O prefeito de Cachoeiro, Carlos Roberto Casteglione Dias, é acostumado a disputas difíceis. Venceu duas eleições acirradas contra adversários de peso e termina o difícil ano de 2015 com projetos para fechar oito anos à frente da prefeitura da Capital Secreta, em 2016, com chave de ouro.

No seu entendimento, o maior desafio de administrar a cidade do porte de Cachoeiro é o baixo orçamento. Enquanto cidades com menor pujança econômica, mas por produzirem petróleo ou estarem na faixa geográfica beneficiada recebem mais recursos, Cachoeiro precisa buscar atrair empresas tocando as obras delogística.

"É preciso rever a forma como são distribuídas as receitas entre as cidades. Temos que aumentar a participação de Cachoeiro neste bolo. O maior desafio de ser prefeito é este. Conseguir administrar com baixos recursos financeiros", disse.

Na tábua de planos e projetos para 2016, estão as melhorias para o calçadão da Beira-Rio, uma obra que, segundo descreveu, já deveria ter saído do papel, mas por questões burocráticas emperraram. Casteglione, no entanto, diz que tem muitoo quê comemorar neste penúltimo ano de mandato. Segundo contou, uma de suas maiores alegrias de 2015 será a do próximo dia 23 quando vai entregarmoradia para cerca de 500 famílias.

Confira a seguir a entrevista do prefeito de Cachoeiro que pretende largar a vida política no final de 2016, mas sem deixar suas origens petistas para trás. Batalhar para fazer seu sucessor, dando maior atenção à Prefeitura e partir, quem sabe, para voos mais altos na política em 2018: ser deputado federal.

Aqui Notícias – Como foi o ano de 2015 para a Prefeitura de Cachoeiro?

Carlos Casteglione – Foi um ano difícil. Eu diria que o pior ano destes sete anos que eu já estou no governo, uma vez que nós fomos perceber é que várias questões afetaram a administração.  O processo eleitoral de 2014. O cenário econômico nacional. A falta de perspectiva até de apoio com a injeção de recursos de convênios já assinados com o governo Federal como o governo Estadual. Queda das receitas ordinárias mensais como a queda do Fundeb; a queda na receita do ICMS... Enfim, Cachoeiro por ser um município que tem uma receita per capita baixa – a penúltima receita per capita do Espírito Santo -, tem um alto grau de dependência de recursos externos e até de convênios já assinados. Como estes recursos não chegaram, o ano chegou e ficou ainda mais difícil. Por isso, estamos organizando o nosso serviço aqui na prefeitura de maneira a superar as dificuldades. Por exemplo, a minha preocupação principal sempre foi fazer o pagamento de pessoal. Falta ainda o pagamento de dezembro. Nossas expectativas são de que conseguiremos fechar a folha e fazer o pagamento aí no princípio de janeiro. Estamos ainda com dificuldade de fechamento da folha na saúde, o que foi nosso grande problema neste ano de 2015, uma vez que nós ampliamos muito nossos serviços e não houve contrapartida. O programa Mais Médicosnos deu mais gás para aumentara qualidade dos nossos serviços. Ampliamos o atendimento do Hospital Paulo Pereira o que foi aumentando o custo. Mesmo com estes problemas, todos os pontos são no sentido que tudo vai ser paga (a folha) normalmente.

O que atrapalhou mais foi a crise econômica ou a crise política envolvendo a Dilma?

Eu acredito que o que atrapalhou de fato a gente foi a crise econômica. Nós aqui, somos filiados ao partido da presidente Dilma; eu defendo o Governo dela, mas o problema foi todo gerado pela economia. Quando você tem uma redução do movimento na economia brasileira isso impacta Cachoeiro e todos os outros municípios. Detalhe, eu repito, é que Cachoeiro por ser um município que tem esta dificuldade em aumentar a receita per capita sofreu mais. Cachoeiro foi atingido antes dos outros municípios.

O que poderia mudar para Cachoeiro ter mais receita?

Nós temos questões em nível regional, mas essencialmente as soluções estão a nível nacional e em nível estadual. Primeira coisa que precisa ser feita é rever o Pacto Federativo fazendo com que os municípios recebam um percentual maior. Hoje, apenas 25% foram destinados a Estados e Municípios. É preciso evoluir em pelo menos mais 5% desta receita da distribuição do Pacto Federativo. Levando isso para 30%, melhora a situação dos municípios.

No âmbito do Governo estadual, o que nós precisamos é colocar em prática a lei proposta, aprovada, sancionada de autoria do deputado Rodrigo Coelho que prevê a revisão dos critérios de composição do índice de participação dos municípios na questão da distribuição do valor adicionado fiscaladvindo da operação de petróleo e gás. Isso, certamente, tiraria essa grande diferença de ter municípios de nossa região litoral com tanta arrecadação e ver municípios como Cachoeiro, Castelo, Guaçuí, Alegre sofrendo tanto e vendo seu índice reduzir porque os municípios produtores de petróleo vão abocanhando, todo ano, percentual maiordeste valor adicionado fiscal. Isso precisa ser revisto.

...Mas Cachoeiro não aumentará o índice em 2016?

Pois é! O índice de 2016 já saiu. Cachoeiro, nós tivemos um pequeno crescimento, mas graças ao esforço que nós estamos fazendo na produção rural. Na verdade, nós não tivemos um aumento ou recuperamos parte da arrecadação prevista. Nós deixamos de perder no quesito repasse de ICMS.

Não há um erro grave nesta distribuição. Todos os municípios quando precisam de um serviço recorrem a Cachoeiro.

Sim. Há um erro grave aí. Isso se resolve exatamente fazendo a revisão do Pacto Federativo. Eu insisto. O que desequilibra as receitasdos municípios no Estado é a produção de petróleo. Aqui, em Cachoeiro, precisávamos ter uma maior organização para atrair mais empresas. Continuar trabalhando para as obras de logística como o Porto Central, em Presidente Kennnedy; duplicação da BR 101; o ramal ferroviário Vitória- Rio de Janeiro, passando próximo de Cachoeiro;o aeroporto; são todas obras que estão encaminhadas, mas que com exceção  BR 101 ainda não saíram do papel. Precisamos evoluir no quesito logística.

Quais foram as maiores vitórias da sua administração em 2015?

Existem vitórias que nós temos mais do que comemorar. Conseguimos levar à frente algumas obras que iniciamos com recursos próprios. Na área da saúde, as unidades básicas que são 10; todas prontas. Algumas já em pleno funcionamento. Outras que já estão em fase de acabamento. Da obra da UPA. Da nova unidade de atendimento no Marbrasa. Iniciamos agora, recentemente, há 90 dias, uma grande obra de reforma do Paulo Pereira. Será uma reforma para melhorar o espaço de atendimento ao público. Aumentamos muito nossa cobertura de consulta e atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e demos um grande passo, ainda não concluso, que foi a conquista do curso de Medicina para nossa cidade.  Estas são vitórias muito importantes. Também conseguimos manter nossa receita própria de IPTU, de ISS e de ITBI em crescimento. Isso nos ajudou muito a equilibrar estas perdas que nós tivemos das receitas federais e estaduais.

Um outro ponto que pode ser colocado com muito orgulho é nosso programa de reciclagem de resíduos sólidos. O Vem Reciclar é um sucesso. Ele está hoje em todas as nossas escolas e avança por nove bairros da cidade.

Não poderia esquecer dos avanços que a gente experimenta ano a ano das políticas direcionadas ao meio rural. Cachoeiro tem se notabilizado com o desenvolvimento impressionante com relação à descoberta de novas vocações rurais. Este ano nós estamos mais que triplicando as unidades de agroindústrias. Ou seja: colocando um segmento que não participava da renda rural, que são as mulheres rurais, para contabilizar nos resultados da economia.

Outra vitória foi a realização do sonho de mais de 500 famílias da casa própria. Vamos entregar o primeiro conjunto no próximo dia 23 (amanhã) e a gente espera aí, no finalzinho de dezembro, início de janeiro, começar a mudança das famílias para o Minha Casa, Minha Vida do Marbrasa. E para o ano que vem teremos mais mil e duzentas. 1.280 moradias para o Gilson Carone. Vamos chegar no final do mandato com 1.800 famílias atendidas no Minha Casa Minha Vida.

E qual foi a maior frustração em 2015?

Não é uma frustração de todo... (pausa)... Eu tenho a expectativa de que vai acontecer em 2016 que é o início da obra de revitalização da calçada da Avenida Beira-Rio. A minha meta era iniciar estas obrasno decorrer do ano de 2015. O objetivo é criar e modernizar o espaçopara caminhadas e lazer das pessoas. Questões meramente burocráticasnos impediram de executar a obra. Agora, no final, teve somente o impacto orçamentário. Não financeiro, já que esta obra tem recurso garantido, que eu não disponibilizei em função da queda da receita do município. Eu ainda não consegui contratar a empresa para tocar o projeto por questões orçamentárias. Isso é o que eu vou ficar devendo para 2016, mas eu espero entregar, ainda que parcialmente, esta área da Beira-Rio revitalizada.

Último ano de mandato. Existe algum plano bombástico para o ano que vem?

Meu plano bombástico para o ano que vem não está relacionado a nada que eu não possa terminar ou não tenha já começado. Eu fiz a suspensão de todas as plenárias do Orçamento Participativo para 2016, assim como suspendi a realização do Carnaval como medidas de contenção. Tenho certeza que acertei. Meu grande projeto para 2016 é começar as obras programadas e a conclusão de todas as que estão em andamento. Vou citar um exemplo. O Restaurante Popular. Esta obra foi retomada agora há 15 dias e eu projeto que ela esteja concluída e já em funcionamento no próximo ano. Vou começar a construção de uma nova escola, a Olga Dias, no bairro Coronel Borges. Já temos recursos e vamos começar esta obra no próximo ano. Tenho a esperança de entregar a obra no final deste mandato. Também vamos começar a construção de uma quadra de esportes no Distrito de Pacotuba, do orçamento participativo do ciclo anterior. São coisas que estão pactuadas e eu vou concluir no ano de 2016. O objetivo é deixar no mínimo possível (pausa)... Se possível, nenhuma obra a ser concluída no final do mandato.

Até que ponto as eleições do ano que vem atrapalharão a administração de Cachoeiro?

Se eu fosse candidato à reeleição teria problemas. Como não sou, não vai influenciar. Vou dedicar grande parte do meu tempo a gestão de Cachoeiro até para que eu tenha condição de participar do processo eleitoral que está chegando.

E qual é o nome que seu partido (PT) quer como sucessor?

O partido quer fazer o sucessor e tem a anuência plena do prefeito. O PT, diante do novo cenário, está debruçado sobre um processo de escolha do seu nome. A lógica que estamos definindo é de fazer o sucessor em um nome que fomos construindo ao longo da história. Isso não foi possível, Nós estamos fazendo um debate com base no 'começar de novo'. Muito importante ressaltar que este 'começar de novo' não será como foi lá em 1980 com o senhor Pedro Reis e, sim, será um novo patamar. Patamar do candidato do partido e da aliança que nós viermos a construir com outros partidos. Este candidato deverá ser preferencialmente do partido, para fazer a defesa do legado que esta prefeitura está deixando.

E o Casteglione depois das eleições?

Casteglione depois das eleições volta para sua atividade no Centro Municipal de Saúde como Técnico no Laboratório de Análise Clínica.

Nenhum sonho político?

(longa pausa)... Sonho político tem! (risos) Mas não é para logo depois da eleição. É para 2018! Eu acredito, sim, que sendo uma liderança política que já teve dois mandatos de deputado estadual, estarei concluindo meu segundo mandato de prefeito, eu vou me colocar à disposição da cidade e da região para disputar um cargo parlamentar federal.

Nestes sete anos de mandato, houve algo do qual o senhor se arrependeu?

Não. Não! Acho que não. Ao longo deste processo, a gente experimenta alguns momentos de dificuldades, mas o importante é que dentro dos nossos problemas experimentamos momentos de alegrias com as soluções. Eu não guardo os maus momentos; só os bons.

E qual foi sua maior alegria?

Minha maior alegria foi poder ter sido prefeito desta cidade duas vezes. Estar sendo prefeito da cidade e ter cumprido o que havia me comprometido. Foi com o comprometimento com minha equipe nos dois mandatos que nós fizemos esta revolução , com atenção especial aos bairros de periferia fazendo obras de drenagem, pavimentação, contenção de encostas, eliminando riscos... Isso me alegra!

O senhor perdeu mais amigos ou ganhou nestes sete anos?

Eu diria que ficou empatado. Os amigos continuam amigos. (risos) Eu não tenho inimigo na política e tenho poucos adversários que não me respeitam. Os meus adversários me respeitam. Inclusive, na Câmara Municipal. Nestes sete anos, especialmente neste ano, eu só tenho a agradecer a relação de confiança e de parceria que a Câmara Municipal fez com nosso governo e com a população de Cachoeiro.

Qual mensagem o senhor daria à população da cidade para 2016? Esqueça o prefeito; esqueça o petista.

Minha mensagem é de esperança no ano que vai começar. Será um ano de muitos desafios. Será um ano em que juntos iramos trabalhar para juntos fazermos o melhor Cachoeiro.

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