Um grupo de 23 alunos de uma empresa júnior da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), desenvolveu e doou um projeto arquitetônico em duas e três dimensões, que irá viabilizar a solicitação do tombamento histórico do Castelinho, construção do século XX, que faz parte da história de Alegre.

Situado no Campus da Ufes no município, atualmente o prédio, construído nos anos de 1930 e que imita um castelo  do oriente médio, abriga o setor de Assistência Social e de Saúde da universidade. A preço de mercado, o projeto, que além da parte arquitetônica aborda o conteúdo histórico com inclusão de documentos antigos, custaria algo em torno de R$ 20 mil.

A reconstrução histórica com recursos tridimensionais do prédio foi feita pelos estudantes que integram a Cinética Jr. E demorou cerca de cinco meses para ficar pronto. Agora, a empresa está empenhada na produção de um vídeo com a dinâmica da arquitetura em 3D, desde a sua base.

O gerente de marketing da Cinética Jr., Henrique Estanislau Firmino Pinto, de 19 anos, que cursa o 3º período de Engenharia Química, conta que a ideia do projeto surgiu a partir de uma conversa informal do presidente da empresa, Fernando Linz Noé, com a diretora da universidade. “Decidimos doar o projeto porque a precificação foi em torno de R$ 20 mil. Isso seria um faturamento ótimo para a empresa, mas ao apresentar o projeto para a diretora do Campus ela informou que adorou mas não teria como pagar. Então decidimos doar o projeto”, disse Henrique.

Reestruturação tridimensional

Os alunos fizeram a planta do prédio em 2D e 3D, incluindo todas as medições e informações topográficas. “E como nós (membros da empresa júnior) somos capacitados a mexer com o AutoCad (programa utilizado para a criação de plantas imobiliárias) e temos um técnico especializado, projetista e presidente da empresa, Fernando Linz Noé, pudemos desenvolver este projeto”, explicou Henrique. Ele contou foi usado como base o projeto antigo da construção e criado outro de como ela está hoje. Durante o levantamento das informações, os alunos observaram que algumas paredes da estrutura original não existe mais, devido a uma reforma realizada para o prédio receber a parte administrativa da Ufes.

O Campus foi construído em volta do prédio. “Antigamente aquela área era apenas um morro vazio e o dono do Castelinho, Felício Alcure, construiu o que era um sonho pra ele. Demorou dez anos para construir. Começou com um pedacinho da cozinha, depois fez a parte principal, em seguida as pilastras laterais”, lembra Henrique.

Segundo ele, o apoio e coordenação dos professores Christiano Jorge Gomes Pinheiro e Audrei Gimenez Baranãno, foi muito importante para o desenvolvimento do trabalho.

História

Com base nos levantamentos históricos do projeto, os alunos apontaram Castelinho como símbolo representativo da cultura, do poder e da identidade memorial da região. “O devido local pode ser considerado uma reprodução em pequena escala de um castelo medieval do Oriente Médio. Ele já foi e continua sendo um cartão postal de Alegre, fazendo parte de sua paisagem natural e agregando diversas histórias no contexto cultural e histórico tanto da cidade como da universidade local”, destaca o gerente de marketing da Cinética Jr..

De acordo com ele, pelos dados históricos, o idealizador da construção, Felício Alcure, que era libanês, foi casado com Francisca Teixeira de Lacerda, neta de um dos fundadores da cidade de Alegre.

No início dos anos 30 o genro, Jorge Felipe Kafuri, viajou pela primeira vez para Alegre e, à pedido de Felício, passou a tomar conta da obra iniciada no alto de um morro.

Curiosidade

Há registros em jornais antigos, onde o proprietário do imóvel conta que haviam muitas formigas no local, então ele jogava cimento nos formigueiros e construía por cima. Foram mais de dez anos para a conclusão da obra.

 

 

 

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