Gestão. Este é o maior desafio de todos os agricultores e pecuaristas do Estado do Espírito Santo, ao qual o novo presidente do Incaper está atento. Em entrevista exclusiva ao Aqui Notícias, Suzart falou da preocupante crise hídrica que atinge o Estado desde 2014, “Práticas de produção sustentávelque levem a redução da velocidade da água de chuva sobre a superfície do solo agricultado são muito importantes”, disse.

O presidente do Incaper lembrou, inclusive, que não é mais possível pensar em produção agrícola sem proteger o meio ambiente. Confira, a seguir, a íntegra da entrevista.

Quais são os seus planos à frente do INCAPER?

Fazer uma gestão focada no desenvolvimento rural sustentável. Para tal, alinharemos nossas ações, projeto e programas ao Plano estratégico de desenvolvimento da agricultura capixaba – PEDEAG 3; vamos sair da zona de conforto, formando parcerias cooperativas com instituições públicas e privadas para avançar em ATER gestão; vamos dar um salto na pesquisa agropecuária com a criação do primeiro programa de Pós-Graduação do Incaper; vamos motivar nossos técnicos na produção de soluções inovadores, sustentáveis e empreendedoras para o produtor rural capixaba.

O Espírito Santo vive um momento difícil em relação à agricultura por causa da crise hídrica. O que devemos fazer?

Podemos resumir prioritariamente em duas importantíssimas ações diretamente relacionadas a mitigação da falta de água extrema que enfrentamos desde 2014. A primeira ação – construção de barragens – para reservar água garantindo a manutenção dos cursos d’água e produção agropecuária nos períodos de seca (pouca chuva). A outra ação – recomposição florestal -  tanto o reflorestamento ambiental, nas áreas exigidas pelo código florestal, quanto o reflorestamento para produção econômica, nas áreas de recarga e outras áreas produtivas. Além destas, outras práticas de produção sustentável (plantio em nível, terraços, caixas secas etc)que levem a redução da velocidade da água de chuva sobre a superfície do solo agricultado.

O crescimento da agricultura familiar no ES é notório e o Plano Safra está praticamente focado neste tipo de agricultura. Qual será o papel do Incaper neste setor?

Esta já é nossa rotina, o atendimento da agricultura familiar para construção dos projetos agropecuários do Plano Safra. Estamos neste momento, em parceria com MDA, realizando treinamento dos nossos técnicos para o Crédito Rural. Além disso, cabe neste momento bastante atenção para o aumento da dívida do produtor e as perspectivas de normalidade das condições climáticas (chuva) no Espírito Santo.

A agricultura praticamente sustentou o Brasil nesta crise. A participação do setor agropecuário no PIB estadual tende a crescer nos próximos anos?

Sim, e principalmente pelo aumento da produtividade e agregação de valor ao produto.

 

E as crises pontuais como do café, da doença da banana e tantas outras? Como o Incaper está fazendo para ajudar aos produtores?

Estamos participando intensamente do maior Edital de pesquisa em Agropecuária do Estado distribuindo 14 milhões de reais nas principais cadeias produtivas do Agronegócio Capixaba. As demandas da pesquisa deste Edital foram extraídas principalmente do PEDEAG 3, exatamente para enfrentar tais desafios.

Qual é maior gargalo da produção capixaba?

Foi identificado pelo PEDEAG 3, através dos questionários aplicados aos produtores, técnicos, pesquisadores e demais atores das cadeias produtivas, seca e falta de água o principal desafio, seguido da qualidade do produto, assistência técnica, inovação e mão de obra. Entretanto, vejo a inovação como o responsável por mitigar todos os outros desafios, por exemplo: espécies adaptadas a seca, processos produtivos, novas tecnologias de produção sustentável, automação e mecanização de todas as fases da cadeia de valor.

Os produtores reclamam dos entraves burocráticos e ambientais? Podem coexistir produção agropecuária e proteção ambiental? Até que ponto uma não atrapalha a outra?

Não é possível mais pensar em produção agropecuária sem proteção ambiental. Temos exemplos de regiões onde a cobertura florestal chega a 50% e o produtor desta região ganha mais dinheiro do que aqueles de outras regiões com apenas 10%. Está claro para a maioria dos produtores que mesmo reclamando das obrigações legais do código florestal é necessário a proteção ambiental para reservar água e conseguir aumento da produção agropecuária pelo aumento da produtividade (produção por área). Novamente destaco a pesquisa e a inovação como a chave para consolidar esta coexistência.

Qual o maior desafio do produtor capixaba, tanto da pecuária como da agricultura?

Gestão. Se todos os demais desafios do produtor forem resolvidos sem que o ele profissionalize a gestão da propriedade, isso pode levar a sua saída da atividade.

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