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Foto: Vitor Bermudes/Mosaico Imagem

 

SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO PLANEJA INCLUIR A EDUCAÇÃO EMOCIONAL NA GRADE CURRICULAR DAS ESCOLAS. A IDEIA É QUE O EQUILÍBRIO DOS SENTIMENTOS AJUDA A APRENDER

 

Escolas tradicionalmente se ocupam de competências cognitivas. Ensinam português, matemática. Agora o lado sócio emocional dos alunos deve ganhar espaço na grade semanal das escolas públicas capixabas. O Espírito Santo planeja ser o primeiro estado brasileiro a incorporar a educação emocional na rotina da sala de aula. O objetivo é que os alunos aprendam mais.

A iniciativa tem previsão de ser implementada no ano que vem. O processo será gradativo, com previsão de alcançar toda a rede em até quatro anos. Como as crianças entre seis e sete anos são as que obtêm melhores resultados na educação emocional, o foco são as escolas de ensino fundamental.

“O indivíduo que se encontra com seu emocional desequilibrado, claro que não vai aprender. Se cuidarmos bem do emocional dos professores, para que eles cuidem bem do emocional dos alunos, a aprendizagem vai fluir, a parte cognitiva terá avanço. Queremos ser vanguarda nisso”, destaca o secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha. “Estamos avaliando. Não tem decisão. Mas a ideia é começar o ano que vem. O equilíbrio dos sentimentos ajuda a aprender”, complementa. 

O trabalho de incluir a educação emocional nas escolas será feito por meio do Programa de saúde emocional “Amigos do Zippy”, que será implementado pela SEDU em parceria com a Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC), que disponibiliza material didático e cursos de capacitação para que os professores da rede possam realizar atividades lúdicas que auxiliem no desenvolvimento da saúde emocional dos alunos, uma vez por semana.

A presidente da ASEC, Tania Paris, participou do Seminário Estadual de Gestão Escolar para Resultados de Aprendizagem, que reuniu gestores educacionais capixabas em Aracruz nesta semana. Ela fala com exclusividade à Associação dos Diários do Interior (ADI.ES). Leia entrevista completa:

 

“Crianças com educação emocional aprendem em torno de 20% a mais que as outras”

 

Como educar emocionalmente as crianças? A escola pode efetivamente contribuir com isso?

O programa Amigos do Zippy é uma alfabetização emocional. Funciona da mesma maneira que você aprende a ler na escola e pode ter uma forma sistematizada e uma idade certa para fazer isso. Na área de habilidades emocionais e sociais é muito semelhante.

Qual é esse momento?

Para as habilidades sociais a criança está madura quando entra no ensino fundamental. Por isso o programa é realizado na fase inicial do ensino fundamental. No caso com crianças de seis e sete anos. Todas as pesquisas convergem que essa faixa etária permite o maior resultado.

Mas o que as crianças vão aprender?

O programa vai ensinar de forma organizada a criança a reconhecer os próprios sentimentos, a encontrar maneiras positivas de lidar com o que sente, perceber os sentimento dos outros e ajudar os amigos a lidarem com o que sentem. Como se relacionar, fazer amigos, evitar conflitos. Lidar com perdas, problemas. O programa traz, de forma organizada, um conjunto de dificuldades diárias que todos temos e a criança vai, de forma lúdica, conversar e discutir por meio de jogos e dramatizações. Esse programa está presente em 30 países. Estamos com 250 mil crianças que participaram do programa no Brasil.

São os professores que farão essa formação?

Nós, adultos, não tivemos educação emocional na infância, pelo menos não de forma estruturada. Aprendemos o melhor que os adultos puderam nos ensinar. Esse programa traz uma metodologia que, inicialmente, beneficia os professores antes até das crianças. São os professores os desenvolvedores em sala de aula. Eles trão uma capacitação de 16 horas iniciais e depois encontros de formação continuada. Logo depois do primeiro encontro os professores já podem trabalhar com o primeiro módulo do programa, que é a parte dos sentimentos. O calendário segue a grade escolar. Ele será incluído na grade curricular. Teremos o momento da aula de educação emocional.

Uma criança que aprendendo a lidar com seus sentimentos realmente aprende mais fácil os conteúdos tradicionais?

Quando a criança não esta bem emocionalmente tem sua atenção dividida. Aplicar no conforto emocional das crianças facilita que ela possa estar disponível para o aprendizado e aulas acadêmicas da escola. Enxergamos que o programa permite que a criança esteja mais inteira para o aprendizado. O beneficio acadêmico é comprovado. Pesquisas mostram que crianças com educação emocional aprendem em torno de 20% a mais que as outras.

Isso é uma novidade nos setor público brasileiro? No setor privado isso é mais difundido?

Diria que a consciência da importância de trabalhar essas habilidades na escola é relativamente recente. Não vejo grandes diferenças entre o setor público e privado. Vejo diferenças entre os dirigentes que possuem mais visão de que isso é benéfico. O programa já está em 45 cidades. Mas, em nível de Estado, essa será a primeira iniciativa.

O que os pais podem basicamente fazer para ajudar na educação emocional dos filhos?

A dica simples: se colocar no nível dos filhos. É comum o pai querer ensinar os filhos, mas muitas vezes o filho é diferente da gente. Se um filho diz: “eu sinto ciúme”, você pode dizer que de vez em quando também sente. Dizer: “me conta o que podemos fazer para que você se sinta melhor, que eu conto o que faço para me sentir melhor quando estou assim”. Esse nivelamento facilita a compreensão da singularidade da criança e abre os espaços de comunicação. Fazemos isso melhor trocando ao invés de ensinando. 

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