Política Regional

“Não sou candidato a prefeito em 2020. Serei deputado os quatro anos”, diz Luciano Machado

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Foto: Martim Barbosa
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Por Martim Barbosa
Casado, pai de quatro filhos, formado em Letras (UEMG). O deputado estadual eleito, Luciano Machado (PV), foi prefeito de Guaçuí por dois mandatos (2000/2004 e 2005/2008). Em 2007, ocupou o cargo de diretor de obras da Companhia de Habitação do Espírito Santo (Cohab-ES). Entre 2009 a 2014, foi gerente de acompanhamento de programas e projetos da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seag). De junho a setembro de 2017, foi secretário de Obras de Cachoeiro de Itapemirim.

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Eleito com 15.222 votos, Luciano Machado esteve em nossa redação para um bate papo. Ele falou sobre saúde, infraestrutura, investimentos, turismo, eleições municipais, entre outros assuntos. 

De candidato impugnado a deputado eleito

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Todos viram a injustiça que sofri lá atrás, e estava sofrendo novamente. No final, disseram que eu não poderia ser candidato porque não tinha as certidões. Apresentei todas. Depois afirmaram que eu não possuía filiação partidária. Mas provei que eu tinha e ganhei por 7 votos a zero. Era óbvio: contra fatos, não há argumentos. O pedido de impugnação atrasou a minha campanha, tive que trabalhar dobrado, andei muito. Mas eu percebi que minha mensagem ficou. Só no Caparaó eu tive quase 12 mil votos. Onde as pessoas me conhecem (Vila Velha, Cachoeiro, por exemplo) eu tive votos, e na minha região fui muito bem votado. 

A mensagem dos eleitores

As pessoas estão órfãs de lideranças confiáveis, querendo uma política nova, com novos procedimentos dos políticos. Isso pode ser constatado na eleição de dois novos senadores de candidaturas que pareciam, inicialmente, inexpressivas, em detrimento de outros tradicionais. A sociedade deixou um recado: ‘se engana quem acredita que o povo não pensa’. O povo reflete muito. E o eleitorado caminhou para um rumo novo, visando o zelo com recursos públicos. 

PT ou Bolsonaro

Eu tive votos de todos os lados. Quero cumprir um mandato ouvindo as bases. O Luciano, só por ter sido eleito deputado, não vai influenciar a decisão das pessoas. Então, acredito que seja uma questão de respeito, deixar os eleitores à vontade para escolher entre os candidatos à presidência. Eu gostei muito do posicionamento do Governador eleito, Casagrande (PV), que é neste sentido, de não tomar este ou aquele lado. Ele me inspirou a dizer o mesmo, respeitar as pessoas que me elegeram. 

Saúde

Quando nós assumimos a prefeitura, não tínhamos nenhuma equipe de Estratégia de Saúde da família. Quando deixamos a prefeitura, o município possuía nove equipes. Conseguimos credenciar a clínica São Miguel a realizar vários procedimentos, inclusive a mamografia, pois tínhamos uma ação forte na prevenção ao câncer de mama. Quero debater com a comunidade a questão do Câncer. Existe uma pesquisa da Ufes, que afirma que a região do Caparaó tem uma alta incidência de câncer. É preciso que haja um olhar governamental nesta questão, uma mobilização da Secretaria Estadual de Saúde e do Ministério da Saúde, para que possamos trabalhar a prevenção.

Referência em Saúde no Sul do Estado

Temos um hospital de referência que é o São José do Calçado, mas que perdeu muito nos últimos anos. Ele já mostrou mais resolutividade em outros momentos. O que eu sinto em nossa região, é que precisamos dar mais estrutura para as outras unidades. A Santa Casa de Alegre precisa de mais investimentos e ser referência em alguma área para desafogar a rede. Isso causa uma desvalorização de alguns municípios, já que a população sabe que, caso precise, é necessário buscar atendimento em outras localidades. Então temos que fortalecer as unidades hospitalares já existentes, para que não sobrecarregue outros municípios. Se o governo observar isto e promover esta descentralização, vai perceber que haverá muita economia.

Fortalecimento da economia e geração de empregos

A nossa região ainda é muito refém da sazonalidade do café. Temos uma fragilidade em relação à região Metropolitana e ao Norte do Estado que é uma questão de infraestrutura e logística, além de legislação que beneficie uma região em detrimento da outra. O Norte do Estado pertence a área da Sudene, com benefícios fiscais, tem o banco do Nordeste, que financia com enormes prazos de carência. O Fundesul, por exemplo, traz alguns efeitos, mas poderia criar condições especiais para o nosso desenvolvimento. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região do Caparaó é muito baixo. Temos uma condição muito adversa para o desenvolvimento. Se o Governo do Estado fizer um programa de atenção especial que favoreça a implantação de empresas, seja no turismo, agronegócios ou qualquer área que temos expertise, poderemos desenvolver gerando emprego e renda. 

ICMS

Isso faz parte de um conjunto. Criar uma condição para que as pessoas sintam a igualdade na hora de competir com outros empresários. Há pouco tempo tivemos um entrave com a questão do ICMS do leite. Por sorte, a mobilização das cooperativas não deixou acontecer, o que seria a falência do nosso sistema de cooperativas de leite, causado pela diferença de ICMS na hora da venda. Pagaríamos 5% a mais que Minas Gerais vendendo para nós, ou seja, seríamos compradores e não vendedores de leite. Temos que ficar atentos a este tipo de atitude, dar condição de investimento e crescimento à população do nosso estado. 

Infraestrutura

A infraestrutura viária é preponderante para o desenvolvimento do turismo, do agroturismo e do ecoturismo. A nossa região tem uma beleza inigualável. Porém, a estrada que liga Mundo Novo a Pedra Roxa, está acabando. Temos uma beleza muito superior à região Serrana, mas que se desenvolve muito, pois tem uma estrutura viária. Estes investimentos são uma necessidade, mas não são baratos. Mas assim que o país resgatar sua credibilidade, é preciso buscar novos investimentos, pois isto gera emprego, renda, impostos.

Turismo

O turismo de negócios é uma área que não tem erro. A partir do momento que as pessoas vêm, elas pagam impostos. Não tem motivo para o governo deixar de investir. Não podemos mais aceitar este retrocesso da nossa região. A culpa não é de um determinado governo, mas da falta de programas específicos para a nossa região. Em 2005 eu era presidente do consórcio do Caparaó e, com o apoio da Vale, Sebrae e Bandes, fizemos um plano de desenvolvimento sustentável da região, prevendo coisas que ainda não aconteceram, como cuidar do lixo, da água, do esgoto. Como representante desta região, conhecedor do nosso potencial, iremos cobrar e mobilizar o governo quanto a isso. Temos que mostrar que sabemos o que queremos. Temos o acesso ao pico da Bandeira pelo ES que não é explorado de uma maneira sustentável à sua própria manutenção. É preciso que tenhamos um sentimento de apropriação de nossa região, para que produza os frutos que pode produzir, e sair deste período de dormência que nos encontramos.

Os eventos da região

Temos, sempre, que colocar o governo como parceiro destes eventos. Estes eventos são referências para a nossa região, como o Festival de Inverno de Guaçuí, a Feira de Negócios. Temos que criar mais eventos, para que o Estado saiba que precisa, através de seus órgãos e autarquias, estar próximos a estes eventos, uma vez que eles são uma forma de recuperar a nossa economia. O Governo precisa sentir a necessidade de investir nisso, com a união dos municípios da região. Estamos próximos à divisa de três estados, o que beneficia muito a nossa logística para acolher os turistas. Precisamos de um olhar mais carinhoso do governo para que tenhamos as condições de estabelecer estes eventos como um calendário efetivo, de maneira que as pessoas reconheçam estas datas e se programem ao longo do ano.

Eleições municipais

Não sou candidato a prefeito. Se me der o mandato de prefeito, de presente, eu não assumirei. Irei cumprir meus quatro anos na Assembleia. O meu discurso, de bairro em bairro, foi o de mostrar que nossa região precisa de uma liderança, de uma representação. Eu não saio candidato em hipótese nenhuma. Com relação a apoio nas eleições municipais, ainda não tenho nenhum posicionamento. Não houve nenhuma conversa neste sentido. Tive apoio de pessoas de vários grupos e não conversei com ninguém neste sentido. As pessoas terão que se construir neste sentido.

Uma mensagem ao leitor

Sou um deputado que irá gastar toda a sua energia para trabalhar a favor da melhoria da acessibilidade ao serviço público (saúde, educação), procurando fazer o debate democrático, conversando com as bases, para que não exista nenhum ruído entre governo e comunidade. Temos que construir junto com as pessoas o futuro da nossa região, do nosso Estado.

 

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