O presidente da República, Michel Temer (PMDB), em pronunciamento em rede nacional afirmou nessa quinta-feira (18), que não vai renunciar ao mandato, mesmo após delação premiada dos proprietários do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista, de que Temer deu aval para a compra do silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, autorizou abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer, tornando-o investigado pela Justiça.

Políticos capixabas comentaram o assunto. O vice-governador em exercício, César Colnago (PSDB), emitiu nota alegando que “defende a apuração de todos os fatos, independentemente dos partidos que estiverem envolvidos nas denúncias.”

A delação dos proprietários da JBS envolve também o senador Aécio Neves, afastado ontem do cargo pelo STF. Neves foi gravado pedindo ao dono da JBS R$ 2 milhões. No áudio, com duração de cerca de 30 minutos, ele justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato.

Do mesmo partido de Temer, o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Erick Musso lamentou o momento pelo qual passa o país. “O Brasil vive um dos momentos mais sérios de sua história politica, mergulhado em uma crise de desconfiança sem precedentes. Defendo todas as investigações da Lava-Jato e o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público na mesma medida em que defendo o direito à ampla defesa dos investigados, sejam eles políticos ou cidadãos comuns”, defendeu.

O deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) foi mais incisivo. “É triste e vergonhoso que, após três anos de Operação Lava Jato, agentes políticos sejam capazes de cometer crimes para parar a operação. É muita certeza da impunidade. Existe um ambiente real para o impeachment do presidente Temer. O ideal seria se o presidente tivesse a decência e renunciasse ao cargo. Defendo novas eleições para escolha do presidente”, opinou o pedetista.

Já o senador Ricardo Ferraço (PSDB), relator da Reforma Trabalhista no Senado, acredita que, com essas denúncias, qualquer outro assunto se torna secundário. “A crise institucional que estamos enfrentando é devastadora e precisamos priorizar a sua solução, para depois darmos desdobramento ao debate relacionado à reforma trabalhista. Todo o resto agora é secundário.”, escreveu o senador em sua rede social.

Tendo um relacionamento bem próximo de Temer, a senadora Rose de Freitas (PMDB) cobrou esclarecimentos do presidente. “É um momento de perplexidade, de angústia, dúvida e incerteza. O apelo que fazemos é que o presidente esclareça ao país, que, se essas fitas existam, que elas apareçam. Estamos cheios de perguntas sem respostas. O país merece a verdade”, disse a senadora. Sobre uma possível nova eleição, Rose declarou: “No momento que tiver eleição, que não haja eleição indireta. Não tire de dentro do Congresso presidente e vice, deixa o povo decidir. (Rodrigo) Maia (presidente da Câmara dos Deputados) não tem condição de conduzir uma eleição indireta para escolher um novo presidente.”

Deputado federal de oposição, Hélder Salomão (PT), classificou as denúncias como graves. “As denúncias são gravíssimas, é como se tivesse caído uma bomba em Brasília. Nós, do PT, junto com outros partidos, vamos apresentar um pedido de impeachment, pois não estamos falando mais de convicções, mas de provas de corrupção do presidente Temer.”, declarou o parlamentar.

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