SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O gerente-geral da Odebrecht na República Dominicana, Marcelo Hofke, foi interrogado nesta terça-feira (10) por autoridades locais, que tentam identificar funcionários públicos que teriam recebido US$ 92 milhões em propinas da construtora entre 2001 e 2004.

O procurador-geral da República Dominicana, Jean Alain Rodríguez, disse, no entanto, que as declarações de Hofke "não foram satisfatórias".

Para esta quarta-feira (11), estava marcado o interrogatório do empresário dominicano Ángel Rondón, representante comercial da Odebrecht no país. Segundo Rodríguez, Rondón foi identificado por Hofke como "a pessoa que recebeu os 92 milhões". A justiça dominicana quer, portanto, que o empresário informe o nome dos subornados.

Investigações apontam que a Odebrecht teria pago propinas no país durante os governos de Hipólito Mejía (2000-2004), Leonel Fernández (2004-2012) e no primeiro mandato do atual presidente, Danilo Medina, que foi eleito em 2012. Em 2016, após campanha coordenada pelo marketeiro brasileiro João Santana, foi reeleito.

A Odebrecht é a responsável pela execução da obra da central termelétrica de Punta Catalina, cujo custo de construção é de US$ 2 bilhões. Nesta terça (10), Medina anunciou a criação de uma "comissão de figuras independentes" para investigar o contrato da termelétrica.

"Tomamos a decisão levando em conta que essa obra é o maior investimento realizado no país nos últimos anos e que foi adjudicada no ano de 2013, sendo, portanto, responsabilidade da presente administração", afirmou o presidente em uma carta aos membros da comissão.

O consórcio vencedor da obra é formado pela Odebrecht e pelas empresas Technimont e Grupo Estrella.

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