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Cinco dos seis reféns mortos em assaltos no Ceará seriam da mesma família

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Ao menos 12 pessoas foram mortas em uma tentativa de assalto a dois bancos na madrugada desta sexta-feira, 7, em Milagres, na região do Cariri, no Ceará. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou que, após um confronto com policiais, seis integrantes de uma quadrilha morreram, enquanto as demais vítimas seriam reféns.

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Cinco dos seis reféns mortos seriam da mesma família. “Entre as vítimas estão os assaltantes e essa família que estava em trânsito. Foi uma fatalidade, pois eles estavam passando na hora e foram pegos como reféns durante o confronto com a polícia, quando ocorreu o óbito”, afirmou o sargento da Polícia Militar Inaldo Lopes.

Em entrevista à Globonews, o prefeito de Milagres, Lielson Landim, afirmou que duas crianças, de 10 e 13 anos, morreram no tiroteio. A polícia ainda não conseguiu identificar todos os mortos no confronto.

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Equipes das Polícias Militar e Civil buscam os responsáveis pelo ataque. Até o momento, dois suspeitos foram conduzidos para a delegacia. Uma pistola 9 milímetros, um revólver calibre 38, uma arma calibre 12 e explosivos foram apreendidos. Além disso, três veículos envolvidos na ocorrência, sendo um Celta e duas caminhonetes, foram apreendidos. A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) colhe vestígios nos locais.

Entenda o caso

O município de Milagres fica a 487 quilômetros de Fortaleza (393 km em linha reta) e tem cerca de 28 mil habitantes.

A tentativa de assalto às agências do Banco do Brasil e do Bradesco, ambas na Rua Padre Mizael Gomes, aconteceu por volta das 2h30 desta sexta. Os criminosos estavam com reféns quando a polícia chegou. Testemunhas relatam que houve um intenso tiroteio. O grupo não conseguiu levar dinheiro.

“Há uma informação preliminar de um dos criminosos presos dizendo que matou pessoas que estavam no local que não eram da quadrilha, mas tudo ainda é informação muito incipiente. A gente não sabe ainda exatamente o que aconteceu”, afirma André Costa, secretário da Segurança Pública e Defesa Social em áudio enviado por sua assessoria de imprensa.

“A conclusão desse trabalho (de investigação) que vai poder dizer realmente o que aconteceu, como foi a dinâmica, para a gente poder avaliar se houve ou não alguma atuação que poderia ser melhor por parte da polícia.”

De acordo com o secretário, as Polícias Militar do Ceará e Civil do Estado do Ceará estão em diligências com o objetivo de localizar outros envolvidos na tentativa de assalto. “São quadrilhas de atuação interestadual, que atuam em diversos Estados, principalmente na Região Nordeste”, diz.

O bando teria assaltado um caminhão no km 495 da BR-116, entre os municípios de Brejo Santo e Milagres. Teria também assaltado a família na estrada e, então, feito motorista e passageiros reféns, antes de entrar em Milagres para a tentativa de assalto, de acordo com informações da imprensa local.

Em nota oficial, a Prefeitura de Milagres anunciou a suspensão de serviços nas repartições públicas municipais e recomendou que os moradores não saiam de casa até que “a ordem seja restabelecida”. O texto diz, ainda, que a Polícia Militar está com um “grande efetivo” em diligência no centro e em outras regiões do município em busca de envolvidos na tentativa de assalto.

‘Madrugada de terror’

O padre Ronaldo Oliveira, da paróquia Nossa Senhora dos Milagres, contou ao jornal O Povo, do Ceará, que acordou com os tiros e pensou se tratar de fogos de artifício. “Ouvi todos os tiros e não conseguia mais dormir. Acordei atordoado, pensando que eram fogos, ou alguém batendo no meu portão, algo assim. Depois percebi que era algo mais sério”, afirmou. “Precisei tomar remédio para dormir.” Ele descreveu a cena como uma “madrugada de terror”.

Milagres já havia sofrido uma tentativa de ataque na semana anterior, segundo o diretor do Sindicato do Bancários do Ceará, Gabriel Mota. Por conta disso, a polícia vinha investigando a ação da quadrilha e conseguiu interceptá-la no momento da tentativa de assalto.

Ainda segundo o diretor do sindicato, outra agência bancária sofreu uma tentativa de explosão no mesmo horário, mas no município de Itatira, na microrregião de Canindé. Porém, as ações são de quadrilhas diferentes.

Comércio fechado

A cidade está praticamente parada após a tentativa de assalto. A comerciante Niedja Alves, de 32 anos, acompanhou a ação da janela de casa e diz que ficou bastante assustada.

“Ouvimos o barulho e fomos olhar o que era. Vimos quando o carro parou em frente ao banco, mas a polícia vinha atrás perseguindo. Quando percebemos, entramos e fomos nos esconder, com medo das balas”, afirma Niedja, que tem uma funerária em frente à agência. Ela, a irmã e a mãe, que moram em cima da loja, decidiram não abrir o comércio pela manhã.

Assim como ela, parte dos comerciantes optou por seguir as recomendações de fecharem as portas. Moradores informam que o prefeito recomendou à população que fique em casa até a polícia capturar parte da quadrilha que fugiu.

Segundo um empresário da cidade, que preferiu não se identificar por medo de represália, o clima é de medo e tristeza. “Eu e minha esposa acordamos com os tiros. Foram uns 20 minutos de disparo. Era muita munição. Nunca aconteceu nada disso por aqui, só via na televisão”, lamenta o empresário.

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