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E nossa série se despede do litoral sul capixaba com Itapemirim, segundo município em população nessa região, com 34.628 habitantes (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE de 2017).

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Os balneários de Itaoca e Itaipava tornam o município um dos mais procurados pelos turistas no verão. Mas para quem mantém residência fixa na cidade, a incerteza política dos últimos anos criou um clima de insegurança e falta de perspectiva. 

*Por Leandro Fidelis

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Em maio do ano passado, Itapemirim chegou a registrar nota zero em transparência em uma avaliação da Controladoria Geral da União (CGU). Naquele mês, os cofres públicos do município estavam com um rombo de mais de R$ 60 milhões.

Um mês antes, após ser reeleito, o então prefeito Luciano Paiva (PROS) foi afastado do cargo pela Justiça sob investigação em suposto esquema de fraude em licitações.Paiva passou o restante do ano impedido de colocar os pés na prefeitura.

O ex-prefeito já havia sido afastado das funções pela Justiça por cinco vezes, ainda no mandato anterior, após operação do Ministério Público Estadual que investigava uma organização criminosa que lesionava os cofres públicos do município.

O conturbado cenário político não para por aí. Em abril passado, Thiago Peçanha Lopes (PSDB) assumiua prefeitura. E quatro meses depois, a Câmara de Vereadores instaurou uma CPI para investigar o novo prefeito em um suposto caso de nepotismo, a partir da denúncia de um deputado estadual.

De acordo com levantamento junto ao site da Câmara, ao todo foram protocoladas três denúncias em desfavor do prefeito em exercício, sendo uma em tramitação e outras com processos arquivados.

Mais emprego e saúde 

O apanhado dos últimos fatos na política acima justifica as principais reclamações dos moradores ouvidos pela nossa reportagem. A falta de oportunidades de emprego e o setor de saúde deficiente são os pontos mais na avaliação dos itapemirinenses.

“Há muita gente desempregada e com filhos para criar. Tem muita empreiteira vindo pra cá, mas os moradores perdem vaga para pessoas de fora”, afirma o estudante Luiz Ricardo Viana Risperi (20).

O aposentado Washington Meireles (74) lamenta a falta de atendimento de saúde. “A prefeitura atende alguns setores, mas a saúde é precária. Não há atendimento”, diz.

A filha do aposentado, a balconista Artemiza Meireles (21) descreve a situação do hospital da cidade.“O hospital está fechando as portas do pronto-socorro. Já fiz estágio lá e vi muita dificuldade. É referência para Itaipava, Presidente Kennedy, mas numa emergência as pessoas têm que ir para Cachoeiro”, completa.

O prefeito Thiago Lopes, que é médico, faz questão de citar a qualidade da saúde da população como uma das suas preocupações. Segundo ele, para 2018, a prefeitura se compromete a repassar R$ 16,8 milhões ao longo do ano para garantir a manutenção dos serviços e que o pronto-socorro“não feche mais”. “Apesar de o hospital não ser municipal e atender a outros municípios, também já posso adiantar que Itapemirim terá o maior pronto-atendimento do sul do Estado, que será construído na vila ainda neste ano”, declarou Lopes.

No setor de emprego e renda, o prefeito aponta a Casa do Empreendedor como alternativa. Segundo Thiago Lopes, 25 novas empresas foram abertas em menos de um mês após a inauguração do centro.

Economia

A cana-de-açúcar, o leite e a pesca são os principais produtos da economia local.Vale lembrar que Itapemirim possui uma das maiores empresas de exportação do Brasil, situada no distrito de Itaipava, a Atum do Brasil, com estrutura para receptação e envio de pescados. Além disso, o município conta com a usina Paineiras, com o beneficiamento da cana-de-açúcar.

E a expectativa é com o início do funcionamento do Terminal Pesqueiro de Itaipava, obra aguardada por cerca de 2,5 mil pescadores há pelo menos 13 anos. O terminal promete ser um dos principais empreendimentos da região litorânea no sul do Estado. Mais de 200 funcionários foram contratados para as etapas iniciais.

Em uma área de 7.850 m², o local tem capacidade para atender as 400 embarcações locais e o fluxo de cidades vizinhas. Com investimento de R$ 40 milhões, a previsão é que o terminal fique pronto no final deste ano e comece a operar em 2019. 

 Fala morador

Eudinea Gomes, babá, 46 anos- “Na política, está difícil porque não dá para a gente confiar em quase ninguém. Parece que o povo se acostumou a ficar calejado, sempre esperando melhorar. Itapemirim vai mal na saúde e tem muita gente querendo trabalhar”.

 

Almir Teodoro de Souza, pedreiro, 62. “Aqui é uma cidade boa, segura, mas está faltando emprego. Início de ano fica parado. Estou perto de aposentar e arrumar trabalho na prefeitura me traria mais segurança”. 

 

Luiz Ricardo Viana Risperi, estudante, 20- “Itapemirim é uma cidade bastante tranquila, mas queria mais oportunidades de emprego. Há muita gente desempregada, com filhos. Tem muita empreiteira vindo pra cá, mas os moradores perdem vaga para pessoas de fora”.

 

Cristina Rosa, comerciante, 39- “Vivemos em um município parado: obras, saúde, tudo! Empresas deveriam vir pra cá para gerar mais empregos”.

 

Josimar Santos da Mata, comerciante, 49- “Com a instabilidade política e econômica, os comerciantes estão com medo de investir. Ninguém pode fazer dívida. Não podemos cobrar isso da atual administração municipal”.

 

Bruno Louzada de Freitas, pescador, 31- “O município recebe muita verba e não finaliza o Terminal Pesqueiro. Espero por essa obra há treze anos, mas começa e fica pela metade”.

 

Fala prefeito 

“Eu sou Itapemirinense, nascido e criado, e toda a minha família vive aqui. Tudo o que eu faço, faço pensando neles e em todos os meus amigos e munícipes. Todos os meu atos são pensados com responsabilidade e respeito, e o pensamento no futuro do município é inevitável. Espero conseguir colocar em prática tudo o que temos planejado para Itapemirim e que os gestores que vierem a me suceder também trabalhem com a mesma consciência e que possamos ter um município cada vez mais próspero e forte”.

Opinião

Itapemirim parou com Thiago Peçanha

A preocupação dos moradores ouvidos pela reportagem é dividida com partidos, agentes políticos, empresários e cidadãos da sede e do interior: nas mãos do prefeito interino Thiago Peçanha a cidade parou.

Os principais segmentos da vida pública com os quais um gestor deve se preocupar– saúde, educação, segurança, infraestrutura, geração de empregos, etc – amargam a ineficiência do governo atual, que, além de pouco competente para gerir a ‘coisa pública’, está mergulhado em denúncias no Ministério Público e sob instabilidade política constante.

Thiago, que não era nada na vida pública, chegou à política pelas mãos do prefeito afastado Dr. Luciano, e mal assumiu o cargo, após o afastamento do titular, tratou de romper com o grupo que o acolheu, passando a ser conhecido em todo litoral sul como um traidor político.

Enquanto Thiago Peçanha permanece no poder, o povo sofre com a ausência do prefeito titular e torce para que a Justiça defina, logo, a situação política local. Como está, o povo segue sem rumo, sofrendo, reclamando e assistindo um município outrora promissor mergulhado agora em uma crise sem precedentes.

 

 

 

 

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