Com o sonho da casa própria distante e cansados das constantes promessas da Prefeitura de Castelo de entregar as unidades habitacionais de Cava Roxa, aproximadamente 70 famílias invadiram os imóveis no último final de semana.

De acordo com o site do Ministério do Planejamento, o investimento na construção das casas populares é de R$ 2.481.930,61 e o município é o responsável pela execução do contrato.

Em abril deste ano, assim que completou 100 dias de governo, o prefeito Luiz Carlos Piassi (PMDB), em entrevista no estúdio do Grupo Folha do Caparaó, ao portal aquinoticias.com, prometeu que colocaria fim na novela das casas populares de Cava Roxa.

“Depois de oito anos, nós vamos entregar ainda este ano as 123 casas de Cava Roxa para famílias de baixa renda. Nós vamos da outro tratamento para aquela obra para que seja motivo de orgulho para Castelo”, prometeu Piassi, em abril.

Ontem, no entanto, por meio de sua assessoria de imprensa, Luiz Carlos Piassi estipulou uma nova data para entrega da obra: julho de 2018.

“Grande parte das famílias que ocuparam as casas do Conjunto Habitacional Cava Roxa é beneficiária do programa habitacional. O cadastro referente aos beneficiários é controlado pela Caixa Econômica Federal, que detém todas as informações das pessoas inscritas no Programa. Sendo assim, a ocupação não pode ser mantida, pois as famílias que encontram-se inscritas e que aguardam ansiosamente a entrega das casas, serão prejudicadas”, limitou-se a dizem, em nota, a municipalidade.

A desempregada Joana D’arc Vicente, 39 anos, que representa as famílias que ocuparam os imóveis, afirma que os inscritos no programa habitacional estão cansados de promessas. “Desde 2005 estamos inscritos na prefeitura para conseguir a tão sonhada casa. Entra prefeito, sai prefeito, e nada. Não dá para acreditar em ninguém. Nossa revolta é que tem uma família que reside aqui há cerca de três anos”, afirmou.

Muitas casas estão sem portas, janelas e não possuem energia elétrica, água e esgoto. Parte das ruas do conjunto habitacional ainda não foi pavimentada e não há iluminação pública. Os moradores estão tomando banho na casa de amigos e familiares e, para cozinhar, alguns improvisaram fogões com tijolos.

“Daqui ninguém nos tira. Vamos continuar aqui. O que nós queremos agora é que a prefeitura ligue a água, energia, rede de esgoto e iluminação pública. Estamos nos virando, comendo apenas macarrão, e tem alguns passando até por necessidade. Precisamos da atenção do prefeito, pois na campanha todos os políticos nos procuram”, reclama a lavradora Marilsa Ferreira Silva, 39 anos.

A preocupação de muitos moradores é com as crianças, idosos e deficientes físicos, que também participaram da invasão das casas. “Tem muitas crianças sem ir para a escola e pessoas doentes entre os moradores. A atenção da prefeitura é muito importante neste momento, pois não queremos sair daqui. Já passei por duas enchentes e estava morando de favor na casa de meus filhos. Essa casa é o meu sonho”, disse a dona de casa Lúcia Chamon, 54 anos.

Em relação às reivindicações dos moradores, a municipalidade não se manifestou.

Fotos: Wanderson Amorim

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