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O terceiro município litorâneo da nossa série é Piúma, a “Cidade das Conchas”. Com 54 anos de emancipação política, o famoso balneário do sul capixaba tem 21.336 moradores, segundo último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A população praticamente triplica nesta época do ano com a chegada dos turistas, em especial mineiros, que alugam ou se alojam em imóveis próprios. O trânsito na orla sempre intenso e a movimentação no comércio são o termômetro da lotação do balneário.

*Leandro Fidelis

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Piúma vive os dilemas comuns a outras cidades, mas os problemas se acentuam no verão. A demanda por energia elétrica, água, serviços urbanos e atendimento de saúde aumenta na alta temporada e faz a administração pública municipal repensar o atual formato de turismo.

O prefeito de Piúma, José Ricardo da Costa, o “Professor Ricardo” (PDT), descreve o cenário ideal. “Uma cidade que se pretende ser turística tem que saber onde vai chegar. E o maior desafio é conscientizar a população da importância de resgatar o seu passado, sua história e fazer um turismo mais ecológico. Infelizmente, na cabeça das pessoas tornou-se comum o turismo de explosão, de massa, custeado pela própria prefeitura. O maior desafio é reverter isso”, afirma.

Algumas medidas já estão valendo neste primeiro bimestre, como a proibição dos carros de som, com apoio da Polícia Militar. A questão do lixo é outra a ser solucionada, uma vez que as regras aplicadas aos moradores acabam não cumpridas pelos turistas.

“Com mais pessoas na cidade, se torna natural invadir o espaço público ou colocar o lixo de qualquer jeito. Queremos turistas que venham para a cidade com a mesma disposição de como estivesses na cidades deles, preocupados com o lugar”.

Água

O verão desafia a gestão público em Piúma. O ano começou com falta d’água, e muitos turistas chegaram a abandonar a cidade. Na ocasião, a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) informou que a falta de energia dias antes e a demora do restabelecimento danificou uma elevatória de água da Companhia, o que prejudicou o abastecimento para Piúma e Iriri (Anchieta).

No início desta semana, a Cesan anunciou que vai alugar, por R$ 200 mil,um gerador movido a óleo diesel a ser instalado na elevatória e evitar que falte água na cidade durante o carnaval.

A situação é pontual perto de outras necessidades em Piúma. A deterioração do calçadão à beira-mar e a ausência de um projeto paisagístico para a orla são as mais lembradas por quem vive no local nos 12 meses do ano. “Até para caminhar as pessoas têm que desviar da calçada destruída”, diz a professora Elisa Novaes.

“A orla de Piúma precisa melhorar. Entra prefeito e sai prefeito, e a solução fica só na promessa. É necessário um calçadão estruturado para atender os moradores e turistas”, completa Iolanda Tosta, dona de quiosque.

Aplicação dos recursos

Professor Ricardo considera Piúma o “primo pobre” em arrecadação entre os cinco municípios do litoral sul capixaba. A previsão para este ano é de R$ 72 milhões, contra R$ 190 milhões para Anchieta, segundo afirma o prefeito.

Segundo Professor, a receita limitada exige algumas atitudes, como controle de gastos com pessoal. No entanto, em 2017 foi possível a realização das obras de calçamento na cidade. “Saímos de 20 mil metros para 200 mil metros de ruas calçadas. Era prioridade no início do mandato”, conta.

Na área de saúde, a ideia da municipalidade é “redefinir o seu papel”. O prefeito ressalta a necessidade de melhorar a gestão no setor, em especial do hospital local, com a busca de parcerias para reciclar equipes e prestar serviço de qualidade ao munícipe.

Ricardo lamenta o aumento dos gastos com manutenção das vias e a falta de caixa para a urbanização da orla. De acordo com o prefeito, existe um projeto da administração anterior para essa última, cujo investimento previsto (somente na parte paisagística) é de R$ 32 milhões.

“Estamos tentando junto ao Governo do Estado garantir recursos pelo menos para a parte mais complicada, que é o engordamento da orla. Não temos perspectiva de valor e é necessário encontrar jazida com areias propícias para colocar na nossa orla”, afirmou o prefeito.

Começamos a avançar com Piúma no sentido de ser mais que feiras e trio elétrico na temporada de verão. É preciso pensar a cidade lá no futuro, imaginar e planejar esse futuro. Tenho certeza que quando a população pensar lá na frente, numa cidade arborizada, limpa, que reconheça suas lendas, suas belezas naturais e as pessoas que ajudaram a construí-la, teremos uma cidade prazerosa e com perspectiva de turismo o ano inteiro como ocorre em muitas cidades baianas”, Professor Ricardo.

O que diz os moradores

Iolanda Tosta, 33, dona de quiosque- “A orla de Piúma precisa melhorar. Entra prefeito e sai prefeito, a solução fica só na promessa. É necessário um calçadão estruturado para atrair mais turistas”.

Elisa Novaes, 45, professora- “Gosto da tranquilidade de Piúma, mas isso vem sendo quebrado com roubos frequentes. A segurança deveria receber mais atenção do poder público. E a orla precisa de reparos. Piúma vive do turismo e até para caminhar as pessoas têm que desviar da calçada destruída”.

Roberto Romão, 73, pescador aposentado- “Sou nascido e criado aqui, lugar quieto, cujos moradores nos tratam bem, mas Piúma anda muito suja, asfalto quebrado… A prefeitura tinha que organizar isso tudo, porque nossa praia é boa”.

Mayara Salarini, 31, comerciante- “Eu cresci e passei todos os verões aqui, por isso espero melhorias na orla. Os dois últimos prefeitos se revezam na administração pública e sempre embarreiram projetos do outro, uma pena”.

Marinalva Gianizelli Munaldi, 52, pedagoga- “Piúma deveria aplicar multas para quem colocar lixo fora do lugar. Faltam lixeiras nas praias e uma campanha de conscientização acho que solucionaria. O cartão de visita da cidade é a limpeza”.

Hilton Ribet, 35, comerciante- “Piúma está abandonada. As praias, as ruas estão a desejar. Quando as vias são pavimentadas, falta esgoto. Por conta disso, o número de turistas caiu. Eles alugam casa aqui e frequentam outras praias vizinhas”.

Denilson Vicente Coutinho, 46, fisioterapeuta- “Aqui tenho uma vida mais tranquila e confortável. Porém, falta saneamento básico na cidade. Falta água no verão e muitos bairros ainda não têm esgoto”.

OPINIÃO

Meninos, eu vi

Já faz quase 30 anos que pisei, ainda criança, pela primeira vez em Piúma. Por isso, digo com propriedade e memória indiscutível, que conheci um paraíso diferente do cenário atual.

O meu saudosismo me leva a lembranças como as caixas de som (em volume tolerável) na beira da praia- sem quiosques-, ao pastel com caldo de cana e à cata de estrela do mar com a família à noite. Que saudade da Piúma do passado!

Infelizmente, o balneário paga um preço alto pela falta de planejamento de médio e longo prazo em todos os setores. A legislação precária permitiu um “boom” imobiliário e a perturbação do sossego noturno no auge do verão, só para citar dois exemplos.

E a qualidade do frequentador de Piúma decaiu, e não estou falando de classe social. O que queremos para Piúma? Um turista que leva toda a casa no carro para ficar o mês na praia e só emporcalha nossa cidade ou aquele que chega para gastar no local e gerar receita para o município, mas que também colabora para conservar o meio ambiente?

 

 

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