Cidades

Alunos fazem vaquinha para publicar livro de crônicas em Cachoeiro

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A veia poética cachoeirense mais uma vez busca um suspiro e pretende mostrar que a ‘Capital Secreta’ tem, ainda, muito a oferecer ao cenário cultural e literário do Brasil. Um projeto, organizado por cinco professores da escola Polivalente do Aquidabã, em Cachoeiro de Itapemirim, tem como objetivo a publicação de um livro de crônicas de seus alunos.

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São 60 estudantes, entre 15 e 17 anos, que estão buscando arrecadar R$ 15 mil e garantir a publicação de 500 cópias da obra, já incluso todos os gastos com impressão, divulgação, lançamento, diagramação, revisão e distribuição. A plataforma “Catarse” tem sido o recurso utilizado para conseguir o dinheiro necessário para a realização do “Livro é Lugar de Fala”.

A ideia surgiu de cinco professores de português que se dispuseram a trabalhar depois do horário para que seus alunos soubessem que podem escrever sua própria história. Segundo a professora Maria Gabriela Verediano, uma das idealizadoras, o pontapé inicial do livro veio em um trabalho sobre crônicas, onde percebeu que precisava fazer acontecer.

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“A ideia do projeto veio exatamente do mesmo lugar que as crônicas nascem, da rotina. A crônica faz parte do conteúdo que eu tenho que ensinar aos meus alunos. Venho acompanhando a evolução da escrita deles desde o início do ano, e a escrita criativa é a que mais surte efeitos positivos nas aulas de redação. Antes da crônica eu havia trabalhado com conto e também vi ali um potencial que precisava ser explorado”, destaca Maria Gabriela Verediano.

A vaquinha on-line termina no dia 19 de dezembro, e o livro, caso alcance o valor necessário para publicação, deve ser lançado em fevereiro de 2019, próximo do período de volta às aulas.

Até o momento o projeto já conseguiu mais de R$ 5 mil, em duas semanas, com doadores de todo o Estado, além de Minas Gerais, Rio e São Paulo. As doações podem ser feitas com cartão de crédito ou boleto bancário, a partir de R$ 10,00, pelo site www.catarse.me/livroelugardefala.

Alunos, professores e pessoas da cultura comentam sobre o projeto

O projeto ganhou uma ampla repercussão nas redes sociais. Professores, alunos e pessoas voltadas para a área cultural cachoeirense compraram a ideia e estão dando o apoio necessário para que o objetivo final seja cumprido. Confira alguns depoimentos:

Maria Amélia Dalvi – Professora de Educação e Literatura da Ufes

“Nesses tempos, é preciso encher o mundo de nossas observações argutas e líricas sobre a vida ordinária”.

Diego Scarparo – Cineasta

“Num tempo em que o pessoal da cultura está desanimado é bom ver esses meninos produzindo. É um ataque à caretice! Precisava ser gente jovem mesmo para fazer um projeto deste. Dá ânimo pra todo mundo”.

José Eduardo Coelho Dias –Advogado e Cachoeirense Ausente 2018

“Um projeto como esse, dos meninos do Polivalente, justifica o legado de nossa cidade como Capital Nacional da Crônica”.

Maria Gabriela Verediano – Professora do Polivalente Aquidabã

“Saber que meus alunos estão empolgados com a ideia de que tem a capacidade de escrever bem. Alimentar essa ideia para as próximas turmas, mostrar que é possível conquistar espaços de narrativa. É preciso fazer com eles enxerguem outras possibilidades além de saber escrever o gênero de texto que cai no Enem. A escrita não serve só para concurso e vestibular, a escrita faz parte da nossa forma de se expressar no mundo. Fazer com que eles percebam isso é o que me motiva a encarar o desafio”.

Jamilli Couto –Aluna do 1º ano do ensino médio do Polivalente Aquidabã

“Desde bem novinha eu sempre gostei de escrever, assim, não demorou muito para que a escrita se tornasse uma paixão para mim, ou como dizem por aí “uma mania”. Escrever sempre me trouxe uma sensação de aconchego sabe? Já escutei muita gente dizer que quando escrevem se sentem livres; bem, no meu caso eu meio que me sinto abraçada entende? É como se todos os personagens e pensamentos que invadem minha mente me fizessem companhia, aí já não me sinto só. O mundo ao meu redor parece entrar em harmonia, cada som, imagem e palavra se encaixam, é assim que me sinto.

Quando a Mari veio com a ideia do projeto não pensei duas vezes. Além de levar esses sentimentos para as pessoas, poder inspirar outros jovens e abrir espaço para nossa voz, nós também teríamos a chance de mostrar uma nova perspectiva, através dos nossos olhos. Cada aluno envolvido no projeto representa uma forma diferente e única de enxergar a vida; e ainda, poder despertar essa sensação de liberdade e aconchego para qualquer um que leia nosso livro. Quem sabe? Talvez desse jeito as pessoas percebam que ninguém tá sozinho.

Esse projeto não é só nosso, ele é de todos aqueles que não têm medo de sonhar”.

 

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