FÁBIO FABRINI E RUBENS VALENTE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-governador de Mato Grosso do Sul André Puccinelli (PMDB) recebeu propinas em dinheiro vivo e mais R$ 20 milhões em doações eleitorais em troca de favorecer a JBS e outras empresas do grupo com incentivos fiscais, conforme investigação da Polícia Federal. Parte dos recursos teria sido recolhida em São Paulo e levada em caixas e mochilas por um suposto operador do peemedebista.

As suspeitas desencadearam nesta terça (14) a 5ª fase da Operação Lama Asfáltica. O ex-governador e o filho dele, André Puccinelli Júnior, foram presos preventivamente em Campo Grande por envolvimento no esquema investigado.

A PF se baseou no material apreendido em etapas anteriores da investigação, nas delações premiadas de executivos da JBS e nos depoimentos de um novo colaborador pera deflagrar a operação, batizada de "Papiros de Lama". Trata-se do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, que confessou ter atuado como gerente do esquema e "mula" do dinheiro pago ilicitamente, fazendo entregas ao peemedebista.

"Entre 2006 e 2013, ele recebia valores de propina da JBS e entregava ao senhor Puccinelli em espécie ou [por meio] de depósitos", disse o delegado Cléo Mazzoti. Segundo ele, as contas para os pagamentos ilícitos eram indicadas pelo próprio ex-governador.

A JBS teria pago em propinas o equivalente a 30% dos incentivos fiscais que recebia. O novo delator teria recebido comissões variáveis pelos serviços de entrega, que podiam ser de R$ 60 mil, R$ 80 mil ou R$ 200 mil.

O acordo foi homologado pela Justiça Federal em Campo Grande, que autorizou os mandados de prisão contra os envolvidos.

Para a PF, André Puccinelli tinha papel de comando na "organização criminosa", que teria continuado recebendo propinas mesmo após a primeira fase da Lama Asfáltica ser desencadeada, em 2015. Há registros, segundo investigadores, de pagamentos ilícitos até o ano passado. "Apesar de o grupo investigado não estar no governo, havia pagamentos", declarou o delegado em coletiva à imprensa.

A JBS teria feito pagamentos também a um instituto ligado a André Puccinelli Júnior. A entidade comprava livros do filho do ex-governador, que faturava com direitos autorais. A manobra inspirou o nome da nova fase da operação, "Papiros de Lama".

A operação também apura desvios de recursos de empresas ligadas ao governo de MS, entre elas a Águas Gariroba, concessionária responsável pelo abastecimento de água e coleta de esgoto em Campo Grande.

A reportagem ainda não localizou representantes do ex-governador e de seu filho.

Andre Puccinelli governou o Mato Grosso do Sul de janeiro de 2007 a janeiro de 2015. Conforme a PF, os recursos para doações eleitorais foram pagos pela JBS na "última campanha" ao governo.
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