Opinião

O CUSTO DAS ESTRADAS RUINS E A DUPLICAÇÃO DA BR 262

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Getty Images.
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Por Romeu Rodrigues

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Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados da Fundação Dom Cabral, 86% do transporte da carga brasileira, excluído o minério de ferro, que usa intensivamente as ferrovias, e o petróleo, que usa muito a cabotagem, é feito através de rodovias.

De acordo com a última pesquisa publicada pela Confederação Nacional do Transporte, 62% das rodovias brasileiras estavam em condição regular, ruim ou péssima em 2017. No Sudeste, destacam-se Minas Gerais e Espírito Santo com 70% e 68% das rodovias nessas condições, respectivamente. Em estado ruim e péssimo encontram-se 33% das estradas de Minas e 39% das do Espírito Santo.

Rodovias em mau estado significam maior número de acidentes, maiores custos de manutenção da frota, longos tempos de trânsito, resultando tudo isso em fretes mais caros.

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Se, num exemplo grosseiro, um caminhão pudesse trafegar numa estrada a uma velocidade média de 60 km/h, num percurso de 240 km, saindo às 8h, chegaria ao destino às 12h15, parando uma vez para o motorista esticar as pernas. Daria para ir e voltar no mesmo dia.

Se a velocidade média cai para 30 km/h, ele chegará às 17h30m, pois precisará parar para almoçar e terá que pernoitar. Serão três refeições, pernoite e a remuneração do motorista triplicada. Custos adicionais que serão pagos por alguém, provavelmente o consumidor ou o produtor.

Segundo a CNI, o Sudeste envia mais carga para o Nordeste e para o Norte, do que recebe dessas regiões. Sobe mais carga geral, que representa a carga industrializada, e descem majoritariamente granéis. Portanto, o Norte e o Nordeste são os mais penalizados por maiores custos de transporte das cargas industrializadas que precisam receber.

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Não é possível mais convivermos com rodovias que estão praticamente da mesma forma que foram implantadas nas décadas de 60 e 70. Traçados precisam ser retificados, pontes, viadutos e túneis construídos e sinalizações atualizadas.

Há trechos que necessitam não mais de duplicação, mas, sim, de triplicação. Isso só será possível com a concessão dessas estradas. O pedágio, ou parte dele, retornará à população na forma de menores custos de transporte e em número de vidas poupadas.

Nesse contexto, o Espírito Santo precisa defender a urgente concessão da BR 262, no seu trecho de Vitória a João Monlevade (MG), em conjunto com o trecho da BR 381 de João Monlevade a Belo Horizonte. A concessão conjunta permitirá a viabilidade econômica para que esses eixos possam ser duplicados.

O Governo Federal está disposto a isso, mas se o Estado não se mobilizar, pode perder o caminhão da história.

*Romeu Rodrigues é mestre em Engenharia de Produção, Consultor de Logística e Executivo do COINFRA/FINDES

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