Eleições

Pesquisas influenciam no resultado das eleições?

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Uma das formas de medir se a candidatura de um político pode deslanchar e o mesmo conquistar o cargo almejado é por meio de pesquisas eleitorais. Elas funcionam como “termômetro” do posicionamento da população em relação às candidaturas e, muitas vezes, podem ser fundamentais na decisão do voto do eleitor, modificando o resultado final da votação.

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“As pesquisas de opinião podem, em determinadas eleições e em certas circunstâncias delas, em especial na reta final do pleito, redundar no que chamamos de voto útil (o eleitor votar em quem tem chances de vencer, não no candidato de sua preferência)”, explica o doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e professor do Departamento de História da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ueber Oliveira.

Entretanto, ele acredita que o impacto das pesquisas costuma ser menor do que supõe o senso comum. “O raciocínio realizado pelo eleitor para a escolha dos seus candidatos é bem mais complexo e sofisticado”, alerta. Segundo Ueber, o pensamento do eleitor pode ser guiado por três leis, que revelam três fases pelas quais se transita durante um pleito: lei da indiferença, da procrastinação e da efemeridade.

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“A primeira compreende o momento em que os eleitores estão indecisos e que se mostram indiferentes, ou seja, não notam ou não fazem força para notar o que se passa a seu derredor; a segunda diz que o eleitor a partir de um determinado momento sabe que terá que decidir, mas deixa para fazer a escolha em quem votar nos últimos momentos antes do pleito eleitoral; e, por fim, a que revela importantes oscilações da opinião do eleitorado, mostrando a mudança da intenção de voto”, esclarece.

Para o professor, qualquer acontecimento, fala ou ação dos candidatos no decorrer do pleito pode influir na decisão das pessoas. Ueber frisa que a passagem da lei da indiferença para a da procrastinação ocorre geralmente a partir do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. “Ele faz com que a campanha ‘invada’ a casa do eleitor. Essa virada é talvez a mais importante de um pleito. No final das contas, o eleitor acaba se decidindo pelo candidato que mais bem representa os seus anseios. Ele é absolutamente pragmático”, destaca.

Regras rígidas

Muito questionadas por parcelas da sociedade, as pesquisas devem seguir métodos específicos de coleta e análise de dados, além das regras estabelecidas pela Lei das Eleições (9.504/1997) e pela Resolução 23.549/2017 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que obrigam a divulgação do contratante da pesquisa, valor gasto, metodologia e período de realização, plano amostral, questionário aplicado, entre outras.

Quem não obedecer aos critérios estabelecidos pela legislação pode sofrer sanções como pagamento de multa que vai de cerca de R$ 50 mil a mais de R$ 100 mil. Já a divulgação de pesquisas falsas é crime, passível de detenção seis meses a um ano, mais o pagamento de multa.

“A pesquisa eleitoral é uma pesquisa de opinião feita com eleitores. A pesquisa eleitoral científica, no caso da metodologia quantitativa, leva em consideração a estatística e dados oficiais (TSE, IBGE e outros). Ela possui rigor técnico, com segmentação dos entrevistados, detalhamento do universo, controle do levantamento das informações e entrevistas. Trabalha com a representatividade do universo a ser estudado”, informa a diretora executiva da Enquet, Rita Abreu.

O cientista político Ueber Oliveira diz que no geral a metodologia usada nas pesquisas é confiável, porém, aponta que é possível fazer uma leitura dos dados de modo tendencioso para amenizar ou superestimar a situação de um candidato. “Essa operação se dá muito mais no plano da linguagem, em especial, jornalística. É também possível retardar ou protelar a divulgação de uma pesquisa com vistas a determinados interesses”, ilustra.

Já a diretora da Enquet ressalta que as pesquisas possuem critérios mais rigorosos que enquetes ou sondagens, por isso apenas elas são permitidas no período eleitoral. “Nas enquetes ou sondagens não há o rigor técnico ou científico. A coleta das informações é superficial, sem compromisso com a segmentação ou até mesmo com o universo a ser estudado. É somente uma consulta”, conta.

Ela reforça que as pesquisas possuem controles que garantem o grau de confiabilidade das informações e que, assim como em outras profissões, é preciso buscar profissionais especializados para realizá-las. Em tempos de fake news, ela aconselha o cidadão a procurar o número de registro da pesquisa no site do TSE, onde é possível encontrar a “bula” com as informações dela.

“No período eleitoral as informações chegam ao eleitor de várias formas e com muita intensidade. Por isso a validade da pesquisa é pequena. Uma pesquisa antiga tem muita chance de estar com informação desatualizada”, adverte. “É comum pessoas utilizarem números de enquetes e apresentar como sendo pesquisa científica para enganar o cidadão com objetivo de se beneficiar de alguma forma. Procurar saber sobre a reputação de quem fez a pesquisa também ajuda a identificar o que é falso”, recomenda Abreu.

Ueber define a questão das fake news como “complexa”. De acordo com ele, boatos e mentiras sempre foram expedientes amplamente utilizados na política, em especial, nas campanhas eleitorais, mas que na contemporaneidade a capacidade de elas se multiplicarem ganhou força graças à internet, principalmente, das redes sociais.

“Um boato ou uma informação falsa adquire uma envergadura extraordinária, o que pode causar grandes impactos numa campanha. O eleitor precisa ficar atento quanto a esse problema e a grande quantidade de informações que circulam”, conclui.

*Informações Web Ales

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