Economia

Anchieta: a cidade do empreendedorismo

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Neste especial, o AQUINOTICIAS.COM mostra como, num curto espaço de tempo, o município de Anchieta superou dívida de mais de R$ 100 milhões, equilibrou as contas públicas, atraiu empresas e fortaleceu o empreendedorismo da cidade, que conquistou diversos prêmios de eficiência em gestão.

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Anchieta teve um grande impacto em sua economia a partir de 2015, quando a Samarco, maior empresa e geradora de impostos e empregos da cidade, paralisou suas atividades por conta do rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais. A cidade teve que aprender a andar com as “próprias pernas”. A expectativa é que a mineradora volte a operar em 2020, após conseguir todas as licenças ambientais.

O município do ES que mais sofreu com a paralisação da Samarco é o que mais emprega e incentiva o surgimento das micro e pequenas empresas

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Uma das ações para enfrentar e reerguer a situação econômica do município de Anchieta foi, como muitos dizem “andar com as próprias pernas”. No contexto da cidade nos últimos anos isso significava seguir em frente para superar a dependência da empresa Samarco, ora paralisada, e equilibrar as contas públicas. Uma das armas utilizadas nessa empreitada foi e é o empreendedorismo.

“O empreendedorismo virou um mantra no município”, adianta Marcos Kneip, Secretário Municipal de Integração, Desenvolvimento e Gestão de Recursos (SIDGER), que gerencia e acompanha de perto as ações que visam reerguer o município socioeconomicamente. O Programa ‘Anchieta Criativa e Empreendedora” (PACE), lançado no final de 2017, já colhe os primeiros resultados e o principal reflexo é o otimismo de empreendedores e empresários do município. Recentemente ganhou o prêmio do SEBRAE-ES de Prefeito Empreendedor na categoria Políticas Públicas para o Desenvolvimento de Pequenos Negócios.

Ao todo, o Programa engloba 10 projetos, já tendo desenvolvido mais de 110 ações, entre elas, criação de leis para estimular o empreendedorismo, gerar novas fontes de emprego, desburocratizar o serviço público, aplicativo, implantar ações de fomento a geração de renda, criação de incentivos e construir novas formas de arrecadação.

“O nosso cenário em 2016, era um cenário ‘sem horizontes’ na área do empreendedorismo, principalmente devido ao fechamento da Samarco, que atingiu a cidade de duas formas. Uma foi a queda da arrecadação, e outra a questão do fechamento de diversas micro, pequenas e médias empresas que prestavam serviços a própria Samarco. O clima não era bom e a dependência se tornou visível”, lembra Kneip.

Diante desse contexto, a atual administração iniciou o mandato com metas e objetivos claros. “Quando o prefeito fez o convite para eu assumir a SIDGER, a orientação foi: vamos diversificar a economia, fomentar o empreendedorismo e gerar emprego e renda. Cada vez mais, há um entendimento comum no mundo de que nós geraremos os nossos próprios empregos. Não se enganem. Quando a Samarco voltar será em outro nível, diferente do que era anteriormente”, salienta o secretário.

Segundo Marcos, o PACE é estruturado, aliando projetos para criar um bom ambiente de negócios, com condições e incentivos para o empreendedor. “Já estamos trabalhando na 2ª Fase do PACE com novos projetos e ações voltadas para o desenvolvimento dos nossos empreendedores. Ainda há muito por fazer, em especial no empreendedorismo da terceira idade, jovens e das mulheres”, completa Kneip.

Mesmo diante de todas as dificuldades, a cidade de Anchieta é nota A junto ao Tesouro Nacional e no Estado é o que mais investe em Saúde por habitante e a terceira prefeitura que mais investe em Educação, por aluno, em números absolutos.

Captação de recursos

A Administração de Anchieta também tem trabalhado para garantir condições de captação de recursos. Em três anos, houve um aumento exponencial. Na gestão passada, em 2016, foi captado R$ 200 mil; já em 2017, R$ 2,4 milhões; e em 2018, R$ 14,5 milhões.

“No PACE temos o Projeto ‘Mais Recursos’. Estruturamos o escritório de captação de recursos e capacitamos os servidores. Foi criado, nas diversas secretarias, a figura dos Agentes de Captação de Recursos para viabilizar cada vez mais projetos em todas as áreas. Mesmo com queda na arrecadação, a Prefeitura esta promovendo investimentos. A reformulação da Orla de Castelhanos, a construção da Escola de Iriri, o muro de contenção na Ponta de Castelhanos, a reforma da escola de Jabaquara, a construção da creche de Mãe-Bá, aquisições de veículos, dentre outros, é fruto de captação de recursos e convênios. Estamos falando de mais de R$ 14 milhões em investimentos, mesmo com toda a crise que estamos enfrentando”, ressaltou.

Sala do Empreendedor

Um dos grandes aliados de quem quer empreender no município de Anchieta é a Sala do Empreendedor, que recentemente recebeu o Prêmio “DIAMANTE” do SEBRAE, por ter sido considerada a melhor e mais completa sala do Estado juntamente com apenas mais dois municípios. No local, há servidores capacitados para auxiliar o empreendedor em suas demandas. O serviço também tem o objetivo de alavancar, dinamizar e desenvolver a economia do município e é fruto de parceria com o SEBRAE-ES.

“O empreendedor abre a empresa de baixo grau de risco e já sai com o alvará. Já pode trabalhar, já pode contratar inclusive e fazer suas aquisições, abrir conta, emitir nota fiscal e pegar crédito. Agradecemos muito ao SEBRAE que tem sido um grande parceiro”, detalha o secretário sobre algumas das facilidades.

Na Sala do Empreendedor também são tratadas questões de crédito, em uma parceria com o BANDES. A Sala de Anchieta também ganhou Prêmio “Ouro Elite” do BANDES em 2017 por ter feito mais empréstimos com menor taxa de inadimplência.

Outro serviço que a Sala de Anchieta disponibiliza é de apoio aos empreendedores que desejam fornecer para a Prefeitura. “Juntamente com o SEBRAE criamos todo um sistema de fortalecimento das compras públicas locais. Em 2016, Anchieta era a terceira cidade que mais vendia para a Prefeitura. Hoje, nós somos a primeira. Isso é mais dinheiro circulando na economia do município”, acrescenta o secretário.

Atualmente, a Sala do Empreendedor está localizada na Casa do Cidadão, mas em breve será transferida para o antigo Ginásio Municipal, ao lado da Prefeitura, que está passando por obras. No novo endereço, a Sala terá, além de todos os serviços já ofertados, uma incubadora acoplada e também auditório para palestras e capacitações.

“O empreendedorismo não é dom, é capacitação. Todos podemos! E a Prefeitura entrou pesadamente nisso. Hoje, estão envolvidos nesse trabalho mais de 100 servidores distribuídos em várias secretarias”, revela Marcos Kneip.

De acordo com o SEBRAE, as micro e pequenas empresas representam 98% das empresas do País e 60% dos empregos gerados no Brasil.

Aplicativo

Dentre as diversas ações da municipalidade, foi criado o “Anchieta em Rede”, um aplicativo que reúne informações de empreendimentos, comércios, pontos turísticos, serviços ao cidadão, serviços ao empreendedor e serviços do município. Com a ferramenta, turistas e moradores têm a cidade na palma da mão. Os donos de empreendimentos podem fazer o cadastro e participar do aplicativo gratuitamente.

O objetivo da ferramenta também é fazer com que o turista percorra todo o município. “Esse aplicativo também veio para isso, pois faz com que o turista circule nos pontos turísticos, nas nossas 23 praias e no interior, onde temos o empreendedorismo rural. Às vezes a pessoa chega em Iriri e não sabe que tem Ubu, Castelhanos, que temos o Rio Benevente com seu manguezal deslumbrante, o Circuito dos Imigrantes, o Santuário, o museu e as ruínas. Agora esta tudo na palma da mão”.

Empregos

Com todos esses esforços, os resultados já começam a ficar evidentes. Um deles é a geração de empregos no município. Indo na contramão nacional do aumento de desempregados, Anchieta é o município que mais emprega em sua microrregião, segundo dados do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged).

Até 2016, o saldo de emprego da cidade era negativo em 1,5 mil postos de trabalho. De 2017 até fevereiro deste ano o cenário mudou, passando o saldo para positivo em 560 empregados. Somente em Anchieta, em 2018, 350 empresas, micro e pequena, foram abertas.

“Quando a Samarco voltar, vamos ter uma sociedade muito mais competitiva. Passaram-se três anos, mas o comércio está sobrevivendo e empresas estão abrindo. Não estamos numa situação confortável, muito menos estamos com todos nosso problemas resolvidos. Afinal, a Samarco representava 6% do PIB do Estado. Mas, com certeza e com muita humildade, comparado do que era e perto de outros municípios, acho que conseguimos reagir bem e estamos dando alguns passos à frente. Não tem mágica, tem trabalho”, finaliza Kneip.

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