SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Adversários do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocaram novos protestos para esta quinta-feira (20), um dia depois de confrontos entre policiais e manifestantes deixarem três mortos e 200 feridos no país.

"Diante da selvageria da repressão, pedimos mais democracia", declarou na quarta (19) o líder opositor Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda. "Não há nenhuma justificativa para que se derrame uma gota de sangue neste país, pois os venezuelanos têm direito a um futuro diferente."

A defensoria pública anunciou a detenção de Iván Alexis Pernía Avila, suspeito de matar Paola Ramírez Gómez, 23. Ela foi baleada na cabeça durante um protesto opositor na quarta-feira (19) na cidade de San Cristóbal, no oeste do país.

A onda de protestos iniciada há cerca de 20 dias, após o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela cassar a Assembleia Nacional, deixou ao menos nove mortos, incluindo um guarda.

Embora a corte, controlada por aliados do chavismo, já tenha revertido sua decisão, a oposição segue organizando protestos para exigir a liberação de presos políticos e a convocação das eleições regionais. O pleito estava programado para dezembro, mas foi prorrogado duas vezes pelas autoridades eleitorais.

A União Europeia expressou nesta quinta-feira (20) preocupação com a violência na Venezuela. "Pedimos aos venezuelanos que se unam para desescalar a situação e encontrar soluções democráticas, respeitando a Constituição", disse à agência de notícias AFP a porta-voz da chancelaria da UE, Nabila Massrali.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que o governo venezuelano "viola" a Constituição do país ao "impedir que se escute a voz da oposição".

A ONG Anistia Internacional alertou em nota que "a onda de violência e repressão nas manifestações na Venezuela está mergulhando o país em uma crise de difícil retorno que ameaça a vida e a segurança da população".

O governo Maduro, que também tem convocado seus apoiadores para "defender a pátria nas ruas", acusa a oposição de estimular a violência nos protestos. Além disso, as autoridades dizem que os comentários dos Estados Unidos sobre a situação no país representam um "intervencionismo sistemático".

Por sua vez, a oposição culpa Maduro pela violência, acusando o governo de armar milícias e ordenar que as forças de segurança reprimam os protestos.
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