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Bombeiro de Cachoeiro conta como foi ajudar no resgate das vítimas de Brumadinho

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O cabo do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, Hugo Meneguiti, que atuou nas buscas dos corpos das vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, contou ao AQUINOTICIAS.COM como foram os 15 dias de trabalhos intensos em meio ao rejeito de mineiro. Até ontem, 165 mortos haviam sido identificados e outras 160 vítimas continuavam desaparecidas.

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Integrante da corporação há 10 anos, Meneguiti é cachoeirense e atua na 1ª Companhia do 3º Batalhão de Bombeiros Militar de Cachoeiro de Itapemirim. Ele foi enviado ao município minério junto com outros sete militares e três cães especializados em resgastes de alto nível de complexidade.

“Nos primeiros dias, os resgates foram muitos difíceis. A lama estava muito aquosa, em alguns trechos ficávamos afundados até o peito na lama. Infelizmente não conseguimos resgatar nenhuma pessoa viva, apenas fizemos a extração de corpos, um trabalho delicado, já que muitos cadáveres se encontravam em adiantado estado de decomposição. Alguns levavam até 6 horas para serem retirados da lama. Um trabalho minucioso para manter a integridade dos corpos”, relata o militar.

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Hugo falou também sobre a sensação de estar presente no local da tragédia. “A gente só entende o tamanho da destruição quando vê. Acompanhando de longe é uma circunstância, mas quando a gente chega no local percebe que é tudo bem maior do que imaginávamos. A sensação é de perplexidade e de tristeza”.

Além do desgaste físico, já que as equipes iniciavam as buscas antes do sol nascer e seguia até o ultimo raio de luz, os combatentes precisaram vencer o desgaste emocional.

“Tivemos uma preocupação muito grande em manter a concentração para continuarmos os resgates dos corpos, tentando deixar nosso emocional de lado para seguirmos com as buscas”, conta Meneguiti.

O bombeiro militar diz que o contato durante alguns dias com moradores e familiares das vítimas do Córrego do Feijão, região onde ficava a barragem da Vale, trabalhando intensamente nas buscas dos corpos e convivendo de perto com o drama da população que ainda chora a morte de centenas de vítimas, ainda é latente dentro daqueles que participaram das operações de buscas. “A sensação é de dever cumprido, e de ter dado o melhor que tínhamos naquele momento. Apesar do desgaste, estivemos focados em levar ao menos um pouco de conforto para as famílias que desejam apenas o corpo do familiar para sepultar”, explica.

Cães

O trabalho dos cães Beck, Vida e Athos, foram cruciais para localização de corpos em trechos de difícil acesso. “Éramos deslocados via helicóptero com nossos cães, que no local farejam vestígios humanos e nos facilitava na hora da retirada dos cadáveres”, finaliza Meneguiti.

O K-9 do Corpo de Bombeiros foi criado em 2012, pelo governador Casagrande, e hoje é referência nacional. A equipe canina atuou também em 2015, no caso do rompimento da barragem de Mariana, obtendo bons resultados nas buscas.

Os bombeiros capixabas retornaram no último domingo e receberam homenagens na manhã de ontem, no Quartel do Comando-Geral da Corporação, na Enseada do Suá, em Vitória.

Nesta semana, tanto os militares quanto os cães vão passar por exames e atendimento médico, recuperados, a equipe deve cumprir compromissos em eventos da corporação.

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