No dia 16 de julho, em que se comemora o 321º aniversário da cidade de Mariana, primeira capital do estado de Minas Gerais, o governo mineiro homenageia personalidades e instituições que contribuíram para o desenvolvimento do estado, com a entrega da comenda do “Dia de Minas”. Entre os condecorados está o vice-governador do Espírito Santo, César Colnago.

A condecoração acontece durante a cerimônia cívica oficial do “Dia do Estado Minas Gerais” - assim denominada para lembrar todas as regiões mineiras-, às 10h, na Praça Minas Gerais. O governador Fernando Pimentel e o prefeito Duarte Junior “Du” presidem a solenidade.

Dia de Minas

A cidade desperta ao som dos sinos, às 9 horas, para celebrar, no Santuário de Nossa Senhora do Carmo, a missa solene em honra à padroeira. Com devoção e fé, moradores se unem às autoridades em orações na cerimônia que remonta a uma tradição secular. Em seguida, acontece a sinfonia dos sinos, que soam por 10 minutos em homenagem à cidade de Primaz das Gerais, fundada em 1696 pelos bandeirantes paulistas em busca de ouro, e que fizeram deste o primeiro núcleo urbano politicamente organizado.

Com base em razões históricas identificadas e pelas diversas primazias de Mariana, especialmente por ter sido o primeiro núcleo urbano organizado, instituiu-se ao dia “16 de julho” como o "Dia do Estado de Minas Gerais". A comemoração foi instituída em 1979 pela Lei Estadual 7.561. Neste dia, Mariana volta a ser a principal cidade do estado, e conforme determina o artigo 256 da Constituição Mineira, com a transferência da capital para o município.

MARIANA - Primeira capital, primeira vila, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. A história de Mariana, que tem como cenário um período de descobertas, religiosidade, projeção artística e busca pelo ouro, é marcada também pelo pioneirismo de uma região que há três séculos guarda riquezas que nos remetem ao tempo do Brasil Colônia.

Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro em um rio batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo.

Às suas margens nasceu o arraial de Nossa Senhora do Carmo, que logo assumiria uma função estratégica no jogo de poder determinado pelo ouro. O local se transformou em um dos principais fornecedores deste minério para Portugal e, pouco tempo depois, tornou-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital.

Em 1711, o arraial de Nossa Senhora do Carmo foi elevado à Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo. Em 1745 o rei de Portugal, Dom João V, elevou a vila à categoria de cidade, nomeando-a como Mariana, uma homenagem à rainha Maria Ana D’Austria, sua esposa. Transformando-se no centro religioso do Estado, nesta mesma época a cidade passou a ser sede do primeiro bispado mineiro. Para isso, foi enviado, do Maranhão, o bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua trajetória realizada por terra durou um ano e dois meses e foi considerada um feito bastante representativo no Brasil Colônia. Um projeto urbanístico se fez necessário, sendo elaborado pelo engenheiro militar português José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas em linha reta e praças retangulares são características da primeira cidade planejada de Minas e uma das primeiras do Brasil.

Além de guardar relíquias e casarios coloniais que contam parte da história do país, em Mariana nasceram personagens representativos da cultura brasileira. Entre eles estão o poeta e inconfidente Cláudio Manuel da Costa, o pintor sacro Manuel da Costa Ataíde e Frei Santa Rita Durão, autor do poema “Caramuru”.

Em 1945, Mariana recebe do presidente Getúlio Vargas o título de Monumento Nacional por seu “significativo patrimônio histórico, religioso e cultural” e ‘‘ativa participação na vida cívica e política do país, contribuindo na Independência, no Império e na República, para a formação da nacionalidade brasileira’’.

Tudo isso faz da “primeira de Minas” um dos municípios mais importantes do Circuito do Ouro e parte integrante da Trilha dos Inconfidentes e do Circuito Estrada Real. Uma cidade tombada em 1945 como Monumento Nacional, repleta de riquezas do período em que começou a ser traçada a história de Minas Gerais.

loading...

Participe e comente