Agronegócio Regional

Páscoa: Incaper desenvolve tecnologia alternativa com a matéria-prima do chocolate

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Com a chegada da Páscoa, agradar o paladar com um chocolate de qualidade é essencial. Pensando nisso, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) desenvolve atualmente, na região norte do Estado, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), uma pesquisa sobre o cultivo do cacau a pleno sol. O estudo pretende aumentar produtividade e a visibilidade do cacau no Espírito Santo, em sistema alternativo de cultivo.

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Para isso, em 2018, foram implantadas lavouras de cacaueiros sob o sistema de cultivo alternativo a pleno sol, no Centro de Pesquisa, desenvolvimento e Inovação – Norte, na Fazenda Experimental do Incaper, no município de Linhares. Por lá são levantadas as características fitotécnicas e fitopatológicas de diferentes genótipos de cacaueiro em sistema alternativo de cultivo, para conhecer mais a fundo a sua adaptabilidade nessa região. A pesquisa é feita sob a coordenação do pesquisador e responsável pelo Laboratório de Fitopatologia do CPDI-Norte, Dr. Enilton Nascimento de Santana.

“O sistema do cacau a pleno sol já é uma realidade em outros Estados e no Espírito Santo. Ele permite ao agricultor uma segunda opção de cultivo de cacaueiro, pensando no aumento de produtividade, eficiência do manejo das pragas e doenças e maior diversidade genética de cacau para o agronegócio da cultura no Espírito Santo”, explicou Dr. Enilton Santana.

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A pesquisadora e gerente de Transferência de Tecnologia e Conhecimento do Incaper (GTTC), Sheila Prucoli Posse, salientou que “a produção, exploração, industrialização e comércio do cacau tem relação direta com a história e o desenvolvimento econômico do Brasil. Nesse sentido, as pesquisas feitas de forma integrada com as instituições parceiras, são fundamentais para se pensar não só nas necessidades da indústria, mas de todas as partes interessadas, como o trabalho do produtor rural, sustentabilidade e visibilidade do setor”.

A cacauicultura capixaba, na sua grande maioria, encontra-se localizada no entorno da Bacia do Baixo Rio Doce, região norte e noroeste capixaba, em cultivo sob a mata de cabruca, ou seja, sob árvores. Entretanto, nos últimos cinco anos, o cacau tem avançado em regiões acima do Rio Doce, com lavouras já em produção.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a área cultivada de cacau no Espírito Santo somente em 2015 foi de 23.549 hectares cultivados com a cultura, o que trouxe a uma produção estimada de 5.467 toneladas de amêndoas de cacau. Ainda, conforme dados divulgados pelo Instituto Jones do Santos Neves (IJSN), a produção de cacau no Espírito Santo cresceu 57,7%, referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) 2018.

De acordo com Dr. Enilton Santana, embora a cacauicultura cultivada no sistema de plantio sob cabruca tenha um forte apelo ambiental e de sustentabilidade, por outro lado propicia condições ideais para o desenvolvimento das principais doenças da cultura, como a “Vassoura de Bruxa” e a “Podridão Parda”.

Além dessas, existe também a mais recente e uma das mais devastadoras do cacaueiro em todo o mundo, a chamada “Monilíase”, que ainda não chegou no Brasil, mas já está nos países fronteiriços. “Entretanto a chegada dela pode causar prejuízos enormes principalmente em lavouras cultivadas em sistema de Cabruca (50 a 100% de perdas da produção), logo nosso projeto possibilitará melhores condições operacionais de controle da mesma. Todo cuidado é pouco”, explicou.

Ele esclarece que, as doenças que já chegaram no Brasil e no Espírito Santo inviabilizam seriamente a comercialização do cacau, comprometendo 70 a 80% de toda a sua produção, portanto o produtor de cacau em cabruca acaba ficando em situação delicada devido ao alto custo de controle dessas doenças. “O cultivo à pleno sol permite o manejo e o controle dessas doenças em um pequeno espaço de tempo para a pulverização, o que é um diferencial importantíssimo nesse sistema”.

Ele também informou que o agricultor tem maior possibilidade de mecanização agrícola, haja vista que no sistema cabruca, o custo com mão-de-obra é elevado, já que todas as atividades na cadeia produtiva do cacau são quase que exclusivamente braçais e a dificuldade de mecanização, nesse caso, inviabiliza o crescimento da cultura na região.

“O produtor poderá garantir a sua capacidade de manejar as doenças do cacaueiro em tempo suficiente para evitar as perdas. Além disso, é um sistema que fornece ao produtor um leque de escolhas no cultivo de cacau, clones mais precoces na produção dos frutos e variedades mais tolerantes às doenças e com excelente produtividade.”

O pesquisador garantiu que num futuro bem próximo, os cacauicultores capixabas poderão ter na agricultura uma certeza de maior renda para as suas famílias, visto que hoje sobrevivem com uma produtividade média de 15 arrobas por hectares tendo dificuldades para manejar bem as suas lavouras e passarão a ter uma produtividade maior que 100 arrobas por hectare.

Projeto no Edital FAPES Nº 06/2015

O projeto em questão, faz parte da Rede de pesquisa de fruticultura com a cultura do cacaueiro, que integra o Edital FAPES Nº 06/2015 de Pesquisa em Agropecuária no Espírito Santo (PPE), que  tem como objetivo estimular o maior número de Instituições de ensino e pesquisa localizadas no Estado do Espírito Santo, em participar do desenvolvimento econômico, social, ambiental, sustentável do estado, a partir de redes de Pesquisa, que terão resultados transformados em tecnologias e inovações aplicáveis por produtores de diversas culturas.

Mais informações sobre este projeto poderão ser acompanhadas durante o 2º Seminário Parcial de Acompanhamento e Desenvolvimento dos Projetos que terá como enfoque as “Tecnologias e Inovação como bases do desenvolvimento dos sistemas de produção sustentável da cacauicultura no Estado do Espírito Santo”.

O seminário será realizado no dia 06 de maio no Auditório da Fazenda Experimental do Incaper, em Linhares. Na ocasião, será feita a apresentação dos projetos que fazem parte do funcionamento da Rede de Pesquisa de Cacau.

Segundo o coordenador da rede, o pesquisador da Ceplac (Linhares), Carlos Alberto Spaggiari, a fruticultura é o terceiro setor mais importante do agronegócio capixaba, ficando atrás apenas do café e da celulose e responde por 18% do valor bruto da produção agropecuária do Espírito Santo. Ele também lembrou que a capacidade de geração de emprego e renda da atividade Fruticultura é destaque, não só no Espírito Santo, mas em todo o Brasil.

“Nesse sentido, a cacauicultura, presente em mais de 40 municípios do Estado, é uma atividade que se destaca há muitos anos como grande geradora de renda, empregos e exercendo papel fundamental na conservação ambiental, preservando muitas espécies da Mata Atlântica. Por este motivo, cada vez mais, busca-se reflexos positivos de natureza econômica, social e ambiental, para o setor e para todos os envolvidos”, explicou o pesquisador da Ceplac.

Outros dois projetos também serão apresentados na ocasião: “A Avaliação e Seleção de Genótipos de Cacaueiro para estudo da interação enxerto x porta enxerto e tolerância às doenças, visando a revitalização da cacauicultura do Espírito Santo”, do pesquisador Carlos Alberto Spaggiari Souza (Ceplac- Linhares) e “Caracterização Fisiológica de Genótipos do Cacaueiro visando ampliar a base genética para resistência à seca no Estado do Espírito Santo”, do pesquisador Marco Antônio Galeas Aguilar (Ceplac – Linhares).

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