JANAÍNA RIBEIRO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de mortes em acidentes de trânsito na capital paulista aumentou em março, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 87 mortes neste ano, contra 81 em 2016 (crescimento de 7,4%). As informações são do Infosiga, banco de dados do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Os dados apontam que, de janeiro para cá, a tendência é de reversão na redução de mortes. Em janeiro deste ano houve 60 mortes em acidentes de trânsito na capital (21 a menos que no mesmo período de 2016).

Em fevereiro, 74 (3 a menos). Agora, houve aumento de 6. No dia 25 de janeiro, o prefeito João Doria (PSDB) aumentou o limite de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros (para 90 km/h na pista expressa, 70 km/h na pista central e 60 km/h na pista local).

De acordo com o Infosiga, em março deste ano, três motociclistas morreram nas marginais Pinheiros e Tietê. Em janeiro e fevereiro deste ano foram registrados um caso em cada mês. Os acidentes nas marginais no primeiro trimestre do ano anterior não foram mapeados e não constam no banco de dados do governo -esse levantamento por vias passou a ser feito a partir de agosto do ano passado.

A maioria das vítimas do trânsito em março foi de homens (69 do sexo masculino contra 18 do sexo feminino). Jovens entre 18 e 24 anos também são os que mais morrem em relação a outras faixas etárias (só em março foram 17 casos registrados), segundo o Infosiga.

ATROPELAMENTOS

O número de mortes em atropelamentos explodiu em março deste ano, ainda de acordo com o Infosiga. Foram 43 ocorrências, contra 28 do mesmo período do ano passado, um aumento de 50%. Os dados mostram, também, que os motociclistas ficam em segundo em número total de óbitos em acidentes. Neste caso, houve redução: foram 27 casos registrados neste ano, ante 31 em março de 2016.

Para o diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), Dirceu Rodrigues Alves Junior, a quantidade de acidentes de trânsito não diminui devido a "uma desorganização generalizada" em relação à gestão no setor e à interpretação de dados.

"Um achólogo vem e fala que o aumento de velocidade nas marginais não influencia no número de mortes por acidente. Isso é um absurdo, um despreparo. É necessário que as autoridades obedeçam o que a ciência e a física comprovam em estudos de anos, e não focar em achismos", diz. Segundo ele, é responsabilidade do Estado, do município e do cidadão mudar a cultura da mobilidade.

RESPOSTA

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) não comentou os dados. Segundo o órgão, "não compete à CET comentar um estudo feito por outro órgão". A companhia diz ainda que "cabe ao autor da pesquisa explicar as metodologias empregadas".
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