O empresário Jathir Gomes Moreira vai voltar ao mundo político. Com um discurso incisivo, voltado ao desenvolvimento da cidade, próprio de quem já esteve nas esferas do Poder em Cachoeiro de Itapemirim, Jathir entende que a política é um mundo voltado para os vocacionados. Para quem quer ser político para construir e não se manter, sobreviver, às custas do mundo da administração pública.

No seu entendimento, é muito mais difícil ser prefeito agora do que há anos. A cidade está em crise em meio às turbulências econômicas pela qual atravessa o País. Em entrevista exclusiva ao Aqui Notícias, Jathir lembra que a Prefeitura, agora, só é possível ter sucesso em suas empreitadas mediante um mutirão de toda a sociedade voltado para o desenvolvimento.

“É preciso entender que não existe mais dinheiro público. Existe dinheiro do povo que chega à Prefeitura via cobrança de impostos. É necessário administrar bem estes recursos e não mais sair gastando com projetos mirabolantes”, disse.

Com tudo anotado e bem planejado, ao contrário dos demais entrevistados, Jathir chamou a atenção por ter colocado todas as suas propostas em um papel e também anotar uma eventual ideia que tenha surgido na conversa com o jornalista. O empresário é um defensor de alianças para governar e ter a aprovação do povo nas suas propostas. Confira, agora, a entrevista completa com o pré-candidato a prefeito de Cachoeiro pelo Solidariedade, o gerente de projetos do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, Jathir Moreira.

Aqui Notícias – Por que Jathir Moreira quer ser prefeito de Cachoeiro de novo?

Jathir Moreira – Na verdade, eu estou retornando à vida pública. Fiquei 12 anos afastado. Estou voltando por três razões objetivas. Primeiro, porque recebi um convite para retornar à vida política. Segundo, porque acredito na política vocacional e em terceiro porque quero prestar serviço a minha cidade. Os partidos me procuraram para voltar, diante da situação que o município vive. Da falta de uma liderança...(Pausa) A vocação é o que você carrega dentro do seu coração a vida toda. O político tem que ser vocacionado senão ele não exerce uma boa gestão. E quanto à cidade, acredito que posso fazer alguma coisa. Tenho dois mandatos de vereador, vice-prefeito além o período que assumi a prefeitura, sem falar das secretarias pelas quais eu passei.

Existe alguma diferença daquela Cachoeiro enquanto o senhor estava no Executivo? Quais seriam estas diferenças? Está mais fácil ou difícil ser prefeito?

Com certeza mais difícil! Com certeza, mais difícil! O que eu vejo de diferença com a Cachoeiro do passado é que nosso município sempre foi uma cidade de oportunidades. Meu pai veio para cá, criou os filhos, eu criei meus filhos. Meu filho, agora, está criando meus netos. Então, o que percebi é que Cachoeiro nos últimos anos deixou de ser uma cidade de oportunidades. As pessoas estão saindo. Houve, de certa forma, um esvaziamento em todos os sentidos, principalmente no setor econômico e com isso caiu o total de oportunidades. Eis a maior razão porque quero ser prefeito. Quero que Cachoeiro volte a ser a cidade das Oportunidades.

Quais seriam os passos para isso?

O primeiro é agregar forças.  Não é o Solidariedade sozinho, o Jathir sozinho que vai resolver o problema. É preciso juntar forças políticas, empresariais, comunitáriase religiosas para você conseguir resgatar Cachoeiro. Tanto que o desenvolvimento vem pela união das pessoas. Nós já estamos fazendo isso. Estamos nos reunindo diariamente com o partido (Solidariedade) e outros partidos para colocar nossas propostas. Estamos buscando alianças, que é o primeiro passo. E depois tem que ouvir o povo. O eleitor tem que apoiar nossas propostas. Você tem que ter a aceitação por parte do povo.

Quais seriam os maiores problemas da Capital Secreta?

Hoje você não tem um só problema específico. Eu já rodei a cidade toda e tenho rodado todos os pontos para elencar os problemas de Cachoeiro. Temos problemas da estrutura do serviço público, que é muito arcaico. Tem uma estrutura inchada, sem condições de trabalho, com muitos comissionados e precisa também aumentar o espaço físico para melhorar as condições de trabalho. Este é um problema. Segundo problema que você tem é a saúde, setor que eu conheço bem. Trabalho com o setor de saúde há mais de 23 anos. E isso é muito grave. Você um problema bastante complicado com a mobilidade. E quando eu falo isso não é só em relação ao transporte público. Estou me referindo também a calçadas e vias. Você tem o problema da questão do desemprego. Não é só em Cachoeiro, mas precisa ser resolvido. Outro é a segurança. As pessoas estão sendo assaltadas em plena luz do dia. Isso tudo faz parte dos problemas que temos que resolver.

Cachoeiro não acumularia problemas também por ser um centro da Região Sul do Estado? Afinal, tudo deságua aqui...

Sem dúvida. Cachoeiro é uma cidade polo do Sul do estado, tanto que na saúde nós temos três hospitais que atendem todo Sul do Estado. Somos referência para todo Sul do Estado. Nossas faculdades atendem todo Sul do Estado. O comércio não, mas no setor metal mecânico Cachoeiro é o polo. Quando estávamos lá à frente com Ferraço, quando éramos vice-prefeito, nós pensamos nisso. Pensamos em distrito industrial. Pensamos em vias públicas, em estradas para escoar a produção, transporte, melhoramos a questão educacional e pensamos em fortalecer a saúde para você transformar Cachoeiro realmente no polo do Sul do Estado.

Quais são seus planos para a cidade se for eleito?

Nós temos vários problemas na cidade. Nas áreas administrativas, da saúde... Nosso pensamento é, caso eleito, a partir de primeiro de janeiro, é não tratar os problemas de forma individual. É fazer um mutirão para ter ações em todos os setores como saúde, segurança, mobilidade, gestão administrativa, educação... que são os pontos aos quais nós pretendemos fazer. Temos propostas para todas estas áreas.

Dá para falar um pouco de cada uma delas?

Sim. Nós temos educação. Nós queremos transformar nosso grupo de professores, funcionários, servidores em profissionais muito bem capacitados. Queremos investir na excelência deles. Queremos motivá-los. Dar uma boa remuneração, treinamento com excelentes condições de trabalho

E na saúde?

Nosso forte vai ser este ponto. Isso eu lhe garanto. Cachoeiro vai ter uma saúde que vai ser exemplo. Vamos rever esta questão do Paulo Pereira (pronto atendimento). Vamos ver um pronto atendimento lá na região do BNH. É inadmissível uma pessoa ter que sair lá daquela região para ter um pronto atendimento aqui embaixo. Hoje, estão construindo uma UPA lá; infelizmente, uma UPA tipo 1; o ideal é que fosse uma tipo 3! Uma UPA 1 é muito pequena. São 750 metros quadrados. O ideal é que tivesse uma UPA tipo 3 de 1,5 mil metros quadrados. Nós temos uma parceria com os hospitais. A população hoje precisa! (pausa) O povo pode ficar até sem calçamento, mas o atendimento na saúde é fundamental. Também não se explica você ter que esperar hoje 60, 90 dias para ter uma consulta, para você ter um exame. Nós vamos dar prioridade total nesta área de saúde, Vamos ampliar o atendimento no Instituto dos Olhos e o atendimento domiciliar. Uma pessoa que precisa de um fisioterapeuta, por exemplo, em casa, de um fonoaudiólogo e ele não tem. (pausa) Na semana passada, eu vivenciei isso em uma das minhas caminhadas. Em vez de pegar alguém em casa, colocar no carro e ter que fazer uma penosa viagem para ser atendido, vamos disponibilizar este atendimento em casa. Fica muito mais barato fazer assim.

E a mobilidade? A cidade vive espremida por um monte de carros...

Olha aqui, a cidade tem um plano de mobilidade; poucos conhecem, mas tem. Já estamos estudando este plano e vamos implementar aquilo que a gente entende que possa ser feito de imediato. Fazer as ligações de um bairro para o outro para que exista outra via de acesso. No transporte público, nós temos outras propostas... (pausa e risos) Não vou lhe falar agora porque quero guardar isso a sete chaves. Uma delas surgiu de uma viagem que fiz a Bordeaux, na França, e eu vi o sistema sobre trilhos de lá. Aqui, eu não quero colocar um sistema sobre trilhos, com ônibus interligados. Em Cachoeiro, temos as linhas interligadas que não estão funcionando a contento. É um sistema que eu vi na França, com trem, que aqui vamos colocar nos coletivos. Este sistema evita os imprevistos que hoje temos com este sistema usado.

Com a crise econômica... não é um bom momento para pensar em ser prefeito?

Raul, olha só... (pausa) Cachoeiro, hoje, precisa de um político que seja gestor. Eu não tenho pretensão nenhuma futura. Inclusive, eu tinha um acordo familiar de não retornar à política. Eu estou retornando, estou me candidatando porque é preciso fazer uma gestão justa, enxuta. Com a economia que nós vamos fazer – estou sendo bastante otimista -, teremos de R$ 15 a R$ 17 milhões por ano de economia com uma gestão que hoje não existe. (muda o tom) Sabe por que? A gente tem que acabar com esta ideia de dinheiro público. Todo mundo acha que com o dinheiro público pode se fazer tudo que se quer. (pausa) Não existe dinheiro público. Existe dinheiro do pagador de imposto. E este dinheiro tem que retornar à população em benefícios. Não pode ser diferente. (pausa) Um jornal vende notícias. Se não houve notícia, não vai se vender jornal. O que a Prefeitura vende? Vende serviços e recebe através de imposto. Então, tem que vender um serviço de qualidade. Para isso, você precisa modernizar a gestão. Não se pode continuar com estra administração arcaica e pesada, vamos dizer assim. A Prefeitura hoje é um cabide de emprego. A Prefeitura tem bons servidores efetivos. Temos que valorizar os efetivos. Temos que investir na qualificação destes efetivos. Amanhã eu saio da prefeitura, outro assume, o servidor está preparado para dar continuidade à atividade. Temos que parar de brincar de gerenciar o funcionalismo público com a política.

Qual foi o maior erro da atual administração que já se estende por anos?

Alguns prefeitos só pensam no momento, não no amanhã. Tomam atitudes que os próximos que assumirem estão perdidos. Não pensam na cidade. Pensam em si. O gestor tem que pensar no amanhã, nas gerações futuras. Cachoeiro só volta a ser aquela cidade de oportunidades se tiver uma gestão séria e competente.

Como é que o senhor vê este muro imaginário que divide a cidade entre os ricos e os pobres?

Não é fácil quebrar este muro. Isso não acontece só em Cachoeiro. Você vai ao Rio de Janeiro e vê isso de uma forma clara. O que nós pretendemos é dar as condições para que mais humildes tenham oportunidades. O rico hoje tem seu plano de saúde. Eu tenho que ofertar no Sistema Único de Saúde as mesmas condições para estas pessoas. Eu tenho que abrir frentes de emprego para que esta parte do povo melhore sua qualidade de vida.. O rico pode construir uma casa. Eu tenho que usar o que o Governo oferece para que o mais pobre tenha uma moradia digna. Fazer tudo isso de uma forma natural, simples.

Como atrair empresas para Cachoeiro? Teve um monte que deu tchau...

Olha, (pausa) em 2004,o Distrito Industrial de São Joaquim foi um proposta nossa junto com o prefeito Ferraço... Verificamos essa necessidade de você atrair investimentos. Fiquei feliz que na semana eu tive informações de que hoje existem lá aproximadamente 80 empresas gerando mais de um mil empregos. Em dez anos, a gente vê que deu fruto. Pretendemos dar continuidade a tal projeto. Existem ainda muitas áreas à disposição. Nós temos que cuidar disso. Trabalhar alguns benefícios econômicos, como subvenções com impostos municipais, e também dar estímulos como a ajuda da prefeitura. Hoje, é muito difícil abrir uma empresa. A prefeitura tem que ser parceira de o empresário na hora que ele quer empreender na cidade. A administração municipal precisa simplificar os processos que ficam travados. Não adianta trazer empresas que não estão no nosso elenco de atividades. Na nossa vocação que é o mármore, o metal mecânico e o setor de confecção, por exemplo.

E os modais de transporte? Cachoeiro não seria uma cidade estrangulada com poucas opções?

Sim. Por exemplo, ferrovia! O município pode fazer sua gestão, mas é uma coisa que o município não pode se envolver diretamente. Está faltando gestão federal!  Precisamos que nossos representantes acionam à esfera federal. Para você ter uma ideia, Raul. O deputado Camilo Cola precisou fazer uma emenda para uma ponte e não obteve êxito por falta de licença ambiental. Isso é inadmissível. Outro caminho que nós temos é buscar recursos federais. O caminho de Brasília o prefeito tem que conhecer. E eu conheço. Este é o meu trabalho no Hospital Evangélico. Ir a Brasília buscar recursos. (pausa) E tudo isso tem que ser feito: aeroporto, rodovias e ferrovias. Esta ferrovia que ainda nos resta é pouco utilizada, mas Cachoeiro já merecia um terminal, um porto seco. Nós já conseguimos avançar com a duplicação da BR-101 que era um sonho antigo...E quais são seus planos para a turma do campo?

Nós já estamos em contato direto com os produtores rurais, para saber suas necessidades. Apoiar naquilo que eles precisam.  Prefeitura tem que ser o órgão apoiador do homem do campo. Quando a administração chega com leis, com regras, com outros artifícios atrapalhando, não é Prefeitura. Eles (os homens do campo) é que sabem suas necessidades. É preciso estar perto. A ampliação da Selita começou assim. Fomos parceiros dos cooperativados. Aconteceu o mesmo com os hospitais de Cachoeiro. Quando fui secretário de Saúde, fomos lá e vimos sua necessidade. O Poder Público junto com a iniciativa privada.

Então o Poder Público tem que sair da cadeira?

Sim. Sempre! Quando estive no Executivo fazia isso. Corríamos juntos com os interessados. É importante ser parceiro da iniciativa privada.

O senhor tem duas campanhas pela frente. Uma no partido e outra como candidato a prefeito...

A primeira parte é a mais difícil. Porque até a junho eu tenho que me viabilizar. Porque se eu não me viabilizar também, eu não vou ser candidato. Eu não quero ser candidato por ser. Só se eu tiver condições. (pausa) Estou bastante esperançoso. A aceitação do partido e de quem eu visito está sendo muito boa. Não quero fazer carreira política. Por exemplo: não quero ser deputado! Não é meu objetivo! Estou convicto de que tudo vai correr bem. De que a gente pode ganhar a Prefeitura. E quando concluir meu mandato eu vou voltar para casa para cuidar da minha família, cuidar dos netos... e descansar.  O meu objetivo é fazer uma gestão profissional. Quero colocar os meus 39 anos de experiência nesta área no meu município. Colocar o que aprendi nas minhas viagens em prática aqui, em Cachoeiro. Eu quero fazer de Cachoeiro uma cidade de oportunidades.

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