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Nossa reportagem pisa nas areias de Marataízes, quarto município do litoral sul capixaba a ser retratado pela série “Cidade que temos, cidade que queremos” e o mais populoso dos cinco banhados pelo mar. São 38.670 moradores, 369 a mais na comparação entre os últimos dois anos, segundo último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Marataízes faz divisa com Itapemirim e Presidente Kennedy e tem nas plantações de abacaxi, na pesca e no turismo, com pico no verão, suas principais atividades econômicas. E é na estação mais quente do ano que o maratimba avalia com mais clareza o lugar onde vive.

*Leandro Fidelis

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Na última terça-feira, uma boa notícia trouxe ânimo para a cidade. O prefeito Tininho Batista (PDT) esteve pessoalmente no gabinete do governador Paulo Hartung, onde foi anunciado investimento de R$ 12 milhões, com recursos do Ministério do Turismo para a primeira etapa da reurbanização da praia central até o semáforo da cidade.

Por meio de sua assessoria, Tininho informou que o governo estadual se comprometerá com a obra, caso a promessa do governo federal não se cumpra. Ainda não há previsão da liberação da verba e do início dos trabalhos.

A reurbanização da orla principal é aguardada há anos pelo município. No final de 2001, o mar invadiu a faixa de areia, alcançando a avenida e destruindo até partes do calçadão de concreto.

Sete anos depois, o governo estadual iniciou obras de contenção, baseadas em estudos dos climas e direção de ondas, correntes marítimas, transportes de sedimentos, intensidade de maré, entre outros, mas por diversas ocasiões os trabalhos não avançaram.

“As nossas praias estão abandonadas e o quadro só piora com a ação da natureza nos últimos anos. Era outra vida quando eu era criança”, diz o pedreiro Antônio Santana.

Emprego

A população de Marataízes teve um grande salto na última década, com aumento de cerca de 11% entre os anos de 2000 e 2010, de acordo com o IBGE. Isso se refletiu no crescimento do comércio do município. A instalação de importantes redes de lojas do Espírito Santo garantiu postos de trabalho, mas ainda não absorve a demanda por emprego na cidade.

O prefeito Tininho Batista afirmou estar estruturando a cidade para atrair empresas. Uma expectativa é o funcionamento do Porto Central que, segundo informações não oficiais, deve começar a operar a partir de 2019.

“Já fomos avaliados como uma cidade boa para acolher as famílias que virão para o litoral sul capixaba, pois temos toda a logística para acomodações, bons restaurantes, lanchonetes, supermercados, pousadas e um comércio amplo e diversificado”, disse.

O início das operações do Porto sinalizam ainda a ampliação do setor de prestação de serviços. “Nós esperamos empresários de visão para futuros investimentos e que venham gerar muitos empregos no município”.

Turismo

Com a chegada do verão, o turismo se aquece nas praias, feiras e comércio. No entanto, o grande desafio de empreendedores e do poder público ainda é a fixação por mais tempo dos turistas com a oferta de mais atrativos e, consequentemente, geração de tributos no município.

Na opinião da maioria dos moradores ouvidos, Marataízes deixa a desejar nas programações festivas, e a opção acaba sendo os balneários vizinhos. “Estou com restaurante aberto há um mês e os turistas querem saber se tem programação de verão. Falta divulgação”, diz a publicitária Maul Brasil.

A garçonete Júlia Rapozo, 25, veio do Paraná com a família há sete anos. Mesmo com o retorno dos familiares para o estado de origem, ela se manteve na cidade. “A qualidade de vida aqui é boa, mas não adianta ter coisas boas se o próprio maratimba não as valoriza. O povo vai às festas de Guarapari, mas não prestigia os eventos locais”.

A prefeitura, por sua vez, defende a gama de atrações diversificadas na alta temporada, priorizando o clima praiano e a gastronomia locais, para atrair turistas. Tininho cita o Festival de Verão, a oitava edição do evento gospel “Celebrai”, o 1º Marataízes Summer Beer e o 1º Festival de Música “Virada Cultural Raul Sampaio”, com 59 bandas inscritas e a apresentação de outras dez, na Praça do Erivelto.

Além desses eventos, tem a tradicional Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, com 129 anos de história, seguida do Carnaval Família, com 20 blocos e shows na Barra do Itapemirim e na sede. “Não queremos Marataízes vista por causa de grandes shows nacionais. Queremos a cidade valorizada pelas belezas naturais presentes em 36 km de praias e 22 lagoas. Iremos intensificar a promoção desses destinos para o turismo se manter constante durante todo o ano, e não somente no verão”, destaca o prefeito.

Saúde e educação

Tininho considera a saúde e a educação dois pilares da administração. No último ano, a prefeitura entregou a Unidade de Saúde em São João do Jaboti, na zona rural, e ainda estão previstas uma para Jacarandá e outra na Cidade Nova. Em Barra do Itapemirim, outra unidade está em construção.

Ainda na área de saúde, será inaugurada em breve a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com capacidade para atender 500 pessoas, atrás do prédio da prefeitura. Também foi retomada a construção do Centro de Tratamento de Toxicômanos e foi entregue a Unidade de Saúde Mental. “Temos um compromisso de padronizar todas as unidades, acabando com os imóveis alugados”, disse o prefeito.

No setor educacional, segue em andamento a obra do CAIC no Bairro Filemon Tenório, que atenderá alunos de forma integral e com atividades no contra turno. Ainda está no plano da municipalidade a reforma de 16 escolas.

E no verão, a Secretaria Municipal de Educação manteve creches abertas para atender as mães sem local seguro para deixar seus filhos enquanto trabalham. Por meio do “Projeto Verão”, quatro creches cuidam de 173 crianças entre seis meses e três anos de idade.

“Cuidar das belezas naturais, incentivar as futuras gerações a valorizarem, divulgarem e preservarem o meio ambiente rico que temos é o queremos para Marataízes. Oferecer ao cidadão e ao turista uma cidade organizada, acolhedora, um lugar que o cidadão se orgulhe e que o turista queira voltar. O objetivo é transformar e valorizar ainda mais os locais mais famosos de Marataízes para torná-los ponto de encontro para os moradores e local de visitação para os turistas”, prefeito Tininho.

O que diz os moradores

Jesuel Carvalho Ribeiro, vendedor de picolé e motorista desempregado, 60- “Vai para dois anos que estou desempregado como motorista profissional. É difícil emprego aqui, por isso optei pelo carrinho de picolé. O município precisa gerar postos de trabalho, é isso que falta aqui”.

Malu Brasil, publicitária e comerciante- “Eu e meu marido estamos aqui há 29 anos e sempre estivemos envolvidos em trabalhos sociais em prol das entidades locais. Falta um trabalho junto às nossas associações”.

Antônio Santana, pedreiro, 39- “As nossas praias estão abandonadas e o quadro piora com a ação da natureza nos últimos anos. Era outra vida quando eu era criança. No meu caso, falta trabalho. Estão sobrando pedreiros na cidade, mas muita gente de fora pega os serviços”.

Geiza Moreira, auxiliar de escritório, 33- “Temos praias bonitas, mas mal aproveitadas. Falta estrutura para receber os turistas. A cidade está meio jogadinha, apesar de ter tanto espaço”.

Rafael Ribeiro Alves, carpinteiro, marceneiro e pintor, 38- “Além da falta de estrutura turística, Marataízes carece de profissionalismo no atendimento, principalmente no verão. O turista acaba indo para outros balneários próximos. Falta capacitação profissional”.

OPINIÃO

A grama do vizinho

Apesar de concentrar a maior população entre os cinco municípios litorâneos do sul do Estado, Marataízes sempre teve como polo urbano, comercial, educacional e industrial mais próximo a cidade de Cachoeiro de Itapemirim. Conheço muitos profissionais maratimbas que se mudaram para o município vizinho em busca de oportunidades.

Atire a primeira pedra quem nunca brincou com um conhecido do litoral: “Você é um sortudo, mora de frente para a praia!”. Só que, na prática, os “nativos” buscam sempre outras praias, por considerarem a grama do vizinho mais verde e não verem futuro onde para o “forasteiro” é paraíso.

No turismo não é diferente. A desculpa do maratimba não pode ser a orla à espera da reurbanização ou que os balneários vizinhos têm mais shows. Marataízes sempre foi mais família. Quando poderia imaginar que tinha cinema na cidade com o lançamento da vez para a criançada de férias? É preciso encontrar o fio da meada!

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