Economia

Juros fecham em baixa com atividade fraca e esforço do governo em dissipar ruídos

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A semana começou melhor para o mercado de juros, com taxas em queda firme ante os ajustes anteriores e moderada em relação aos níveis de fechamento da sessão estendida da sexta-feira, 17. O destaque voltou a ser a ponta longa, que havia sido a mais castigada pelo estresse do cenário político. Hoje, os prêmios acumulados nas últimas sessões atraíram fluxo doador, com base na avaliação de que a fraqueza da atividade traz conforto para montagem de posições aplicadas. O noticiário político também deu trégua. Os sinais de que o texto da reforma da Previdência a ser encaminhado pela Câmara deve preservar os principais pontos do projeto enviado pelo governo e de que a ideia não tem resistências por parte do Executivo trouxeram alívio.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 encerrou em 6,97%, de 7,052% no ajuste da sexta-feira e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 8,302% para 8,19%. A taxa do DI para janeiro de 2025 terminou em 8,79%, de 8,912%.

A percepção de que o crescimento do País este ano será pífio já pautava os negócios desde a abertura, com a leitura do Boletim Focus, e continuou amparando o recuo nas taxas ao longo do dia. A pesquisa mostrou que a mediana das expectativas para o PIB em 2019 recuou pela 12ª semana consecutiva e passou de 1,45% para 1,24%. Nesta tarde, o economista e ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore disse que a probabilidade é o PIB crescer 1% este ano, com chance maior de ser um pouco menos.

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Com isso, segue aquecido o debate sobre a necessidade de novas quedas da Selic para reanimar a economia, mas que ainda não se traduziu efetivamente na curva a termo, que segue precificando majoritariamente estabilidade para a taxa no fim do ano, com alguma chance até de alta – cerca de 18 pontos-base pelos cálculos da Quantitas. Para o ex-diretor do BC Sérgio Werlang, o Copom poderia baixar já o juro, defendendo dois cortes de 0,5 ponto, também em seminário no Rio.

Na avaliação de um gestor, as condições técnicas do mercado abriram uma janela de oportunidade para aplicar. Ele lembra que na sexta-feira o DI “era o pior mercado” e como as taxas subiram entre 30 e 40 pontos na semana, apareceram os doadores. “Com atividade fraca e sem inflação, é baixo o risco de ficar doado”, disse.

A percepção com o cenário político melhorou com as notícias do fim de semana e de hoje. Vários membros do Executivo e Legislativo, num esforço comum, tentaram desfazer os ruídos recentes e demonstrar que estão em sintonia quanto à Previdência. O relator da reforma Samuel Moreira (PSDB-SP) disse estar “trabalhando em cima do projeto que o governo enviou” para manter a economia fiscal de R$ 1,2 trilhão. O presidente Jair Bolsonaro disse que “não há briga entre os poderes, o que há é uma grande fofoca” e que “se a Câmara e Senado têm propostas melhores que a nossa, que ponham em votação”.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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