DANIELA KRESCH

TEL AVIV, ISRAEL (FOLHAPRESS) - Somando os três anos de seu primeiro mandato (1996-1999) e os oito desde que voltou a ser premiê (2009 até hoje), Binyamin "Bibi" Netanyahu já superou, em tempo no poder, o mitológico premiê David Ben Gurion, fundador de Israel. Pode ser, no entanto, que a era Bibi esteja chegando ao fim antes do tempo planejado pelo líder do partido conservador Likud.

O motivo seriam quatro ações judiciais --apelidadas pela polícia de "1000", "2000", "3000" e "4000"-- que envolvem alegações de corrupção, quebra de confiança e abuso de poder e que podem, em breve, se transformar em indiciamentos.

A possibilidade está levando a política israelense a ventilar, nos bastidores, nomes de possíveis sucessores.

Desde o começo deste ano, o premiê já foi interrogado duas vezes pela polícia em sua casa, em Jerusalém. Netanyahu nega qualquer envolvimento e aponta a oposição e a mídia como responsáveis pelas acusações.

"Não haverá nada porque não há nada", disse ele em recente reunião de gabinete. "Essa é uma campanha orquestrada com membros da imprensa que agem mais como detetives, juízes e carrascos do que como jornalistas."

Mas os rumores têm arranhado a popularidade de Netanyahu. Segundo pesquisa do jornal "Globes" e do "Canal 2", 54% não acreditam no premiê quando ele nega envolvimento e 44% dizem que ele deveria renunciar.

Um dos sucessores potenciais é Yair Lapid, ex-âncora de TV que acumula vitórias políticas com seu partido, o centrista Há Futuro. No momento, a legenda tem 11 das 120 cadeiras do Parlamento, a quarta maior bancada.

Mas os principais competidores são da direita, principalmente membros do Likud. Isso porque, de acordo com a lei local, se um premiê deixa o cargo, o partido pode simplesmente escolher internamente um novo líder. Três nomes são os mais cotados: o do ministro da Segurança Gilad Erdan (número 2 da legenda); o do popular ministro dos Transportes, Israel Katz (que já anunciou candidatura); e o do presidente do Parlamento, Yuli Edelstein.

NOVAS ELEIÇÕES

Previstas para 2019, as eleições ainda poderiam ser antecipadas, segundo relatos da imprensa israelense neste fim de semana, devido a outro fator: a tensão entre o Likud e o Todos Nós, do ministro da Economia, Moshe Kahlon.

No centro da crise na coalizão governista está a disputa sobre a reforma da rádio e TV públicas de Israel. Netanyahu anunciou no sábado (18) que mudou de ideia e não irá mais apoiar a substituição do órgão estatal, como defende o partido de Kahlon, e sim uma reforma.

Em uma reunião do gabinete, Netanyahu teria ameaçado dissolver o governo se a legenda de Kahlon não apoiasse a posição governista.

Por trás desse movimento, dizem opositores, estaria a oportunidade para o primeiro-ministro escapar dos possíveis indiciamentos da Justiça, que seriam vistos como uma tentativa de interferência no processo eleitoral.

No páreo em caso de uma nova eleição, estariam ainda dois nomes da extrema direita que integram o governo: o ministro da Educação, Naftali Bennet (Casa Judaica), e o ministro da Defesa, Avigdor Liberman (Israel Nossa Casa).

"Eu não me apressaria em enterrar politicamente Netanyahu. Ele sabe dar a volta por cima. Mas certamente há uma movimentação política sobre o dia seguinte e ele está enfrentando a luta de sua vida", afirmou o analista político Sefi Ovadia à rádio 103FM.
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