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Por Ana Glaucia Chuina e Edézio Peterle

“Tia, agora posso ver a lua”. O relato emocionante é de um aluno que começou a usar óculos após ser diagnosticado com miopia pelo projeto social Vi Ver Unimed. Desenvolvido pelo Núcleo Feminino Cooperativista da Unimed Sul Capixaba, a ação disponibiliza óculos de grau de forma gratuita para estudantes de escolas públicas de Cachoeiro de Itapemirim e Marataízes, no Sul do Estado. Mais de 100 crianças e adolescentes já foram beneficiados e, agora, conseguem enxergar melhor, possibilitando maior rendimento durante as aulas.

A iniciativa do projeto surgiu em 2015, quando professores relataram que alguns alunos não evoluíam bem nas atividades escolares devido a dificuldades de visão. A partir do problema, o Núcleo Feminino se uniu em uma ação conjunta com as escolas e professores para buscar uma solução para as crianças com problemas de vista. A ideia deu certo e, a cada ano, mais crianças são atendidas.

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A médica pediatra cooperada Fabíola de Freitas Moraes é coordenadora do Núcleo Feminino da Unimed Sul Capixaba e explica como o atendimento é realizado. “Os professores são capacitados por um médico oftalmologista da Unimed Sul Capixaba para realizarem um pré-exame na escola. Posteriormente, eles enviam o relatório para análise desse oftalmologista para identificar se os alunos precisam passar pelo exame no consultório”, explica.

Após o diagnóstico, as crianças com dificuldades de enxergar participam de um mutirão que o projeto realiza a cada seis meses.  Nele, os alunos passam pela avaliação de um oftalmologista e, confirmado algum problema de visão, são encaminhados para a escolha do óculos no mesmo dia, ou tratamento apropriado sem qualquer custo. “A boa visão é um fator essencial para proporcionar um bom desempenho escolar do aluno, e nós do Núcleo Feminino ficamos gratificadas em poder contribuir através desse projeto”, ressalta Fabíola.

O médico oftalmologista Eduardo Abib é um dos profissionais que atuam no Vi Ver Unimed. Ele conta que os principais relatos dos alunos atendidos são de dificuldades em enxergar o quadro e o computador. Na maioria dos casos analisados durante o mutirão é receitado o uso de óculos. “São diagnosticados miopia, astigmatismo e as crianças vêm com relato de dificuldade na escola para poder enxergar”, conta. Crianças que já usam óculos também são reavaliadas pelo profissional para atualizar o grau do óculos.

O oftalmologista Eduardo Abib e a médica pediatra e coordenadora do Vi Ver Unimed Fabiola de Freitas Moraes sentem-se orgulhos em ajudar tantos alunos/Foto: Ana Glaucia Chuina

Centenas de alunos de três escolas de Cachoeiro e duas de Marataízes foram atendidos pelo projeto desde 2015. Entre os diagnósticos, houve casos em que doenças irreversíveis foram confirmadas. Por isso, Abib frisa a necessidade de atenção à visão das crianças. “Já tivemos casos de cicatriz na retina por toxoplasmose, casos até mais avançados e irreversíveis que foram encaminhados para tratamento específico. É importante os professores e pais, na escola ou em casa, ficarem atentos às queixas das crianças”, salienta.

Além do aluno que estava praticamente cego por causa da toxoplasmose, a coordenadora do Viver Unimed Fabíola de Freitas relembra outro caso que a emocionou. “Destacamos também o relato de um aluno que após colocar os óculos disse: ‘tia, agora posso ver a lua’. Provavelmente, ele enxergava apenas uma mancha no céu”, lembra Fabiola.

Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), uma em cada cinco crianças apresenta problemas de visão na idade escolar, prejudicando seu rendimento nos estudos, o que pode trazer consequências para toda a vida. Os casos chegam a 20% em todo o país. Em muitos, o diagnóstico precoce possibilita a cura ou impede que doenças no globo ocular se desenvolvam.

Em relação aos casos de cegueira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 700 mil brasileiros que hoje são cegos poderiam estar enxergando se tivessem recebido o tratamento adequado no tempo certo. E 60% a 80% dos diagnósticos são tratáveis.

Enxergando e estudando melhor

Ao todo, 118 alunos estão vivendo e enxergando com mais qualidade por meio dos óculos do projeto Vi Ver Unimed. Agora, eles conseguem estudar sem as dificuldades de antes. Além da melhora na visão do estudante, os pais estão agradecidos e aliviados pelo atendimento oferecido aos filhos.

Elizângela dos Santos Maia é mãe da Eliza de 11 anos e salienta a importância do projeto para as famílias que não podem pagar por uma consulta. “Acho essa união da Unimed e da escola muito interessante e importante, pois ajuda muito a gente. É difícil marcar uma consulta médica. Se for pelo Sistema Único de Saúde (SUS) demora muito para ser atendido. Tendo essa ajuda do projeto facilita bastante, pois minha filha estava precisando muito”, conta satisfeita Elizângela.

A filha Eliza participou do mutirão porque relatou incômodos nos olhos. “Eu sinto muito dor de cabeça na parte a cima dos olhos e meu olho direito fica muito vermelho e vejo embaçado’, conta a jovem que, após passar pela consulta, foi diagnosticada com uma alergia e não vai precisar usar óculos.

A aluna Eliza não precisou de óculos, mas foi identificada uma alergia. A mãe Elizângela elogiou a iniciativa do Vi Ver Unimed/Foto: Ana Glaucia Chuina

Há situações nas quais as dificuldade visuais dos filhos não eram notadas pelos pais, como aconteceu com o filho da Siane Alves Vidal. “Nunca percebi no meu filho Lohan, dificuldades para enxergar. A análise feita pela escola notificou o problema. Achei o projeto ótimo! Se todos fizessem assim, como a Unimed e a escola estão fazendo, seria uma boa ajuda para todas as crianças que estão com dificuldades”, analisa a mãe.

No dia do mutirão, Lohan, de 11 anos, saiu do consultório direto para a ótica. “Já escolhi meu óculos. Vou ficar legal com ele”, contou feliz o aluno.

Após consulta com o oftalmologista do projeto, Lohan escolheu o modelo do óculos junto com a mãe Siane/Foto: Ana Glaucia Chuina

União para captar recursos

Além da cooperação entre escola e Unimed, o Núcleo Feminino realiza brechós para arrecadar os recursos necessários para a fabricação dos óculos. A iniciativa tem dado certo e conta com a colaboração de pessoas de dentro e fora da Cooperativa Médica.

O brechó recebe doações de roupas, calçados, acessórios de médicos, colaboradores, amigos e população em geral. Todo dinheiro arrecadado nas ações é revertido para a compra dos óculos. Para a confecção dos 118 óculos já entregues foram realizados cinco brechós.

Toda renda do Brechó Solidário é revertida para a compra dos óculos/Foto: divulgação

Entrega

A última entrega de óculos foi realizada no início deste mês e contemplou 32 crianças dos dois municípios atendidos pelo Vi Ver Unimed. “Inicialmente o foco era Cachoeiro de Itapemirim, mas Marataízes nos pediu um apoio devido à carência das escolas públicas do município. Então, resolvemos apoia-los com o projeto”, explicou a médica coordenadora Fabíola.

A entrega dos óculos foi feita durante o evento Unimed em Ação com diversas atividades para as crianças/Foto: Ana Glaucia Chuina

Jussimara de Souza Nascimento, que é pedagoga da escola de Boa Vista do Sul, em Marataízes, salientou que o Vi Ver Unimed tem uma importância fundamental, principalmente para aqueles alunos cuja família não conseguiria pagar pelos exames. “Essa iniciativa está possibilitando uma condição e oportunidade que eles não teriam como acessar se não fosse dessa forma. Então, a escola de Boa Vista agradece muito por esse presente aos nossos alunos!”, agradece a pedagoga.

O secretário de Assistência Social de Marataízes, João Antônio Neto, também salienta que muitos dos alunos atendidos são de famílias de baixa renda e que não têm condições financeiras de realizar os exames necessários. “Ano passado tivemos a oportunidade de contemplar uma escola com a realização do projeto da Unimed e foi fantástico! Vimos que surtiu um grande efeito, principalmente para as crianças mais carentes”, aponta o secretário.

“A visão é a janela da alma”

Além dos benefícios dentro de sala de aula, enxergando melhor as crianças desenvolvem a convivência e interação entre familiares e amigos de forma mais prazerosa. Para o adolescente José Henrique, de 12 anos, detectar a miopia foi fundamental para ele melhorar o desempenho nas suas atividades do dia a dia. “Eu enxergava embaçado e isso me prejudicava muito. Eu sentia muita dor de cabeça tanto na aula, quanto pra fazer as coisas em casa. Agora melhorou tudo”, relata.

José Henrique passou a ter mais qualidade de vida após o uso do óculos/Foto: Ana Glaucia Chuina

Casos como o de José Henrique, que teve a oportunidade de passar a enxergar melhor graças a união entre cooperativa e escola é motivo de orgulho para quem atua no Vi Ver Unimed.  “É um projeto muito bonito, pois, sobretudo trabalhamos com crianças e jovens que precisam estar bem para evoluir. É um prazer muito grande participar, ajudar a dar uma qualidade de vida melhor para elas. Cuidando desses problemas, é possível melhorar o rendimento escolar e a própria interação deles com o mundo. A visão é a janela da alma. É um prazer poder ajudar!”, conclui Abib.

Para a médica coordenadora do projeto Fabíola de Freitas Moraes, a maior recompensa de trabalhar na ação é poder perceber os avanços do aluno dentro da sala de aula e ver que eles estão enxergando melhor o futuro.

E, de olho nisso, o Núcleo Feminino Cooperativista acompanha a evolução após o entrega dos óculos. “É uma alegria muito grande ver que com a doação dos óculos as crianças têm apresentado uma evolução satisfatória na sua educação escolar. Temos esse “feedbeck” porque as escolas enviam, a cada seis meses, essa evolução do antes e o depois da doação dos óculos. Acompanhar como eles estão é fundamental para o sucesso da nossa ação”, ressalta a médica.

Assista a matéria sobre o Vi Ver Unimed:

 

Galeria de fotos/crédito:Ana Glaucia Chuina

 

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