Emancipação política

A nova geração cultural de filhos ilustres da ‘Capital Secreta’

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Cachoeiro de Itapemirim sempre foi considerado um berço de artistas em todos os seguimentos culturais. A cada geração, novos filhos ilustres surgem no cenário se destacando na música, artes, literatura, artes cênicas, moda, dança, entre tantos outros.

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Repleto de criatividade, o mundo da moda tem grande poder de influenciar e exaltar a personalidade das pessoas. O empoderamento de uma vestimenta impacta a autoestima e também leva a reflexões sobre questões de grande importância na sociedade, como ecologia, urbanização e inclusão como vemos nas temáticas dos grandes desfiles da moda pelo mundo.

A estilista Isabela Macedo Barreto tem 25 anos e trabalha na área de moda há seis anos. Seu atelier está localizado no bairro Coronel Borges onde confecciona roupas sob medida e também aluga vestidos para festas.

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Ela conta que cursou por dois anos a faculdade de engenharia, mas por influência de sua mãe, que já havia montado um atelier, começou a fazer algo diferente, e então aos 19 anos foi para São Paulo fazer um curso de moda na maior escola do Brasil, a Sigbol Fashion, de onde voltou com mais criatividade para fazer roupas diferentes.

“Percebi o quanto eu gostava de criar vestidos diferentes por influência da minha mãe e fui me interessando mais e mais. Decidi procurar cursos, tranquei minha faculdade e fui fazer moda em São Paulo, fiz o curso e amei, desde então trabalho com moda e amo o que faço”, afirma a estilista.

Ela nos conta que desde então não se imagina trabalhando em outro ramo. A arte virou o seu trabalho. O diferencial do atelier de Isabela é oferecer serviços de criação, desenho e confecção de vestido sob medida. Ela não trabalha com marcas e todos os vestidos são produzidos no próprio atelier. Cada peça pronta é uma obra de arte com todos os bordados desenvolvidos manualmente e modelagem tridimensional.

“O mais complicado é achar e assumir seu caminho, quando descobri que era isso que eu amava, tudo ficou mais fácil. O ramo de festas tem crescido em todos os setores: vestidos, maquiagem, buffet e fotografias. Isso é ótimo, pois gera empregos, arrecadação de impostos e atrai pessoas de toda a região para contratar profissionais aqui da nossa cidade”, destaca Isabela.

O mercado de trabalho exige cada vez mais experiência do profissional. Estar atento a internet e se manter atualizado nas tendências do momento e essencial para o estilista. “Acompanho vários desfiles e publicações de vestidos de marcas conceituadas na moda festa nacional e internacional. As tendências mudam rapidamente e meu trabalho é conciliar a tendência com o estilo que as clientes pedem, que é a moda comercial”, explica a cachoeirense.

Isabela projeta um 2019 cheio de novidade e especializações, entre elas um curso de moda já programado para o mês de abril em Paris. “Tenho um curso de moda em Paris no mês que vem, entre outros. É sempre bom buscar conhecimento para o aperfeiçoamento, isso vale para todos os ramos. Ainda estou com projeto de vendas online para atender a demanda de clientes de outros estados”, finaliza a estilista.

Rudson Costa: referência em arte urbana em Cachoeiro

“Minha arte é mistura do dentro com o fora, do ontem com o agora, da fauna e a flora, da figura e o fundo a minha volta”, assim, Rudson Costa, o “Rudinho”, define um pouco da sua poesia retratada em traços, desenhos e pinturas.

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, o artista mudou-se para o Rio de Janeiro em 1999, quando tinha 18 anos para cursar Arquitetura. A mudança em sua vida veio a partir do momento em que conheceu o artista Lydio Bandeira de Mello e começou a tomar lições e trabalhar no seu atelier. Mas foi em 2007 que Rudinho decidiu presentear o mundo com suas artes urbanas, pintando postes no Leblon (RJ) em um projeto na semana do meio ambiente, em parceria com a WWF e o Restaurante Via7. “Nesse evento participei junto a outros artistas e tive o primeiro contato direto com a cena do grafite carioca, mas eu ainda não tinha utilizado a tinta em spray, fazia tudo com pincéis e rolos”, detalha.

Em 2014, já há dois anos na ‘Capital Secreta’, decidiu se arriscar no spray. Eram rabiscos em compensados e outras superfícies e até muro (do vizinho de um amigo), onde usou um de seus personagens, o “Salamalandros”, sob a temática da Copa do Mundo, interagindo com a vegetação e as lajotas aparentes do reboco descascado. Hoje, com 39 anos, Rudinho dá aulas de grafite em projetos de oficinas na rede pública municipal e estadual.

Suas obras costumam estar recheadas de referências diversas, sobretudo ícones da cultura cachoeirense, como seu projeto mais recente o mural em homenagem à Luz Del Fuego (Dora Vivácqua) na rua Rui Barbosa, em frente ao CIAC Raimundo Andrade. Um projeto contemplado pela Lei Rubem Braga de incentivo à cultura.

“O grafite é interessante porque te dá a oportunidade de colocar vários anos de história da arte numa mesma obra. A arte urbana é uma dimensão lúdico-expressiva necessária às massas e as minorias conduzindo seus olhares a outros níveis de percepção em seu dia-a-dia, alterando, mesmo que por alguns instantes, seu “estado de espírito”, sua rotina”, finaliza o artista.

Em planos futuros, Rudinho prospecta tirar do papel a sua exposição individual, intitulada “Vórtex” e exibi-la ainda este ano por salas e salões de artes visuais, além de continuar produzindo trabalhos que o instiguem a superar limitações e expandir suas fronteiras para o restante do mundo.

Espetáculo cachoeirense para os países de todo o mundo

Chile, Argentina, Uruguai, Colômbia, México, Portugal e Itália já foram agraciados com espetáculos teatrais do ator e diretor cachoeirense Luiz Carlos Cardoso que, no momento, se encontra dividido entre a produção cultural e os palcos com seu Grupo “Anônimos de Teatro”.

“Entre abril e maio, irei circular por cinco cidades do Estado com dois espetáculos: “A Culpa” e “Viajante”. Cachoeiro está entre essas cidades. Além disso, vou produzir espetáculos, núcleos de pesquisa e eventos cênicos-literários em Vitória e Cachoeiro através da minha produtora ‘Companhia do Outro’ ”, explica Luiz Carlos.

O ator teve seu primeiro contato com o teatro há 18 anos. Hoje é graduado em Comunicação Social, especialista em Arte e Cultura pela Universidade Cândido Mendes e em Gestão Cultural: Cultura, Desenvolvimento e Mercado pelo SENAC São Paulo, mas começou a se profissionalizar na área quando tinha 17 anos e, de lá pra cá, não parou mais.

“Na escola, tive contatos com jogos teatrais, brincadeiras que despertaram e desenvolveram minha criatividade. Encontrei diversos professores e diretores da cidade, sempre nos jogos, nas experimentações teatrais. Mas foi com Sara Passabon, na universidade, que mudei o ponto de vista do que é teatro. Passei a estudar, entender meu corpo como meio de comunicação e de expressão. Encontrei outros palcos, personagens e possibilidades, e em 2009 tirei meu registro profissional”, detalha o artista.

Aos 30 anos, ele afirma que o artista é atravessado por tudo e que busca inspiração desde uma conversa distraída com uma amiga, até lembranças de sua adolescência, compondo assim uma possível cena ou um projeto. Por isso ele afirma que a arte cênica é de extrema importância para a formação da personalidade de um indivíduo.

“Tudo inspira, tudo é referência. Para mim, um ator, um artista é atravessado por tudo. O que vivi na adolescência em Cachoeiro se mescla com as impressões de uma paisagem que vi no Sul da Itália e com a fala distraída de uma amiga com quem estive ontem. Pronto! Daí pode nascer uma cena, uma ideia, um projeto. Viver é inspiração”, completa o diretor.

Luiz Carlos traz em seu currículo uma experiência internacional. Ele morou por três meses no Chile, onde pode se apresentar em diversas cidades do país em festivais e intercâmbios com grupos locais. Além disso, levou espetáculos para palcos da Argentina, Uruguai, Colômbia, México, Portugal e Itália. No repertório: oficinas com atores locais, apresentação dos espetáculos “A Culpa” e “Arte Existência”, além da criação de um espetáculo bilíngue no México com um ator local, Leo Bautista, chamado “Vermelho”.

“O teatro lança uma lente de aumento através de personagens e uma narrativa e nos desequilibra. Tira a gente de uma zona de conforto e faz a gente ver o mundo sob novas óticas. É aí que criamos argumentos, justificativas e questões. O teatro é a arte que mais se aproxima da vida tal qual ela é. Não vejo maneira mais corajosa de se enxergar, entender a si mesmo, se não indo ao teatro”, finaliza Luiz Carlos.

“A ideia é continuar gravando discos e colocando música no ar”

A música é reconhecida como uma forma de expressão universal e é tida como elemento essencial para o indivíduo, proporcionando uma formação ética e moral. O ser humano, que possui em sua formação a música, torna-se um ser mais sensível ao mundo e a si mesmo.

Cachoeiro de Itapemirim é uma terra fértil nesse segmento, com músicos de altíssima qualidade e técnica, além de compositores que são reconhecidos com interpretações de artistas e cantores de relevância nacional.

Aos 48 anos, Aroldo Alli Sampaio está no roll de músicos da nova geração cultural de filhos ilustres da ‘Capital Secreta’. Com passagens em programas como Altas Horas e Jô Soares Onze e Meia, o guitarrista traz a mesma ideologia do seu primo Sérgio Sampaio: “compor, escrever, cantar e pôr música no ar”.

Aroldo iniciou no segmento aos 17 anos tocando contrabaixo. Naquela época teve que improvisar para começar a aprender. Pegou um violão, retirou duas cordas mais finas e usou o instrumento como contrabaixo. “Não havia muitas opções para nos ensinar a tocar. Tinha alguns colegas que tocavam e a gente ia pegando uma coisa com um, outra coisa com outro e ficava o dia inteiro praticando. Depois arrumei uma folha com escalas e, mesmo sem entender muito bem, ficava digitando aquilo ali no contrabaixo improvisado”, relembra.

Após comprar um contrabaixo, o músico formou uma banda chamada Corvus. Em seguida, trocou o baixo pela guitarra e, junto a Humberto Poubel e Douglas Gonçalvez, montou o grupo Moby Dick, que tocou por muitas casas de shows em Cachoeiro. O repertório era marcado 50% por covers de Led Zeppelin, Pink Floyd, entre outros, e outros 50% de canções autorais.

Desde então, Sampaio está sempre trabalhando em algum projeto. Atualmente ele prepara o seu nono disco “Instrumental – Vol.2”. Segundo o próprio artista, o trabalho não cessa e conta que o novo disco possui canções repletas de detalhes, que merecem ser escutadas no modo estéreo.

“Modéstia à parte, acho que é um dos melhores ou o melhor dos meus discos. Estou gostando bastante, são músicas mais ou menos na onda do “Instrumental – Vol.1” e no “Velho Vício de Sonhar”, com vários elementos acontecendo durante a música. Canções para serem ouvidas em estéreo. Ao mesmo tempo já estou pensando no próximo, gravando riffs e melodias”, diz o artista.

Sampaio ressalta a importância da música para a formação da personalidade das pessoas. Para ele é um assunto polêmico por se tratar de um tema muito complexo. “Como tudo, a música também é muito importante e as pessoas estão dando pouca importância para isso. Porque você leva o seu modo de vida de acordo com o que é relatado nas canções. Por isso penso que realmente influencia, entra na cultura da pessoa. Ela realmente acredita, pois canta e vive aquilo. O que acaba sendo o retrato de sua personalidade”, finaliza Aroldo.

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