”, completou Maurice.

Endereços:

A Esquina Chapelaria

R. do Seminário, 131-135 – Centro Histórico de São Paulo

Ópera Chapelaria

R. do Seminário, 181/185 – Centro Histórico de São Paulo

Plas

R. Augusta, 724 – Consolação

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gilberto Amendola
Estadao Conteudo
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