Espírito Santo

No Dia da Mulher, ES não tem muito o que comemorar

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No Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje, não há muito o que comemorar com os inúmeros casos de violência doméstica registrados no Espírito Santo nos últimos dias. O caso mais recente, que chocou os capixabas, foi o da vendedora Jane Cherubim, 36 anos, brutalmente agredida, torturada e abandonada em uma rodovia em Dores do Rio Preto, na região do Caparaó.

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No Sul do ES, somente nos cinco dias de Carnaval, foram registradas 134 ocorrências de violência contra mulher.

Em 2018, 14.991 mil boletins de ocorrência foram registrados, todos de violência contra mulher. Foram pedidas 6.785 mil medidas protetivas, 7.068 inquéritos concluídos e 1.109 prisões em flagrante. Em 2017 o número foi menor, mas alarmante. Ao todo, foram registrados 14.395 ocorrências, ou seja, no ano seguinte, foram contabilizados 596 casos a mais.

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Jane Cherubim

A vendedora Jane saiu da choperia de um de seus irmãos, em Pedra Menina, localidade de Dores, acompanhada do namorado Jonas Amaral, 34 anos, por volta das 3h, da última segunda-feira. No percurso, foi espancada, torturada e abandonada por ele.

Cleiton Cherobin e seu irmão Salvador Cherobin passaram a procurar pela irmã, que foi encontrada em uma estrada na comunidade de Forquilha do Rio, próximo à entrada do Parque Nacional do Caparaó, em Dores do Rio Preto. Ela estava desacordada, com o rosto desfigurado, seminua e deitada em uma curva. A família acredita que Jonas tenha colocado a namorada naquela posição para simular um atropelamento, quando algum veículo passasse pelo local.

“Foi chocante, achei minha irmã praticamente morta, muito ensanguentada, uma situação muito difícil. Estamos transtornados. Conforme a ficha vai caindo, somos tomados por um sentimento de raiva, impotência e muita tristeza”, afirmou Salvador.

De acordo com Salvador, Jane ainda não sabe relatar com exatidão o que aconteceu, devido à gravidade dos ferimentos, mas ela consegue se lembrar de negar uma foto, no final do expediente ao namorado, já que trabalhava como freelancer na choperia, afirmando estar muito cansada. “Ao se negar a tirar a foto, ele [Jonas], disse ‘vamos embora então’, e levou minha irmã para uma estrada deserta, e ali começou a espancar e judiar dela [Jane]. Ela também se recorda de pedir muitas vezes para ele parar dizendo ‘Jonas para, assim você vai me matar’ e ele não parava de esmurrá-la”, contou.

Ainda de acordo com o irmão, Jane já havia comentado com a cunhada que não estava disposta a levar o relacionamento de pouco mais de um ano à frente devido as crises de ciúmes e possessividade de Jonas.

A Justiça expediu mandado de prisão provisória contra Jonas Amaral na última terça-feira. Ele se escondeu em uma mata, pouco depois do crime, e até o fechamento desta edição não havia sido localizado.

Casos de agressão

A cada dois segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil, e a cada 1,4 segundo uma mulher é vítima de assédio, segundo dados do Instituto Maria da Penha.

Em Cachoeiro, cerca de 40 novos inquéritos por violência doméstica são instaurados mensalmente na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), segundo a delegada titular, Edilma Oliveira. Estima-se que este número possa ser ainda maior, já que muitas mulheres não denunciam os casos de violência física e psicológica.

“Não se pode esperar até que aconteça”

“É preciso que a mulher denuncie logo no primeiro caso de violência, seja física ou uma ameaça. Não se pode esperar até que aconteça o pior. Tem que denunciar. É importante também as mulheres vítimas de violência procurar tratamento psicológico, para que tenha forças para se livrar dessa situação e seguir em frente”, disse a delegada Edilma Oliveira.

Outros Casos

Em janeiro deste ano, uma jovem, de 20 anos, foi morta a facadas, no Centro de Guaçuí. Débora Ester Faria Vieira teria se dessentindo com um homem, durante uma confraternização no dia anterior.

Já em fevereiro, outra jovem, de 25 anos, foi morta também a facadas pelo marido, de 52 anos. Nildilane Pereira Luiz foi assassinada dentro de casa, em Atílio Vivácqua. Ela deixou quatro filhos, entre 1 e 9 anos.

 

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