Atenas Capixaba

Sobre atos e afetos: 13 acontecimentos para 2017 ser o ano do teatro em Cachoeiro

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Por Luiz Carlos Cardoso

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Esse foi um ano de quebras, retornos, desmanches, finalizações para começar novas etapas, novos rumos. Um ano difícil, sem dúvida, em diversas vertentes. Destruir – ou ser destruído – para, juntando os pedaços, recolher o melhor, reconstruir. Não foi diferente na cultura cachoeirense: artistas se formando, aparecendo, renovando-se, apostando em novas ideias, vislumbrando um futuro próximo com possibilidades construídas hoje. Veja o nosso teatro: 12 meses de ações quase ininterruptas acontecendo nesse cenário complicado onde a poeira estava toda levantada (ainda está). Apesar da névoa, tivemos a oportunidade de celebrar o que esteve em cena, brilhando nesse ano. Coube a mim fazer uma retrospectiva sobre o teatro em Cachoeiro em 2017. Treze pontos:

1. Ensaio aberto e estreia do espetáculo VERMELHO: começo por mim mesmo, para não perder tempo. Após cinco anos de trabalho, reuniões e conversas, estreei junto ao Grupo Anônimos de Teatro e Companhia do Outro este espetáculo feito por mim em parceria com Leo Bautista, ator e produtor mexicano. Fui ao México onde ensaiamos por três semanas nosso texto. Depois, Leo veio à Cachoeiro por mais três semanas de trabalho. Nesse interim, rolou um ensaio aberto na novíssima Casa dos Braga com bate-papo com o público e a estreia em junho no Teatro Municipal Rubem Braga.

2. Inauguração de nova sede da ASTECA, celebrando 15 anos: após sair de sua antiga sede na Rua 25 de Março, a Associação Teatral de Cachoeiro adquiriu, reformou e inaugurou sua nova sede ainda no Centro da cidade. A festa contou com performances dos atores e atrizes associados, um grande público, em sua maioria pais e amigos de alunos das oficinas oferecidas pela Associação e a presença de Victor Coelho, prefeito que por anos fez teatro associado à Asteca.

3. Estreia do grupo Secreta Trupe: essa foi uma das novidades do ano. Com o espetáculo RESPEITÁVEL PÚBLICO, duas sessões lotadas e, em uma delas, bilheteria destinada para a campanha AME Gabriel Nobre, criança que foi diagnosticada com Artrofia Muscular Espinhal. Ao grupo, fica a expectativa de um novo coletivo de atores que surge na cidade, levando caras novas à cena, revelando nossas verdades, inventando novos momentos.

4. Cia. Experimental de Teatro CIAC: desdobrando seus trabalhos criados para o colégio CIAC Raymundo Andrade, o diretor Mário Ferreira vê nesses jovens alunos a possibilidade de ampliar suas expressões. Nesse ano, eles se destacaram ao levar com muito cuidado artístico os lindos espetáculos ROMEU E JULIETA e SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, ambos de William Shakespeare. O grupo cresce, representando nossa cidade no Festival de Teatro de Curitiba, o maior do país, em março desse ano.

5. Grupos em temporada, teatro cheio: De Palco e Cia. e Cia. Personalidades são alguns dos principais grupos da cidade que lotaram o Teatro Municipal Rubem Braga esse ano. O primeiro, dirigido por Nelson Miranda, investiu nos stand-ups, talvez o único grupo da cidade a trabalhar nessa via. O segundo, sob a liderança de Tonny Campbell, vem mantendo, há anos, as várias apresentações seguidas e diárias para escolas da cidade com suas peças que mesclam comédia rasgada e costumes.

6. Cia. Nós de Teatro com A MENINA QUE QUERIA SER ESTRELA: Brenda Perim e Marco Antônio Reis saíram de Cachoeiro, foram estudar Artes Cênicas em Vila Velha e retornam à Cachoeiro para estrear uma pesquisa desenvolvida em campo acadêmico. Dramaturgia, direção, musicalização e atuação foram pesquisadas em sala de ensaio, livros, escritos e discussões para chegar a uma encenação infanto-juvenil sobre a juventude e o folclore brasileiro. Um salto para um grupo cachoeirense que vem se firmando na cidade, prometendo o novo para 2018.

7. Retorno do Grupo Teatral Artilevitas: após um hiato de 13 anos, a surpresa e a grande notícia. Clementina Lemos voltou. E voltou com tudo! Em cena, o espetáculo O MORTO DO ENCANTANDO MORRE E PEDE PASSAGEM. Plateia lotada para assistir o retorno da diretora, grande nome do teatro na cidade na década de 1990 e início dos anos 2000.

8. Lançamento do livro da Sara Passabon Amorim: sua pesquisa de doutorado, aclamada pela banca da UNIRIO, virou livro pela Lei Rubem Braga e Editora Cousa. Com a apresentação do Caxambu de Dona Maria Laurinda, uma das mestras observadas pela pesquisadora, diretora teatral e educadora, Sara lançou seu livro A performance Bantu do Caxambu: entre a ancestralidade e a contemporaneidade na Casa dos Braga.

9. Contação de Histórias na Casa dos Braga: a cidade recebeu o Circuito Estadual de Contação de Histórias e Narrativas 2017 com alunos de escolas públicas lotando os espaços da Casa dos Braga para ouvir as palavras contadas por diversos artistas capixabas. Destaque para Maria Elvira Tavares Costa, lutadora cuja arma é a palavra falada da forma mais poética possível. Nós, os alvos, agradecemos pelo golpe de afeto. Direto no peito.

10. Pé de Livro com contação de histórias em praças e escolas públicas municipais: uma das iniciativas da Prefeitura Municipal pré-Bienal Rubem Braga incluiu levar livros a todas as praças do município e distritos. Com as publicações, atores lendo e contando histórias para o público presente. Uma louvável ação, que dignifica a palavra como personagem principal desse grande evento que vem aí no próximo ano.

11. Teatro Municipal Rubem Braga com pauta lotada o ano inteiro: o teatro celebrou 17 anos de atividades ininterruptas. Este palco, o único do tipo na cidade, que já recebeu diversas atrações nacionais e internacionais, esteve esse ano sob a direção de Celi Serafim e Mário Ferreira. Seus profissionais se esmeram na conservação de um espaço que é o pulmão da cidade. Ali, de fronte à cena, a cidade respira melhor.

12. Centro Cultural Nelson Sylvan em obras: a antiga sede da Associação Teatral de Cachoeiro e de outras ações culturais é a promessa para 2018. Atualmente em obras, o espaço anexo ao centenário prédio do Centro Operário e de Proteção Mútua vem sendo reformulado para dar espaço a uma estrutura que abrigue atividades para o teatro e a dança.

13. Teatro nas escolas: por fim, vale destacar o trabalho de professores de teatro em escolas públicas e particulares na cidade, que utilizam a arte-educação como metodologia de ensino: alunos em prática extraclasse, adquirindo outros conhecimentos pós-acadêmicos. Possivelmente, futuros artistas que fazem nossa cidade crescer e cintilar nos cenários artísticos.

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