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Gestor da Santa Casa de Iúna abre a "Caixa Preta" da instituição

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Em entrevista ao AQUINOTICIAS.COM, Weverton Luiz Ferreira Santiago, secretário de Gestão e Planejamento da Prefeitura de Iúna e atual Gestor da Santa Casa, contou sobre a realidade do hospital e os caminhos possíveis para a resolução dos problemas enfrentados. Hoje, a gestão da instituição adota um novo perfil administrativo com pulso firme, disciplina e gestão participativa.

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O gestor apresentou um quadro com o resumo das contas da instituição, receitas e despesas, e hoje arca com uma dívida de mais de R$ 3 milhões herdada de gestões anteriores.

Confira a entrevista:

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AQUINOTICIAS.COMO que tem sido feito, até aqui, para que a Santa Casa de Iúna mantenha o funcionamento?

Weverton Luiz Ferreira Santiago- A Santa Casa de Iúna atravessa um momento delicado e complexo. Tenho dito que não é nada inteligente transformar o tema Santa Casa em plataforma política. Por isso, traçamos algumas metas administrativas e estamos redesenhando organicamente a instituição. Também adotamos políticas preventivas no âmbito gerencial, mesmo fechando o mês com um considerado déficit.

-Quais são os desafios para gerir a Santa Casa?

Hoje, os maiores desafios são mudar a modalidade da dívida e reconstruir a sua credibilidade perante a sociedade. A modalidade requer um sério planejamento gerencial, novas parcerias e gastos planejados. Tudo isso, incluindo a sociedade no debate e na reconstrução da Santa Casa, fomentando a transparência política e a fiscalização inteligente e eficiente. Por falar em transparência, hoje qualquer cidadão pode entrar no site da Santa Casa e verificar todos os convênios e contratos vigentes com os seus devidos valores. Em breve, disponibilizaremos a lista de servidores, seus respectivos salários e outras declarações de cunho financeiro.

-Quais são as expectativas para o futuro desta instituição?

Sou essencialmente um otimista! Muitos já decretaram a falência da instituição e a sua total derrocada, entretanto, a Santa Casa tem enfrentado essa grave crise gerencial e ética com maturidade e muita responsabilidade. Não cultivamos devaneios administrativos e não “ufânizamos” nossas perspectivas. A atual administração tem os pés no chão e compromisso com a realidade. Com transparência, participação popular e amadurecimento político a Santa Casa será reerguida e consolidada.

-E sobre as contas, qual é a atual realidade?

Não sou adepto a governar com os olhos no retrovisor. No entanto, não podemos negar que, historicamente a Santa Casa tem um formato administrativo protecionista, monocrático e hereditário. O Hospital parece pertencer a um determinado clã ou uma determinada oligarquia. Estamos enfrentando de frente essa situação e quebrando esses paradigmas. Esse quadro deixou uma “herança maldita”, onde o acúmulo de dívidas parece ter sido algo normal das administrações passadas. Não tinha controle, aos olhos e à participação da sociedade.

As contas foram devidamente identificadas e está sendo elaborado um plano responsável de quitação. A dívida está em R$ 3.310.607,79, dividida em encargos sociais (R$ 1.505.948,67), fornecedores (R$ 947.436,82) e devolução de metas não atingidas (R$ 844.672,30). Essa devolução é desde 2011, onde o hospital não atingiu suas metas conveniadas com o Governo do Estado e, por isso precisa devolver um montante. Vale ressaltar que esse montante não foi construído pela atual gestão, tudo isso é fruto do descaso passado.

-O senhor tem falado muito na participação da sociedade, como isso tem ocorrido?

Esse é o ponto chave, a sociedade está comprando a “briga” da Santa Casa. A sociedade está se envolvendo com o tema e estamos fomentando isso em toda cidade. Criamos informalmente o Conselho Gestor, uma iniciativa popular onde os munícipes atuam como fiscais e como gestores dos recursos do hospital. Isso inibe vícios e tira da figura do gestor da instituição o seu “poder monocrático”, partilhando suas responsabilidades com quem de fato mantém financeiramente as políticas públicas de saúde: o cidadão.

-A cidade está unida com o tema Santa Casa. O mesmo vem acontecendo com a classe política do município de Iúna?

Sim, a classe política tem buscado a unicidade do tema. Executivo e Legislativo Municipal têm dialogado e se empenhado em construir soluções para a Santa Casa. Hoje mesmo teremos uma votação importantíssima na Câmara, onde uma mensagem do Executivo foi enviada para os vereadores, visando aprovação de um projeto de R$ 840 mil. A aprovação dessa verba é importantíssima para darmos sequência as nossas ações administrativas. Caso isso não aconteça, será muito difícil acelerar a reconstrução do hospital e comprometerá todo o nosso planejamento. Porém, os vereadores têm sido muito solícitos e estão dispostos a somar com o Executivo para solucionar toda essa complexidade.

-Sobre a Santa Casa, qual a mensagem do Executivo Municipal para a população?

Essa administração tem uma marca: a valentia! Isso se estende a Santa Casa. Não temos medo e não temos nenhum tipo de compromisso com corruptos. A política brasileira vem mudando e devemos acompanhar toda essa mudança. Iúna não é diferente, e tem mostrado que está caminhando a passos largos no quesito competência e ética. Hoje o município está com as suas contas em dia e não deve a nenhum fornecer, nenhum sequer! Aliado a isso, precisamos destacar a coragem do prefeito Weliton e a autonomia política que ele abraçou. Quanto à população, e como atual gestor da Santa Casa, quero continuar convocando e provocando positivamente a sociedade para participar da administração da Santa Casa. Não temos nada a esconder de ninguém e queremos dar a devida satisfação aos munícipes do seu honrado dinheiro. A Santa Casa está de portas abertas para toda a população, vamos participar e vamos junto reconstruir a mãe da região do Caparaó: a Santa Casa de Iúna.

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