Entre os nomes novos que concorrem à candidatura a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim está o do médico Luiz Roberto da Silva, o Doutor Beto, que é nascido e criado na Capital Secreta. Integrante do Partido Verde (PV), o Luiz Roberto entende que chegou a hora de adotar um planejamento estratégico de verdade e mudar a cara da cidade. “Prefeitura, agora, não é mais para amadores. É preciso administrar com segurança e enxugar gastos, mantendo o crescimento”, disse o pré-candidato do PV.

Em entrevista exclusiva ao jornal Aqui Notícias, o médico lembra que é necessário dialogar com todos os segmentos da cidade para administrar Cachoeiro com segurança. Doutor Beto teceu críticas ao mar de cargos comissionados que existe na esfera municipal, lembrando que bastariam somente oito secretarias para “administrar bem a cidade”.Doutor Beto lembra que “o grande administrador público não é aquele que tem fartura de recursos. É aquele que sabe pegar pouco e fazer muito”.

Em sua entrevista, o fã de Martinho da Vila, lembra que não quer queimar etapas no processo eleitoral. A seu ver, é preciso galgar um degrau de cada vez. O como cantava o sambista carioca “é devagar, devagar, devagarinho”. Confira, a seguir, a entrevista:

Aqui Notícias – O que o levou a ser pré-candidato a prefeito da Capital Secreta?

Luiz Roberto da Silva – Primeiro, que ser prefeito de Cachoeiro de Itapemirim é um grande desafio. Na verdade é um grande desafio se prefeito de qualquer cidade brasileira. Município é onde vivem as pessoas e é o local onde fica o menor orçamento, a menor parte do que foi arrecadado. Então, é preciso que tenha uma pessoa que saiba fazer um planejamento estratégico adequado; uma gestão pública muito bem feita para que se prestem bons serviços à população.

Você se considera pronto para exercer o cargo de prefeito?

A minha vida eu sempre a primei na seguinte condição: antes de assumir qualquer responsabilidade, primeiro pergunte se você tem condição de exercê-la. (pausa) Eu tenho convicção que, ao longo da minha história política e da minha passagem pela administração pública, adquiri experiência e maturidade para ser prefeito de Cachoeiro de Itapemirim.

Por que o PV?

A minha entrada no PV partiu do convite de um amigo, Abel Sant´anna, que foi candidato a deputado federal e teve uma votação expressiva. Posteriormente, ele veio candidato a prefeito, mas pelos arranjos políticos locais ele veio a ser vice na chapa vitoriosa.

Os acordos políticos mencionados lhe assustam ou soam como favoráveis?

Política é um grande diálogo. Você tem que conversar com todo mundo. O que não pode é se entregar a alma ao Diabo. Um homem público tem que estar conversando com o povo; porque a sociedade não é homogênea, é heterogênea. Você deve conversar com todas as facções políticas. Deve ter um comportamento ético, moral, para entrar na administração pública.

No meio da crise, mesmo com a baixa arrecadação, no meio de tantos problemas... É o momento ideal para se almejar ser prefeito de Cachoeiro? Não seria um desafio além da conta?

Se você olhasse para o artista “Aleijadinho” (Antonio Francisco Lisboa), você não diria que ele faria grandes obras. Portanto, o grande administrador público não é aquele que tem fartura de recursos. É aquele que sabe pegar pouco e fazer muito. E é isso que nós estamos propondo a fazer em Cachoeiro de Itapemirim.

Casteglione está há anos no poder. Quais são as grandes falhas e grandes virtudes deste longevo governo? O que você pretende mudar?

Primeiro, uma reforma administrativa. Não se pode ter uma administração pública tão encharcada , tão cheia de cargos comissionados, não qual você tem um número infinito de secretarias, o qual pode ser reduzido. No máximo, no máximo, no máximo 10 secretarias. (pausa) O limite seria oito secretarias de maneira que você consiga administrar eficiente. É importante ter concurso público, com a valorização do servidor. Quer seja pela capacitação, quer seja pela elaboração de um plano tão bem eficiente que você consiga valorizar o papel deste funcionário até nos seus vencimentos.

Então você defende o concurso público também como instrumento de qualificação para reduzir o quadro de comissionados?

Os cargos comissão, que são de designação temporária... (pausa) O próprio direito administrativo fala muito bem disso. Eles são cargos só para fins emergenciais. Para cobrir uma necessidade momentânea na administração. Não se pode é manter aquele cargo sendo renovado a vida toda; 10, 15, 21 anos e não ter concurso público. Precisamos levantar, realmente, os cargos em comissão que o município precisa e fazer um concurso para que estes funcionários possam dar resultado nos serviços que eles prestam.

Já que é a sua área... E a saúde, doutor?

Na saúde, eu sou a favor e defendo a gestão plena. O município já leva todos os dissabores da saúde. O Governo do Estado, hoje, é responsável pelas consultas especializadas que são cardiologia, neurologia, ortopedia e outras especialidades. Porém, quando faltam estas consultas... isso recai na administração do município.  É o prefeito que é responsabilizado. As vagas dos hospitais, quer seja tratamento clínico, cirúrgico, UTI, de cirurgias neurológicas, de exames complementares que também estão direcionadas ou para o Governo do Estado ou Federal, recaem também sobre a administração pública municipal. Então, chegou a hora de Cachoeiro entrar na gestão plena. Aí sim, as responsabilidades que recaem sobre ele (o município) são verdadeiras e ele ( Cachoeiro) terá que fazer uma boa gestão.

Quais são seus planos para fazer Cachoeiro voltar a crescer economicamente?

Temos que trabalhar com um planejamento estratégico. Em todos os setores. No setor econômico, principalmente. Cachoeiro de Itapemirim, em termos de comércio, é grandiosa. Estando no poder, a gente terá que fazer um trabalho muito bem feito junto com o comércio, com Clube de Diretores Lojistas, com a ASISCI, com todos que trabalham no setor, para que Cachoeiro seja, de fato, um polo comercial do Sul do Estado. Tudo isso com incentivo da administração municipal. Um incentivo muito profundo no sentido de que a cidade tenha calçadas bonitas, iluminação adequada.... Que seja tão bonita ao ponto das pessoas visitarem a cidade.

Mas isso também não teria que partir do povo para a Prefeitura...?

A administração tem uma obrigação que é a geração de empregos. Tem que fazer esta criação porque o comércio hoje é um dos que mais oferece oportunidades. E o gerador de recursos, além do bem estar social que traz. Precisamos estimular economicamente os dons naturais da região. (pausa) Qual é a aptidão da região? Que tipo de negócio é mais viável? Precisamos também estimular o produtor rural. Isso sempre se fala, mas ninguém agrega valor a seus produtos. Ninguém faz de fato o dever de casa.. Fica-se muito na conversa e pouco na ação. Temos que, além de incentivar o produtor agrícola, perguntar aonde vai entrar o setor de mármores e granitos neste processo. Ou seja: de que forma o município pode entrar para melhorar o setor de mármores e granitos? Temos que ouvir e dialogar com os empresários do ramo. Temos que ouvir todos os atores deste setor porque isso envolve o Estado, o Governo Federal e o município. Existe todo um mecanismo que precisa ser feito para fortificar a economia.

E o problema de transporte?

Isso é uma questão seríssima. É preciso ver as vias públicas. O transporte terrestre já se tornou praticamente insuportável em Cachoeiro. Algumas ações que foram tomadas agora no Governo de Casteglione revigoraram o trânsito, mas até quando vão dar efeitos? Deste jeito, mais à frente vai impactar novamente este trânsito. Temos que pensar em meios alternativos. Temos que chamar uma engenharia de tráfego para estudar qual é a viabilidade que existe para Cachoeiro. Caso contrário, vamos estar com a cidade estagnada.

No PV, quem seria seu maior adversário?

No PV, nós não temos adversários. Temos um partido político voltado para um projeto de governar Cachoeiro de Itapemirim.

E o professor Léo?

Ele é uma pessoa querida, um membro de nosso partido que acabou de chegar.  Uma pessoa que tem uma conduta ética, moral e merece o nosso respeito. Mas em momento nenhum ele falou que veio para o PV para ser pré-candidato a prefeito.

Este estilo de campanha que você adotou, devagar, devagar, devagarinho...! Como é isso?

Eu sempre vejo na vida como aquele ensinamento chinês: “um degrau de cada vez”. Agora, nós estamos como pré-candidatos. Estamos coordenando as ideias minhas e a do partido. E vamos assim. Já vi muita gente no topo da escada e quando abrem as urnas, foi derrotado. Vamos bem lento! Conversando com a sociedade. Diálogo, olho no olho. Ouvindo coisas que a gente gostaria de ouvir e até as que não gostaria. Vamos construir esta candidatura para o bem de Cachoeiro de Itapemirim.

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