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“Os homens que trabalham na segurança pública estão desmotivados”, afirma Alexandre Quintino

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Com base eleitoral principalmente no Sul do Estado, o Coronel Alexandre Quintino (PSL) obteve 23.330 votos para deputado estadual. Ele contou um pouco da experiência na Polícia Militar, quais serão suas bandeiras na Assembleia Legislativa e como pretende exercer o mandato.

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Esta foi a sua primeira eleição e você já conquistou um mandato. Por que você decidiu entrar na política?

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Eu fui motivado por um movimento interno que teve não só na Polícia Militar como no Bombeiro Militar. Foi um projeto político feito nas duas corporações com o intuito de lançar candidatos à eleição de 2018 para deputado estadual e federal. Feito o plebiscito, essa escolha interna, o nosso nome foi escolhido como mais votado dentre todos a deputado estadual. Nós viemos com um apoio muito grande de toda a força pública policial do Estado, porém, esta força se concentrou muito mais no Sul do Estado, onde estou trabalhando há 26 anos na Polícia Militar.

 

Você atua na PM há quase 30 anos, tendo chegado a comandar a Polícia Ostensiva da Região Sul (CPO Sul) do Espírito Santo. O que você traz dessa longa experiência na polícia para a Assembleia?

A capacidade de lidar com o público, porque o policial militar é essa pessoa que está a todo tempo dirimindo conflitos e lidando com a comunidade. Trago um vasto know-how, modéstia à parte, de lidar com o público e sanar as crises e as demandas que surgem. Trago uma capacidade muito boa, graças a Deus, de liderar uma equipe. Todo comandante, necessariamente, tem que ser um líder e eu me considero um bom líder, então trago essa capacidade de liderar um grupo para uma determinada missão. Eu trago a probidade, a seriedade, de um homem que ficou 30 anos na corporação sem qualquer tipo de mácula, sem qualquer tipo de mancha. São esses atributos basilares que a gente traz para a Assembleia e que pensa em colocar em prática por aqui.

 

O País e o Estado ostentam elevados índices de criminalidade dos mais diversos tipos. O que está errado na política de segurança pública e o que está correto?

Primeiro o que pode melhorar muito. De nada vale termos aviões, helicópteros, viaturas blindadas, armas do mais alto calibre, se o principal patrimônio da força pública não estiver motivado. O que faz a segurança não são os materiais que a compõem, mas os seus homens. Os homens que trabalham na segurança pública estão desmotivados, com autoestima muito baixa, então o que precisa melhorar é que realmente haja uma força dentro da Polícia Militar, com os comandantes, e por parte do Governo do Estado, e quando se fala em governo também digo a Assembleia Legislativa, uma força-tarefa realmente para elevar a autoestima, o moral da tropa, que está totalmente desestimulada para o trabalho policial. É um trabalho difícil, de reestruturação, de reengenharia, mas que tem que ser feito.

Esta é a parte que está ruim, mas uma que está muito boa que eu tenho acompanhado é o número de viaturas que nos últimos meses o Estado adquiriu. Foi um número razoável de veículos, drones, viaturas na modalidade de destacamento ambulante, que são viaturas que servem de ponto de policiamento, de referência para a Polícia Militar, modelos vans que servem para levar o policiamento como bases comunitárias móveis para levar o policiamento onde o povo realmente necessita de segurança. Isso eu acho interessante.

O senhor falou sobre o moral da tropa está baixo. O senhor acha que foi isso que levou ao movimento de fevereiro de 2017?

Eu acredito muito. Eu tenho 30 anos de Polícia Militar e o que me fez vestir esta farda não foi o dinheiro, foi a honra. A farda é a minha segunda pele e toda vez que eu visto me sinto muito emocionado pelo valor que aquilo me traz. O policial está nas ruas prestando o seu trabalho, ele sai de casa, põe a farda e se sente orgulhoso por estar vestindo aquela farda, não pelo que ele vai ganhar no final do mês, mas pelo que representa. A função policial é uma função muito bonita, é ele que regula, que é o último escudo entre o bem e o mal, que é a proteção do cidadão.

Ninguém consegue fazer nada na rua se não tiver a presença física desse policial militar que está ali para prestar esse serviço de importância que ele sabe que tem, mas ele precisa ser reconhecido por este trabalho.

O que aconteceu nesses últimos quatro anos é que o policial militar foi tratado como cidadão de segunda classe, vários direitos foram desrespeitados, direito, inclusive, a equipamento de proteção individual. O policial não tinha direito de ter um colete de proteção individual para si, ele tinha que revezar. Não era aberto espaço para o diálogo para ouvir as demandas do policial. Isto eu falo não só a nível de coronéis dentro da PM, como a nível de Governo do Estado, secretário de Segurança e governador. O policial não tinha uma pessoa ou alguém para ouvir os seus anseios e dar essa vazão, dentre os seus anseios também tinha o de uma remuneração justa. O que aconteceu? Como os policiais e bombeiros militares não eram ouvidos em suas demandas chegou uma hora que, como grosso modo falando, a pressão era tanta que acabou explodindo, mas a explosão, volto a falar, não foi por causa do dinheiro, mas por falta de um tratamento digno que o policial militar não estava tendo.

Veio a anistia e eu tenho certeza que, agora sim, com a abertura do diálogo e do reconhecimento, e a Assembleia Legislativa com muita sabedoria aprovou o projeto do governo, eu vejo que a página será virada, que está começando a ser virada, não só com essa anistia, mas tenho certeza que com outros projetos de lei que virão e serão aprovados por esta Casa, que vão trazer novamente a autoestima para os nossos policiais e bombeiros militares.

 

O presidente Bolsonaro editou um decreto que flexibiliza as regras para a posse de arma de fogo. Qual sua opinião sobre este tema?

Eu acho muito interessante. É para as pessoas de bem, que comprovadamente tem idoneidade moral, porque não vai ser dado a qualquer cidadão, e é para sua residência, porque posse e porte são diferentes. Eu sou favorável a esse tipo de postura adotada porque garante ao cidadão de bem ter uma possibilidade de defesa, uma vez que o criminoso não tem limite, não tem princípio, parâmetro, então nós, pessoas de bem, temos que ter um mecanismo de defesa.

 

Quais os maiores desafios para o Espírito Santo atualmente e como o senhor, eleito deputado, pode ajudar a resolvê-los?

São muitos. A saúde pública está indo de mal a pior, a educação não está bem. Eu quero, aqui, na Assembleia me inserir nessas problemáticas e quero com o apoio dos demais deputados, porque isso aqui é um colegiado, poder contribuir com projetos de lei e com sugestões ao Governo do Estado para que a gente possa buscar uma melhoria em conjunto não só da segurança pública, como da saúde, educação e infraestrutura.

 

O senhor foi eleito numa coligação concorrente a do governador Renato Casagrande (PSB). Como será sua relação com o Executivo?

Nós fomos oposição ao governador e continuamos sendo ao partido dele, mas queremos garantir a governabilidade dele e para isso temos que fazer uma oposição sensata, uma oposição pé no chão. Aqueles projetos ou investimentos que forem realmente para trazer benefício para a população, do interesse coletivo, pode contar com o nosso apoio. Agora se for algo que vá trazer prejuízo ao cidadão, ao povo do Espírito Santo, seremos oposição do início ao fim, não conte com o apoio deste deputado.

 

O governador Casagrande ficou neutro na eleição presidencial. Você acha que isso pode causar alguma dificuldade entre o governo estadual e o federal?

Eu vejo que não. A eleição já passou, o que está valendo agora é o benefício da comunidade, do povo do Estado. Eu tenho certeza que o presidente Jair Bolsonaro não vai deixar de mandar recursos para o Espírito Santo porque o partido do governador Casagrande, muito embora ele tenha ficado neutro, foi oposição. Eu tenho convicção que assim como o presidente Jair Bolsonaro pensa no povo do Espírito Santo o governador Renato Casagrande também quer o engrandecimento do povo do Espírito Santo e vejo que ambos vão caminhar juntos.

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