Política Regional

Presidente mais jovem do Parlamento capixaba, Erick Musso fala de sua gestão e projetos

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Em entrevista ao diretor do Grupo Folha do Caparaó, Elias Carvalho, o deputado estadual Erick Musso (PRB), mais jovem a gerir uma assembleia legislativa no País, aos 29 anos, conta como foi sua primeira gestão como presidente do Parlamento capixaba, destaca as ações focadas na aproximação da Casa junto aos cidadãos e fala dos projetos futuros. Confira a entrevista!

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AQUINOTICIAS.COM. Qual foi o grande desafio dessa reeleição para presidente da Assembleia, nesse novo momento?

Erick Musso – O grande desafio nosso dessa reeleição foi essa divisão de equilíbrio de representatividade e força entre os eleitos que estavam chegando e os reeleitos nos seus mandatos. Nós tivemos uma mudança, uma renovação de 50% na nossa Assembleia. Eu acho que essa pacificação entre quem estava chegando e quem estava se mantendo no mandato foi o grande “X” dessa nossa reeleição, e graças a Deus nós conseguimos com muito diálogo, com entendimento de ambas as partes fazer esse entendimento. Montamos uma mesa que dos 7 componentes nós temos quatro novos e três reeleitos, tem eu na cabeça como reeleito, tem o vice-presidente como reeleito e tem o terceiro secretário como reeleito que é a deputada Raquel. E tem como segundo vice, o primeiro e o segundo secretário e o quarto como novos. Esse entendimento se expandiu, nós fizemos a montagem das comissões, 8 a 8, 8 novos, 8 reeleitos nas presidências. Eu acho que quando nós conseguimos equalizar esse entendimento de novos e reeleitos eu acho que aí nós conseguimos avançar.

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No mandato anterior o senhor deu uma sustentação política ao governo Paulo Hartung e agora o senhor está dando a governabilidade ao governo Renato Casagrande. A gente sabe que os dois, politicamente, são opositores ferrenhos hoje. Como conseguiu convergir essa questão de estar em um governo dando sustentabilidade e está em outro?

A Assembleia é um poder independente e quem está sentado na cadeira de presidente tem que ter equilíbrio, tem que ter muita calma, muita paciência, muita sabedoria para mantendo a independência do poder dar sustentabilidade, governabilidade, estabilidade política para que o governo possa avançar nas políticas públicas aos 78 municípios capixabas. O governador Paulo Hartung encerrou o seu mandato no dia 31 de dezembro de 2018 e o governador Renato Casagrande iniciou seu mandato dia primeiro de janeiro de 2019. A Assembleia será tocada no mesmo tom, no tom de estabilização, no tom de governabilidade, no tom de dar toda sustentação necessária que o governador Renato Casagrande precisa e necessitará para que ele possa avançar nas políticas públicas, no desenvolvimento social e econômico do Espírito Santo, que ele possa aplicar todo planejamento de governo dele de forma que Assembleia tenha participação efetiva no que tange ajudar o governo, claro, respeitando as diferenças dos deputados, os posicionamentos que terão, com certeza, absoluta, divergência de um ponto ou outro, e aí nós temos que respeitar o mandato de cada parlamentar, respeitando a independência do poder, mas tendo uma máxima que eu primo pela minha vida, é a terceira vez que eu presido um colegiado. Presidi a Câmara de Aracruz, presidi Assembleia no biênio passado e estou novamente à frente do Poder Legislativo Estadual. Quando o interesse público, o desenvolvimento social e econômico do Estado, o interesse de melhorar a vida das pessoas tiver colocado à mesa, toda e qualquer divergência político-partidário tem que ser deixada de lado e é nesse sentido que nós vamos conduzir Assembleia.

No primeiro biênio, como presidente, o senhor fez algumas mudanças significativas na Assembleia, as pessoas até falam que o presidente abriu o Legislativo para o povo capixaba. Explique um pouco como isso foi feito?

O mote nosso de trabalho era aproximar a Assembleia do cidadão capixaba. A gente sempre ouviu assim: “a Assembleia é a casa do povo, a casa do povo que não tinha utilidade para o povo e muito menos era usada pela população”. Eu coloquei como meta que nós precisaríamos criar ferramentas de aproximação da sociedade com a Casa e que a Casa pudesse oferecer em serviços, em ferramentas a serem utilizadas pelas pessoas, coisas palpáveis, e aí nós colocamos o Procon de pé, Procuradoria da Mulher que atende mulheres vítimas de violência familiar e doméstica, instalamos uma Delegacia do Consumidor aqui dentro, nós tiramos toda estrutura da Polícia Civil, da onde era, e colocamos aqui dentro, com delegado, escrivão, com todo sistema de polícia. Nós colocamos um posto de identificação que hoje emite identidade de forma gratuita para a população, e agora vamos ampliar o serviço. Temos um centro de memória, uma biblioteca, criamos um espaço cidadão da Assembleia, integramos um sistema Wi-Fi. A Assembleia hoje conta com internet disponível aos visitantes e servidores, e aí nós criamos esse complexo de serviço. E agora o que fazer? ampliar isso neste segundo biênio, acoplar a identidade e emissão de carteira de trabalho e CPF, a Defensoria Pública a partir de semana que vem já entra em operação para ajudar na sustentação da Procuradoria da Mulher. O Espírito Santo tem um ranking horrível de feminicídio e a Casa tem que dar sua contribuição. Nós vamos instalar aqui dentro uma Vara de Conciliação, nós vamos trazer para dentro da estrutura da Assembleia Legislativa o Poder Judiciário, a gente começa acomodar serviços.

O senhor é muito novo, com idade até anormal dentro da política capixaba, já que a gente viu dos últimos presidentes pessoas sempre com um pouco mais de idade. Qual o conselho o senhor daria para quem pretende entrar na política e disputar uma eleição?

Eu tô com 31 anos de idade, no segundo mandato de deputado e no segundo mandato de presidente da Assembleia, eu fui eleito como deputado com 27 anos e ao 29 como presidente da Assembleia. Aos 29 anos fui o presidente mais novo da Casa e mais novo do Brasil. Eu acredito na política, a política é a única ferramenta e das mais poderosas ferramentas que nós temos para melhorar e transformar a vida das pessoas, então assim, as pessoas só têm aversão. Se você tira a política da vida da sociedade você está tirando o caminhão que recolhe o seu lixo, o poste vai apagar, a polícia vai sair da rua… Tudo isso está sobre a estrutura política. O que nós precisamos são de pessoas corretas, que queiram fazer o bem comum, nos lugares certos. Aquelas pessoas que querem ingressar, ingressem, não desistam dos sonhos, pois essa é uma ferramenta civilizatória de transformação, e a gente precisa das boas pessoas na política. O meu saudoso avô dizia assim: “olha, se os bons não entrarem nós vamos ser governados pelos que querem o mal”. A gente precisa que as pessoas se interessem, que busquem. Eu já fui vereador, o vereador é aquele para-choque, aquele ponta de lança, está lá na ponta em contato com a sociedade… Que se interessem, e o eleitor também, o eleitor tem um papel importante. A última pesquisa que eu li nós tínhamos 82% das pessoas que não lembravam em quais candidatos tinham votado na última eleição. Isso não pode acontecer, o papel é de voltar e de fiscalizar o seu voto e de se interessar e de movimentar para ajudar. Eu sou o entusiasta, a política do Espírito Santo vai passar por uma mudança de geração e eu venho falando isso há dois anos. Ela passou um pedaço, agora e ela vai acabar de passar, eu acredito que nos próximos 4 ou 5 anos… e aí sim, precisa ter pessoas bem posicionadas para assumir lugares importantes no nosso Estado.

Nós tivemos uma eleição que foi de transformação profunda, onde houve uma mudança grande dos atores políticos, tanto na questão do Legislativo Estadual, Federal e principalmente no Senado. Qual a sua expectativa para o Governo do Estado e Federal?

A expectativa é ótima! Não é um sentimento somente emocional é com racionalidade. O Governo do Estado hoje tem a capacidade e tem a grata satisfação de ser o único no País com nota “A”. Mas isso não nos dá o sentimento de frouxidão, de dizer que o cinto está afrouxado porque qualquer situação que tenha de erro pode nos inviabilizar, por isso que eu quero, inclusive, nessa oportunidade, parabenizar o governador Renato Casagrande que tem sido cauteloso, tanto nas falas, quanto nas atitudes. Nós vamos encarar um ano difícil, temos que ter calma, não podemos gerar expectativa e frustrar as expectativas porque nós precisamos esperar que a economia do Brasil se estabilize. Mas o que nos dá energia no Espírito Santo é o sentimento de que tem tudo para bombar, vamos dizer assim, porque o ES quando começar entrar dinheiro para investimentos não terá que pagar dívidas, diferente do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul que na hora que entrar os primeiros R$ 10,00 terão que pagar atrasados. O ES não, o que entrar é para olhar para frente, é presente e futuro. E o Brasil? O Brasil tem que nos ajudar, as reformas têm que acontecer, nós temos duas reformas, na minha visão, em curso e tem a terceira que é reforma política. Nessa ordem de escalonamento: a primeira é da Previdência, a segunda é a Tributária e a terceira é a Política. Mas eu acho que a primeira acontecendo, que é Reforma da Previdência, ela tapa o gargalo do meio pro fim, mas nós temos uma questão que nós precisamos resolver que é a geração de emprego e renda. A reforma da Previdência ela estanca o fim, mas e o início? Gerar emprego! Não tem jeito, nós temos 12 milhões de desempregados. Tem que atrair novos investimentos, os empreendimentos, os empreendedores… tem que dar energia para essas pessoas crescerem. Hoje se a sua empresa tem 100, a gente tem que botar energia para ter 150, para ter 200 colaboradores, e assim por diante pelo Brasil afora. Se a gente diminuir em 50% o desemprego no Brasil, a gente criar 5, 6 milhões, diminuir essa carga de desempregados, a gente resolve o início. E, estancando o fim, com a reforma da Previdência a gente estabiliza isso. Eu acho que são os dois pilares principais do governo central, é fazer reforma da Previdência, é estancar essa sangria do meio para o fim da atividade de trabalho do cidadão brasileiro da cidadã brasileira, mas nós precisamos pensar ferramentas de diminuir esse número de desemprego no nosso País.

Eu acho que o Congresso deu uma resposta nas eleições agora da Mesa Diretora que são líderes de pautas reformistas, isso é importante para o Brasil, e se nós não tivéssemos esse foco não teria como haver mudanças e o Espírito Santo tem que ficar, na minha visão, cauteloso, parado aguardando essa estabilização, porque nós vamos sair na frente com certeza.

O senhor falou que a Assembleia é a casa do cidadão capixaba, só que o cidadão capixaba está no interior, e o interior é longe. Qual o formato que o presidente pensa para aproximar o Legislativo do cidadão do interior?

Nós já fizemos duas ou três experiências ano passado, nós levamos os serviços daqui para João Neiva, depois levamos para Barra do Riacho, em Aracruz, e eu levei os serviços daqui para Linhares a modo teste. Quando nós tivermos tudo organizado, a minha ideia é que possamos fazer mutirões e levar esses serviços ao interior, fazer parceria com as prefeituras. Nós firmamos uma parceria na semana passada com a Associação das Câmaras Municipais do Espírito Santo (Ascames), que tem várias câmeras, nós estamos à Casa do Vereador, a Escola do Legislativa, que é uma escola que foi a primeira do País, isso é importante ressaltar, com inclusão social, nós criamos uma cartilha em braile, agora em áudio book, autorizamos a contratação de dois profissionais de libras para transmitir as sessões para surdos. Nós nos tornamos a primeira assembleia digital do Brasil e eu peguei ela como a 16ª que mais gastava, hoje é segunda que menos gasta no País. Respondendo diretamente a pergunta: se nós temos que levar a Assembleia para o interior? Não é levar sessão ordinária para dentro de uma câmara e debater, é levar serviço. Por que que nós não podemos ter um sábado, por exemplo, em Cachoeiro, Guaçuí, Rio Novo do Sul, enfim, numa quadra com a estrutura montada para ter emissão de identidade, Procon, Procuradoria da Mulher, Delegacia do Consumidor, levando os nossos serviços à disposição de quem paga o nosso salário. Eu não sou funcionário dos 21.188 votos que me foram confiados, eu sou funcionário dos 4 milhões de capixabas, porque o conjunto dos capixabas que paga o meu salário que paga o salário dos deputados, dos servidores, do governador, enfim, da estrutura da máquina, então assim, é nesse sentido que eu tenho esse desejo e se Deus quiser nós vamos começar a fazer.

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