Com apenas 22 anos, Lorrana Dias, natural de Alegre, já tem várias conquistas como jogadora de futsal. Além de títulos nacionais e regionais em categorias de base e adulta, a atleta ganhou, em 2015, a maior premiação da carreira até aqui: a Copa Libertadores da América de Futsal Feminino, principal competição sul-americana.

Os títulos foram conquistados em clubes de Santa Catarina, para onde Lorrana se mudou aos 14 anos. A jovem, que começou a demonstrar seu talento na quadra do bairro Guararema, foi descoberta pelo professor de educação física e treinador Nilton Rodrigues Ribeiro. Ainda menina, passou a disputar competições por times das escolas em que Nilton trabalhava, e nas quais recebia bolsas de estudo. Foi o próprio treinador que a ajudou com a mudança para a cidade de Criciúma, em 2009, onde defendeu o time da Unesc por quatro anos.

“No início foi bem difícil, nunca tinha ficado tanto tempo longe de casa, além de ser uma cultura totalmente diferente. Por fim, tinha muitos sonhos na bagagem e fui me adaptando à escola, treinos e competições”, afirma Lorrana, que está aproveitando as férias na cidade natal, onde ainda mantém contato com amigos, antigas companheiras de quadra, seu primeiro treinador e conhecidos do município.

A jogadora diz ainda que, inicialmente, a família teve um pouco de medo. Mas, ao perceberem que a atividade dela estava se tornando algo sério e lhe dava felicidade, passaram a apoiar. “Me incentivaram e incentivam até hoje”, complementa.

 

Desvalorização

Lorrana Dias, que atua como ala do clube Barateiro Futsal, da cidade de Brusque, consegue viver apenas do esporte. Além do salário que, segundo ela, é o suficiente para “se manter e aproveitar a vida” (mesmo não sendo elevado), a jogadora tem as despesas com alimentação, moradia e mensalidade da faculdade de Educação Física todas custeadas pelo clube. A jogadora também recebe passagens para visitar a família nos fins de ano. Ainda assim, ela comenta que o futsal feminino é muito desvalorizado no Brasil.

“Tudo é abaixo do que se espera. Investimento, estrutura, divulgação... Não só pra rendimento adulto, mas também em categorias de base. Muitos migram pra fora do Brasil atrás de excelente estrutura e melhores salários. Mesmo assim, as atletas seguem firmes na carreira e (para) divulgar o trabalho que é feito”, confirma.

 

Lesão, lembranças e planos futuros

Em 2016, o ligamento cruzado anterior da perna direita de Lorrana se rompeu, uma grave lesão que a deixou fora de combate por seis meses. Ela já realizou treinamentos, e inclusive tem treinado nas férias para começar bem a pré-temporada. A jogadora também está negociando uma troca de clube e, quanto à possibilidade de buscar vaga em um clube fora do Brasil no futuro, ela deixa em aberto: “Quem sabe um dia, depois da minha graduação. Não descarto”.

Relembrando o passado, a atleta afirma que os jogos escolares e as primeiras aulas de educação física em Alegre foram essenciais para a sua formação. “(Significaram) o primeiro passo pra minha carreira no esporte. Foram sempre referência pra buscar algo melhor. O esporte é um ótimo incentivador pra quem quer melhorar de vida, e pra proporcionou uma oportunidade”, completa.

Às novas gerações de meninas que desejam seguir carreira no esporte, Lorrana deixa a recomendação: “Aconselho a se dedicar e acreditar no que querem e, quando uma oportunidade aparecer, agarrem firme e sigam em frente. E, principalmente, aconselho a não se esquecerem de onde vieram”.

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