Economia

Fed e política dos EUA direcionam negócios e bolsas de NY divergem

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Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta quinta-feira, 8, sem direção única, com os agentes digerindo a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e a possibilidade de novos estímulos à economia dos Estados Unidos por meio de investimentos bipartidários em infraestrutura.

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O índice Dow Jones encerrou o dia em alta de 0,04%, aos 26.191,22 pontos; o S&P 500 recuou 0,25%, aos 2.806,33 pontos; e o Nasdaq apresentou perda de 0,53%, aos 7.530,88 pontos.

O vaivém nos principais índices de ações nova-iorquinos começou no início do pregão à medida que os investidores realizaram lucros em reação aos fortes ganhos registrados na quarta-feira, em um rali engatado após as eleições de meio de mandato nos EUA, que terminaram com um Congresso dividido e que passará a ter a Câmara sob domínio dos democratas a partir de janeiro, enquanto os republicanos irão manter o controle do Senado. “Ficamos um pouco surpresos ao ver que os mercados não se mostraram nervosos nem com o resultado das eleições nem com a demissão do procurador-geral Jeff Sessions. A remoção de Sessions certamente não garante que o vice-procurador-geral e o conselheiro especial Robert Mueller não sejam demitidos, o que achamos que causaria uma forte reação do mercado”, afirmou, em nota a clientes, o chefe de estratégia do NatWest Markets para Américas, John Briggs.

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As vendas de ações as quais Briggs aguardava vieram nesta quinta. Além de realizar lucros, os investidores aguardaram o comunicado da decisão de política monetária do Fed e passaram a precificar a possibilidade de uma aprovação dos investimentos em infraestrutura em um impulso conjunto firmado entre o presidente americano, Donald Trump, e a líder democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi (Califórnia). Durante a tarde, como esperado, o banco central americano não elevou as taxas de juros, mas continuou a sinalizar que a expansão da atividade econômica nos EUA se dá em nível forte e indicou que a perda de fôlego dos investimentos das empresas na passagem do segundo trimestre para o período entre julho e setembro não era algo preocupante.

De acordo com o diretor executivo da Macroeconomic Advisers, Ken Matheny, a caracterização do Fed de que as condições financeiras continuam fortes “reforça nossa expectativa de que o Fed está preparado para aumentar os juros em 25 pontos-base na próxima reunião, em dezembro”. A reafirmação desse ponto vem ao mesmo tempo em que a volatilidade imperou nos mercados acionários globais em meio a perspectivas de desaceleração do crescimento econômico global. Entre os bancos, o papel do Goldman Sachs subiu 0,16%, o do JPMorgan avançou 0,81% e o do Bank of America teve acréscimo de 1,16%.

“A euforia de setembro se transformou em uma derrota em outubro para as bolsas. Há, contudo, razões para argumentar a favor de uma recuperação dos mercados acionários nesses últimos dois meses do ano, mas suspeitamos que o dano causado nas últimas semanas possa exigir um trabalho maior de ‘reparo'”, afirmou o estrategista-chefe de ações do Citi, Tobias Levkovich. Para ele, é provável que ocorram revisões para baixo nos lucros das empresas, o que limitará o potencial para os ganhos de curto prazo do S&P 500. No entanto, o Citi continua a acreditar que o índice chegará ao fim do ano nos 2,8 mil pontos.

Victor Rezende
Estadao Conteudo
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