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“Essa campanha foi do caixa dois, três e quatro”, afirma o deputado estadual Marcos Mansur

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O Pastor Marcos Mansur, reeleito deputado estadual pelo PSDB com quase 14 mil votos, em um bate papo na redação do AQUINOTICIAS.COM comentou sua experiência nesta eleição, onde houve grande renovação no cenário político capixaba no qual nomes tradicionais não conseguiram se eleger.

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O deputado afirma que essa foi a “eleição do caixa 2, 3, 4 e de todos os caixas”.

Confira a entrevista

AQUINOTICIAIASO senhor acredita que essa foi uma eleição diferente das anteriores?

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Marcos Mansur – Essa campanha foi marcada por alguns pontos que dificultaram bastante o trabalho da gente durante o período eleitoral.Primeiro é que nós participamos de uma disputa onde foi feita uma campanha de bastidores nas redes sociais de que não se deveria votar em ninguém que já tinha mandado.Esse foi um fator que considero dificultador para quem já estava no mandado e querendo retornar e fazer um trabalho sério. Essa campanha generalizou muito e colocou todo mundo numa vala comum, como se todos os políticos que estavam lá trabalhando estivessem, de uma forma direta ou indireta, mergulhados e envolvidos no mar de lama que se tornou a nossa política por conta da corrupção.Mas,a agente tem trabalho prestado, e graças a Deus, eu tenho a ficha,não digo nem limpa, limpíssima.São 14 anos de vida pública, de política partidária, de disputa eleitoral, e graças a Deus nenhum processo eu tenho nas costas porque a gente procura primar sempre pela lisura.

Outro fator que mais dificultou esta campanha foi a questão financeira, pois nós não pudemos ter apoio de nenhuma empresa. Eu, particularmente, fiz uma campanha completamente com os meus recursos e não recebi nenhum centavo do meu partido. Essa foi uma campanha muito sofrida, muito custosa por conta dessa falta de recursos. Em contrapartida, é importante deixar claro isso aqui, essa modalidade facilitou muito o pessoal que tem dinheiro.Ocandidato que tinha dinheiro, e isso ficou muito nítido, muito patético na última semana da campanha, houve um derrame de dinheiro de caixa dois de caixa 2, 3, caixa 4 e quantas caixas a pessoa quiser colocar.Muito dinheiro foi colocado na reta final.

 

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Houve compra de votos?

Eu afirmo porque disputo eleições há 14 anos, essa foi a sétima eleição consecutiva que eu disputo.Na última semana de campanha e os três últimos dias o negócio foi escandaloso, escancarado, não é só em Cachoeiro Itapemirim, é no Brasil inteiro.É uma forma muito complicada de você fazer política, a compra do voto,e o voto que é vendido. Por outro lado, é importante colocar para os nossos amigos que isso está mudando um pouquinho.Eu vi muita gente que pegou o dinheiro de uma pessoa e voltou em outra.Declarou: eu peguei porque me deram, mas eu vou votar em fulano.Tanto é verdade que nós vemos aí pessoas que gastaram R$ 3 milhões e outros que gastaram R$ 5 milhões e não se reelegeram. O dinheiro já não está cumprindo mais aquela função que se destinava.

 

A região Sul está bem representada na Assembleia Legislativa?

Eu acredito que a representatividade não basta acontecer na quantidade de pessoas que o Sul, o Centro ou Norte tenha.Estou dentro do sistema, dentro do processo. O que acontece é o seguinte: a gente precisa ter a unidade do mandato,você tem um mandato e o outro que também tem precisa entender que ele é representativo da nossa região Sul, e a gente precisa sentar para poder fazer valer essa unidade para que essa representatividade seja efetiva e tenha qualidade. Infelizmente a gente deixa a desejar, e não é só oSul,o norte também deixa a desejar, pois cada um quer puxar para o seu lado.Eu, particularmente,desde o meu primeiro mandato de deputado estadual tentei por diversas vezes,e não vou desistir, sentar e discutir algumas bandeiras, algumas questões que são de importância para o Sul do Estado. Temos que perder aquela vaidade de que é o deputado A,B ou C que está trazendo.São os deputados que estão aqui do Sul e que estão fazendo o trabalho para o Sul.

 

Como você vê essa eleição, onde nomes tradicionais da política não foram reeleitos?

O povo está acordando e o povo deu um recado,nessas eleições foi um baita de um recado que o povo deu nas urnas no dia 7 de outubro e que nóspolíticos precisamos entender.O povo não está mais querendo ouvir sóconversa, demagogia.O povo quer que ações efetivas, coisas que nós possamos chegar aqui na imprensa, no jornal e veicular algo concreto que esteja acontecendo de retorno, de benefício para essa população.Esse foi o principal recado que o povo deu nasurnas.Não adianta só bravata.Não se ganha voto mais só no discurso.Precisa ganhar o voto mostrando o trabalho e mostrando o serviço para nossa população.

 

O governador eleito Renato Casagrande tem se mostrado preocupado com as finanças do Estado. Como a Assembleia Legislativa deve ajudá-lo na condução do Espírito Santo?

Eu acho que é uma preocupação natural de quem vai assumir um governo, que vai assumir o orçamento, com um estado que demanda e necessita de tantas coisas. O Espírito Santo hoje é o primeiro, é o número 1 no Brasil, e eu posso dizer por que estou acompanhando de perto como fiscalizador, e posso dizer que é o mais estruturado e o mais preparado da nossa Federação.O dever de casa foi muito bem feito pelo governador Paulo Hartung (MDB), não há nenhum excesso, pelo contrário, ele colheu frutos, inclusive dividendos políticos negativos porque fechou torneira, porque ele foi firme, e até mesmo em algumas questões do funcionalismo público e diversos ramos do funcionalismo. Ele termina agora o governo e vai deixar R$ 350 milhões de caixa para o próximo governador, inclusive com duas folhas de pagamento,os dois meses de pagamento do funcionalismo garantidos. Isso já é um ponto positivo, muito importante, muito grande para quem vai entrar no novo governo, e compete agora ao novo governador ter essas preocupações e também caminhar nessa organização.

Nós, na Assembleia, estamos ali para colaborar com o que for bom para o estado do Espírito Santo e o que for viável, aquilo que a gente entender que é construtivo. Nós vamos estar junto com o próximo governo para poder também prestar a nossa parcela de importância.O papel do parlamentar e do legislador é muito importante, acompanhar o Executivo naquilo que é bom para o estado, porque o governador não faz nada sozinho se ele não passar pela Assembleia, se não passar pelo parlamentar.Nós temos essa cota de participação e essa importância muito grande na condução dos trabalhos que virão pela frente.

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