Júlio Ferrari não quer ser mais vereador. Quer ser prefeito. No seu entendimento, depois de anos militando na Câmara de Vereadores está na hora de aceitar o desafio de enfrentar a administração da Capital Secreta e fazer de Cachoeiro de Itapemirim a cidade que todos sonham. Recém-mudado de partido – deixou o Partido Verde e foi para o PMDB -, Ferrari tem ideias próprias e bem diferentes da atual gestão. “Temos que trabalhar com a máquina administrativa enxuta e eficiente. Defendo a redução de secretarias. A valorização do servidor e um plano de desenvolvimento que coloque Cachoeiro como grande centro econômico do Sul”, disse.

Júlio Ferrari se sentiu em casa no PMDB, o partido do governador Paulo Hartung. Disse ter sido muito bem recebido, como se estivesse em uma família por todos. Desde o governador, praticamente seu paradigma na política, até os militantes, passando por todas as esferas do partido, incluindo a Executiva e o Diretório. Pelo contrário, teceu, em entrevista exclusiva ao jornal Aqui Notícias, diversos elogios ao partido que o projetou na política cachoeirense, o PV.

Sobre suas ideias e planos, valoriza a união total entre as várias vertentes econômicas da cidade: do comércio às indústrias. Seus projetos são sustentáveis e visam muito mais do que somente atrair empresas. Quer montar um polo industrial em Cachoeiro, em área do Governo do Estado, para encerrar, de vez, a partida de empresas do solo cachoeirense e gerar cerca de 30 mil empregos.

Na entrevista, o atual presidente da Câmara de Vereadores demonstrou grande otimismo e  não exibiu o menor receio de seus adversários na convenção do partido. Parece focado pelo objetivo de ser oficialmente o candidato do PMDB e se sair vencedor. Confira a seguir a entrevista.

 

Aqui Notícias – Por que você quer ser prefeito de Cachoeiro?

Júlio Ferrari – Eu tenho dois mandatos na Câmara Municipal e três mandatos de presidente nos quais adquiri boa experiência em mexer com dinheiro público, que é uma situação para a qual se requer muita transparência, até mesmo em razão do que está acontecendo em nosso Brasil. O que está faltando em quase todas as esferas de administração são medidas de transparência e de ética. Hoje, o sistema que eles colocam à frente do Poder Público é uma gestão arcaica, com desequilíbrio das contas. Hoje, o Brasil passa uma fase difícil. O desemprego cada dia bate na porta das famílias de Cachoeiro e de todo o Brasil. De dezembro até o dia de hoje (26 de abril) nós temos 5 mil desempregados. Nos últimos 20 anos, Cachoeiro só veio perdendo emprego. São mais de 20 mil desempregados. Cada família tem um ou dois desempregados. Este motivo maior para querer transformar  a cidade em um lugar melhor para se viver.

A cidade tem o mesmo prefeito há alguns anos. No seu entendimento quais foram as principais falhas e acertos desta longeva administração?

Hoje, como disse, a gestão... (pausa)... Todas as gestões que passaram estão arcaicas. Hoje, exige-se fazer uma gestão enxuta. Uma gestão com menos secretarias. De 10 a 12 secretarias, inclusive, com uma que nunca existiu que é a de Captação de Recursos e Projetos. Esta aí precisa trabalhar do lado do prefeito, porque o Brasil, hoje, tem dinheiro. Mas o gestor precisa ter papéis para os transformar em emendas estaduais ou federais. Primeiro, tem que haver projetos para fazer obras que precisam realmente, cuidando, principalmente, da classe mais humilde.

E quais seriam estas obras que a cidade mais precisa?

Mais drenagem. Mais muro de arrimo. Mais asfaltamento para tirar o nosso povo da lama. Tudo isso em função da cidade ter muito morro e precisar de proteção, especialmente drenagem.

Como a tem que ser a gestão de Cachoeiro?

Foram vários setores. Primeiro, temos que lembrar que a gestão tem que ser feita com uma economia mais enxuta. Com um secretariado técnico para resolver os problemas. Não adianta você colocar pessoas que não entendem daquilo. Existe o prefeito, mas o seu secretariado tem que fazer até melhor para a cidade andar. Não podemos colocar um vereador ou uma pessoa que não entende à frente de uma secretaria. Nós temos vários exemplos de que está certo pensar assim em várias administrações, não só do Casteglione como também nas anteriores. Nestas gestões, tinham pessoas que não tinham condições de assumir cargo de tamanha responsabilidade.  A gente vai fazer uma gestão diferenciada. Neste novo sistema de reeleição que você só tem cinco anos, você é obrigado a trabalhar em prol de técnicos. Pode existir um vereador que seja técnico e capacitado.

Enumere quais seriam os maiores problemas atuais de Cachoeiro...

Hoje, sofremos com a segurança. Estamos com problemas na saúde. Existe um projeto meu na Câmara sobre a questão, Ninguém suporta mais ver gente em fila para ser atendido. Vamos trabalhar com marcação pelo telefone ou pela Internet, especialmente para os idosos e cadeirantes, para que a gente possa amenizar a dor do nosso povo. (Pausa) Há problemas na educação. Eu levantei a bandeira . Temos que dar prioridade e dar uma boa educação. Conhecimento ninguém tira. Fazendo a população ter conhecimento teremos um povo diferente, mais participativo. Inclusive, eu levantei na época, com a Secretária de Educação que nós não podíamos fechar creche. Vou dar um exemplo! A creche do Valão tinha 128 alunos com uma fila de espera de 45 crianças. E aquela creche foi fechada, colocando os menores três quilômetros mais longe. Ali, é uma comunidade que necessita. Isso jamais podia ter acontecido. A ideia da economia de recursos até aceito em creches com 10, 20 crianças, mas em uma com mais de 120 crianças, não consigo aceitar.

E a questão do trânsito em Cachoeiro?

Nós temos que trazer pessoas capacitadas, técnicas, para melhorar nosso trânsito. Hoje, nos horários de pico, a população nossa não aguenta mais. Foi mexido o trânsito. Houve uma melhora, mas tudo tem que ser feito em projetos elaborados também juntamente com a Guarda Municipal. E digo mais: em Cachoeiro estão faltando obras de cidade grande. Hoje, nós não temos túnel, viaduto para a mobilidade urbana. Para conduzir Cachoeiro como a Capital Secreta, de obras que vão resolver estes problemas.

A questão das vias públicas; sujas, em geral...

A limpeza das ruas de Cachoeiro vai voltar a acontecer. Vamos colocar o varredor nas ruas, que é uma demanda da nossa população. A falta desta figura gera um alto índice de reclamação na cidade.

 

E a economia? Como fazer de Cachoeiro um polo de desenvolvimento e atrair empresas para cá?

Nestas últimas duas décadas, nós só perdemos empresas. Eu vou relatar uma empresa que chegou aqui há quatro anos, que foi a Pepsico. Já tem dois anos que foi embora, tirando do mercado 300 empregos. Ou seja, 300 famílias, mais de 1.200 pessoas foram atingidas pela saída da Pepsico.

E porque a Pepsico saiu?

O Sul perde muito para o Norte do Estado. O Norte tem a Sudene e o Banco do Nordeste. E nós não temos nenhum órgão alavancador de investimentos. Inclusive, tivemos reunião com o governador Paulo Hartung, que é do meu partido para levantar esta bandeira. Sabemos que o Brasil está em crise. E eu vou aproveitar este momento para enaltecer o Governo do Estado. Hartung foi eleito o melhor em gestão pública. Fez uma gestão de coragem neste momento difícil da economia. No ano passado, ele (Hartung) conseguiu pagar tudo e ficar sem dever em 2016. Inclusive, eu relatei, em encontro com Hartung, a situação do Sul do Estado. Com o alto índice de desemprego. (pausa) ‘Governador, eu estou elaborando meu plano de Governo, que vai ser muito voltado para o desenvolvimento da nossa cidade. Cachoeiro tem jeito, governador. Cachoeiro tem que ter coragem’. Perguntei, então, a Hartung se poderia colocar em meu plano de Governo um projeto para aqueles 53 alqueires de terra que existem em Monte Líbano e é do Estado para a gente desenvolver um polo industrial. O primeiro polo industrial público da Cidade para que a gente possa colocar ali uma fonte de desenvolvimento econômico. Os sinais foram positivos. (pausa) Bem, vamos fazer tudo de acordo com a lei. Como doação de terreno, com transparência para que existe este polo industrial. A ideia é que sejam gerados até 30 mil empregos ali. Tudo para melhorar a renda da nossa cidade, que hoje se encontra na questão per capita por habitantes em último lugar no Estado. Hoje, o orçamento do município fica em R$ 286 milhões, muito baixo em relação aos 220 mil habitantes da cidade. (grande pausa) Eu não estou aqui para criticar partidos e pessoas. Estou aqui para demonstrar que Cachoeiro tem jeito. Vamos montar este polo industrial para dar empregos à nossa gente.

E como vocês vereadores detectam este problema de emprego?

É todo o dia alguém pedindo emprego a vereador. Isso não pode acontecer. E aí é bom que fique claro um ponto. Este governo – e eu estou falando do governo do Brasil, está tirando do empresariado por meio da cobrança de mais impostos e o empresariado está quebrando. Agora, está tendo um alto índice de desemprego. Isso sem contar com a roubalheira que está acontecendo em todo o Brasil. Nós não queremos assistencialismo em Cachoeiro como existe em tantas cidades por aí. Queremos gerar emprego e renda.

E isso atinge a administração municipal?

Claro. Temos que aproveitar as pessoas da Prefeitura para gerar renda. Acabar com tanto comissionado. Concursados, sim! Existem concursados que tem quatro, cinco anos, e não têm o seu decênio. Queremos dar qualidade de vida e cobrar produção. Fazer com que o funcionário público tenha orgulho da sua profissão e atenda com satisfação o cidadão. Vamos pagar melhor, com reajuste, para cobrar produtividade. Vou lhe dar um exemplo do interior. Hoje, o pessoal do campo quer melhoria de estrada. Como uma prefeitura vai atender 800 quilômetros de estrada só com duas máquinas? Esta situação é um caos na Prefeitura. É ali que tem o escoamento de tudo que eles produzem.

Mudando de assunto, como foi sua mudança para o PMDB? Quais seriam seus adversários no partido para a candidatura a prefeito?

Eu estou conversando com o PMDB e todas as suas lideranças há quase um ano e meio. E também com o Partido Verde, que fez várias reuniões com Roberto Valadão, do PMDB, que é presidente de honra do nosso partido. Estas conversas não deram muito certo. Fui para o PMDB e deixei o PV, pelo qual tenho o maior carinho. Foi lá que eu fiz minha história. O Valdir Fraga conduz muito bem o partido e é por isso que ele tem o melhor grupo para a candidatura de vereança. O PV deve fazer de três a quatro vereadores. A minha ida para o PMDB foi mediante a janela; por isso foi um pouco tardia. Minha chegada ao PMDB, graças a Deus... eu encontrei uma nova família. Fui muito bem acolhido pelo nosso presidente de honra, Valadão, que me trata muito bem. Já conhece a minha família. Conhece a mim desde os 12 anos de idade. A executiva do partido, através da Elizete (Elizete de Paula Pires); da Magda (Magda Aparecida Gasparini); ... Foram estas pessoas que me acolheram como se eu fosse um velho integrante da família. Até mesmo com a Executiva Estadual como Paulo Hartung; como o presidente estadual que é o Lelo Coimbra; Luzia Toledo; Chico Donato que esteve no meu evento, quando nós fizemos a filiação. Foi em plena segunda-feira, no meio de uma imensa crise social, numa crise política, colocar quase 700 pessoas no evento... eu só tenho a agradecer ao povo de Cachoeiro, que acredita em um novo projeto. De desenvolvimento, de transparência. Vamos mudar radicalmente setores que mexem com a transparência como licitação, controladoria e ouvidoria. Vamos mudar este sistema como fizemos na Câmara de Vereadores, que tem sistemas de transparência que eu instituí na minha gestão. Hoje, a Câmara de Cachoeiro, entre as 78 do estado, é a terceira que menos gasta diária. Eu nunca fiz uma diária nestes oito anos de administração.

E quando vai ser a convenção do partido?

Está sendo estudada, por meio da executiva, a antecipação de uma pré-convenção. Para que realmente o candidato respeite o outro concorrente. Eu respeito meus adversários. Acho que cada um tem seu modo de pensar. Respeito as diferenças, mas eu fui para o PMDB para somar. Nós vamos ganhar. Cachoeiro quer uma pessoa com fibra e determinação. Eu sou um jovem que quer mostrar que Cachoeiro tem jeito.

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