RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pivô da recente guerra na favela da Rocinha, no Rio, o traficante Rogério Avelino dos Santos, o Rogério 157, foi preso na manhã desta quarta-feira (6) na comunidade do Arará, na zona norte da cidade, durante uma megaoperação das forças policiais em comunidades da capital fluminense.

Rogério Avelino dos Santos era procurado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, extorsão e homicídios. Ele é apontado como um dos responsáveis por uma disputa territorial na favela da Rocinha, na zona sul, que tem provocado mortes e afetado o acesso dos moradores a serviços.

A disputa já deixou 20 mortos e 14 feridos desde setembro.

O traficante estava foragido e era o criminoso mais procurado do Estado do Rio. A Secretaria Estadual da Segurança Pública do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) chegou a oferecer R$ 50 mil de recompensa para informações sobre o paradeiro dele. Segundo a polícia, o traficante não ofereceu resistência à prisão.

Por causa da operação, o atendimento em clínicas da região foram afetadas. Além disso, há sete escolas, 11 creches, dois Espaços de Desenvolvimento Infantil e um total de 5.998 alunos sem aulas.

Em coletiva de imprensa após a prisão, o secretário de Segurança, Roberto Sá, classificou a prisão como "emblemática": "Embora não goste de enaltecer nem glamurizar criminoso, é um criminoso que há mais de dez anos vem causando problemas para o Rio."

Disse, no entanto, que a prisão de Rogério não necessariamente significa que a cidade ficará mais segura. "A história do Rio, infelizmente, mostra que essas pessoas são sucedidas, outros surgem. Por isso suplico por maior compreensão: há fatores [em] que não interferimos, como o acesso às armas que esses criminosos têm."

Afirmou também que vai pedir a transferência de Rogério para um presídio federal, o que, segundo ele, poderia dificultar sua articulação com outros criminosos.

Desde setembro, a Rocinha tem sido palco de tiroteios e assassinatos pela disputa territorial pelo comando da venda de drogas entre os traficantes Antônio Bonfim Lopes, o Nem, e Rogério 157. Diversas favelas do Rio são atualmente palcos de disputas entre facções. A ruptura de Nem e Rogério agravou mais ainda essa situação.

Nem, até então líder da facção ADA (Amigos dos Amigos), foi preso em 2011. Segundo as investigações da polícia, o comando do tráfico na região então passou para as mãos de Rogério 157, ex-segurança pessoal de Nem e um dos participantes da invasão, por traficantes locais, do Hotel Intercontinental, em São Conrado, em 2012, motivada pela interceptação pela polícia de um bonde de traficantes que voltavam de uma festa no Morro do Vidigal.

Do presídio federal de segurança máxima em Rondônia, Nem vinha demonstrando insatisfação com o comando de 157, que passou a cobrar dos moradores por serviços como fornecimento de água e mototáxi, e já tinha emitido ordens para destituí-lo.

Até que, em agosto deste ano, Nem deu ordem para que Rogério deixasse o morro, o que ele ignorou. Três aliados de Nem foram encontrados mortos depois disso. Segundo a polícia, as mortes foram executadas a mando de Rogério 157.

No mês seguinte, traficantes da ADA da Rocinha e de outros morros se uniram para invadir a favela e expulsar Rogério 157. Bandidos do Comando Vermelho ofereceram abrigo ao grupo de Rogério em outras comunidades. O traficante teria se tornado membro do Comando Vermelho. Segundo moradores, essa facção atualmente controla a maior parte das bocas de fumo da Rocinha.

Depois de seis dias de confrontos, 950 homens das Forças Armadas cercaram os acessos à Rocinha para tentar prender os envolvidos na disputa.

Rogério 157 foi preso numa casa onde estava escondido, na favela do Arará, na zona norte. Segundo a polícia, ele estava desarmado e demonstrou surpresa ao ser reconhecido. De acordo com os agentes, ele vinha tomando medidas para alterar sua aparência, como apagar tatuagens. Ele não resistiu à prisão, mas, segundo o delegado Gabriel Ferrando, tentou subornar os agentes, dizendo "vocês podem fazer suas vidas aqui".

Ainda não está claro qual será o impacto dessa prisão na disputa na Rocinha e em outras favelas da cidade. Hoje, segundo a polícia, as bocas de fumo da favela são controladas pelo Comando Vermelho, facção à qual Rogério se associou.

A Polícia Militar, que atua hoje com 550 agentes na favela, 67 viaturas e duas aeronaves, cogita rever sua presença no local. Além de Rogério, outros seis suspeitos foram presos na operação e dois menores de idade foram apreendidos. Também foram apreendidas armas e drogas.

SELFIES

Após a operação, os agentes que participaram da captura do Rogério posaram para fotos ao lado do preso. Em algumas fotos, o traficante sorri. Na coletiva de imprensa sobre a prisão, o secretário de Segurança descreveu o comportamento como uma "euforia compreensível".

"A gente tem que compreender e represar [esse comportamento]." A Polícia Civil disse apenas que a atitude dos policiais será alvo de investigação da Corregedoria.

CRISE

O Rio enfrenta uma grave crise financeira, com cortes de serviços e atrasos de salários de servidores, e está perto de um colapso na segurança pública.

Um outro efeito dessa crise tem sido o aumento dos índices de criminalidade e a redução do número de policiais em favelas ocupadas por facções criminosas. As UPPs, base policiais em comunidades controladas pelo tráfico, perderam parte de seu efetivo.

Nos últimos meses, têm sido rotina mortos e feridos por bala perdida, além de motoristas obrigados a descer de seus carros para se proteger dos tiros.

Outro braço dessa crise é a morte de policiais. Só neste ano já foram ao menos 121 PMs assassinados no Estado. A situação de insegurança também levou o presidente Michel Temer (PMDB) a autorizar o uso das Forças Armadas para fazer a segurança pública do Rio até o final do ano que vem.
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